FR
Início / Entrevistas / M – P / A atribuição da categoria de deportados aos emigrantes açorianos nos EUA
A atribuição da categoria de deportados aos emigrantes açorianos nos EUA
Entrevista com Miguel Moniz
Miguel Moniz é doutorado em antropologia pela Universidade de Brown, EUA e tem formação anterior em literatura e antropologia. Como interesses de investigação tem-se dedicado à emigração e identidade racial dos portugueses nos EUA, rituais religiosos dos emigrantes açorianos, portugueses deportados, retorno dos emigrantes e transnacionalismo, entre outros. Actualmente é investigador do CRIA - Centro em Rede de Investigação em Antropologia. +

Entrevista realizada em Lisboa, 21 de Janeiro de 2011, por Cláudia Pereira. 

 

Observatório da Emigração (à frente OEm) - Podemos começar pelo que o levou a estudar a emigração portuguesa para os EUA...

Miguel Moniz (à frente MM) - Comecei os meus estudos pós-graduados na universidade de Brown, mas antes fiz duas licenciaturas, uma em literatura inglesa e outra em antropologia, e foi durante esta época que o meu primeiro projecto sobre emigração portuguesa foi realizado, na Wesleyan University, EUA. Enquanto estava a tirar as licenciaturas na Universidade de Wesleyan, trabalhei também na construção civil com açorianos, predominantemente da ilha Terceira, o que me despertou para o projecto em antropologia sobre migrações. A minha monografia de licenciatura teve como título, "Cultural Economics. A Study of Migrant Socio-Religious Festas", onde analisei as "Festas do Espírito Santo" na aldeia onde vivia, em Cape Cod. Mais tarde fui para a Universidade de Brown, onde fiz o Master of Arts em antropologia sociocultural, e mais tarde o doutoramento. Escolhi a Brown devido à sua reputação de ter um importante centro de investigação sobre os emigrantes portugueses. Obviamente, o Departamento de Estudos Brasileiros e Portugueses com o Onésimo Almeida (que veio a ser o mentor da minha pesquisa sobre tópicos dos Açores, migração e lusofonia em geral) foi a atracão central, mas o departamento de antropologia tinha tido uma longa tradição de pesquisa sobre migrantes lusófonos. O meu orientador, George L. Hicks, viveu nos Açores na década de 1970 e publicou um livro pioneiro com vários artigos sobre a experiência migratória lusófona (Ethnic Encounters. Identities and Contexts, North Scituate, Massachusetts: Duxbury Press, 1977). Ele foi um dos membros fundadores do Centro de Estudos Portugueses em 1980 e alguns dos estudos mais importantes em antropologia sobre migrantes lusófonos vieram da Brown, quer de orientandos, como de anteriores estudantes dele.

Para a minha tese de mestrado foquei-me nas festas Sanjoaninas na ilha Terceira, Açores, que abarcam um programa vasto de celebrações durante o fim do Junho, como parte do grande ciclo dos festivais do Verão. Incidi a minha pesquisa na ilha Terceira, de onde eram os organizadores das Festas do Espírito Santo com quem tinha trabalhado nos EUA. Eu queria perceber a experiência dos emigrantes durante a sua vinda nas férias de Verão, prestando especial atenção às touradas. Ainda hoje continuo com estes temas para perceber melhor este movimento transnacional. A minha tese de mestrado teve como título "'Todos os Americanos são Malucos' Touradas, Forcados and Festas and The Creation of Inferential Intimacy Through Conceptions of Ethnicity within the Diaspora Context".

 

OEm - Primeiro só tinha a perspectiva dos emigrantes portugueses nos EUA e quando veio com eles para os Açores passou a ter ambas. É isso?

MM - Exactamente.

 

OEm - Pode destacar os pontos principais do seu mestrado?

MM - Eu comecei a tentar perceber o que era sentir-se transnacional, interligando os domínios da cultura, da política e da economia da vida destes emigrantes. Depois tentei compreender a relação entre a identidade política e a identidade cultural, as quais podem criar grandes tensões com consequências práticas dramáticas para emigrantes que vivem em contextos transnacionais.

 

OEm - Em comparação com os EUA, os conceitos de identidade política e cultural são percepcionados culturalmente de forma diferente em Portugal...

MM - Sim, e falar de etnicidade e racismo em Portugal é muito diferente de falar do mesmo nos EUA. Quando se discute "raça" e "etnicidade" nos EUA é impossível escapar-se às conotações políticas devido às particularidades do sistema político em que estas categorias identitárias existem. Para falar da identidade cultural dos diversos grupos nos EUA é absolutamente necessário compreender como ela funciona no sistema jurídico. Podemos ver a partir da construção do estatuto de minoria, por exemplo. Se um grupo é considerado uma minoria nos EUA tem acesso a determinados direitos que jamais teria senão fosse uma minoria, como quotas para empregos, empréstimos bancários, entre outros. Os indivíduos e os governos tendem a ver a identidade étnica como uma categoria fixa e isto tem imensas ramificações sociais.

Quando comecei o mestrado, reflecti sobre o que significa ser português em contextos diferentes, neste caso numa situação transnacional. O que vi é que os portugueses têm uma identidade cultural e política específica nos EUA, que muda quando vêm para os Açores, transformando-se em algo bem diferente.

 

OEm - Pode desenvolver essa ideia?

MM - O meu argumento é baseado no trabalho de campo durante o Verão, em que me foquei no retorno de emigrantes para a Terceira durante o ciclo dos festivais do Verão. Um caso de estudo interessante na minha pesquisa veio de um grupo de forcados original da Terceira que transplantou a "pega"terceirense para Turlock, Califórnia, no Central Valleyonde vivem muitos portugueses. Estes emigrantes retornam no Verão com muitos outros emigrantes para as festas Sanjoaninas, que duram dez dias do mês de Junho. Na tourada de praça - um das grandes atracções das festas - eles participaram em "pegas"com o grupo de forcados de Angra. Antes desta participação conjunta os forcados emigrantes eram muito efusivos no orgulho que tinham em ter trazido "a grande arte de tauromaquia terceirense" para a América. No entanto, os forcados emigrantes e os de Angra tinham concepções muito divergentes sobre o que significa ser forcado "terceirense" e ser "português", em que os de Angra troçaram da forma como os emigrantes da Califórnia falavam, vestiam e se comportavam na arena e nos cafés. Considerados heróis terceirenses em Turlock, estes forcados foram alvos de crítica em Angra e considerados como arrogantes.

É importante perceber que os discursos de identidade transnacional açoriana penetraram entre os locais e os que emigraram para o estrangeiro. Todavia, o que significa ser "açoriano" ou "português" nas ilhas não é o mesmo que ser "açoriano" ou "português" na América do Norte. Não me estou apenas a referir a marcadores de pertença do grupo, como país de nascimento, linguagem falada ou estilo de vestir, por exemplo. O que difere são os contextos político-sociais em que estas identidades são jogadas. No Norte da América, a identidade portuguesa está incorporada no funcionamento da democracia americana, em que os grupos étnicos funcionam como poderosos grupos de interesse político. Na América as identidades grupais fortes traduzem-se em poder económico e político. A fricção entre os dois grupos reflecte apenas a dissonância cognitiva que é natural em construções como "identidade transnacional" que discursivamente transporta para o facto de o grupo partilhar traços, quando o que faz estas identidades tornarem-se fortes é em primeiro lugar serem por natureza abertas a inclusões mais abrangentes e flexíveis.

Muita da minha pesquisa apoia-se no pensamento da escola de Manchester sobre tribos e grupo étnicos, incluindo o trabalho de J. Clyde Mitchell e as suas distinções entre identidade categórica versus relacionamentos pessoais, e claro, o importante trabalho de Abner Cohen sobre instrumentalismo. O Hemingway descreveu uma vez a queda de F. Scott Fitzgerald como sendo uma mariposa que descobre o pó sobre as suas asas e a partir daí é incapaz de voar. Para um grupo étnico, o mito da pertença primordial é essencial para a coesão, quando esse grupo toma consciência do pó, por assim dizer, quando a natureza contextual da identidade é consciencializada, a base para a semelhança começa a desmoronar. Este foi também um ponto fulcral na minha investigação com os deportados açorianos na minha tese de doutoramento.

O mestrado ajudou-me a preparar para a minha tese de doutoramento, deu-me um conhecimento sobre a recepção dos emigrantes quando voltam à ilha durante as férias, ou quando retornam definitivamente. No meu doutoramento sobre os deportados que foram forçosamente repatriados para os Açores, por terem lá nascido, como consequência de terem cometido crimes na América do Norte sem serem considerados cidadãos dos EUA ou Canadá, interessei-me particularmente pela noção de como a lei define a identidade, por um lado, e de como as pessoas definem a identidade, por outro lado. Pude obter um entendimento mais profundo destas questões, reunindo os diferentes ângulos da identidade que nem sempre coincidem. Aprofundei a forma como a lei afecta a identidade social, neste caso em particular com questões práticas que tiveram resultados trágicos. Por exemplo, pessoas que viveram nos EUA durante 30 anos foram forçadas a sair para outro local. Assim, no meu doutoramento investiguei a deportação destes norte-americanos [portugueses residentes no Norte da América], pessoas condenadas por crimes "graves" que foram deportadas para o país da sua nacionalidade, neste caso Portugal. Eles eram residentes permanentes dos EUA, tinham o green-card [um cartão oficial do governo dos EUA que permite aos estrangeiros trabalhar e viver neste país, equivalente à autorização de residência em Portugal].

 

OEm - Esse cartão é o que o imigrante precisa de obter para estar legal no país?

MM - Como residente permanente, sim. Os deportados tinham o estatuto de residentes que lhes atribuía o máximo de permanência autorizado sem se terem tornado cidadãos naturalizados. É interessante, o atentado no Alfred Murrah Building em Oklahoma City, embora feito por um americano, foi utilizado pela ala política da direita para sentimentos anti-imigrantes, desencadeando a aprovação de várias leis anti-imigrantes bastante rígidas. Na história dos EUA os imigrantes têm sido associados a este tipo de ataques ou, apontados em alturas de stresse económico nacional pela ala política da direita e acabaram por estar sujeitos a leis muito importantes que alteraram drasticamente o modo como eram tratados em caso de crimes. Antes de estas leis serem aprovadas, se um imigrante cometesse um crime grave iria para o sistema criminal e, se fosse considerado culpado, iria para a prisão; se tivesse uma pena suspensa ou se fosse considerado não culpado, nunca seria deportado. Se os serviços de imigração da altura quisessem deportar um determinado imigrante, haveria um processo no tribunal para isso, submeteriam uma acusação para sustentar a deportação e depois de acordo com o "2.12.c", uma das alíneas do código federal, os acusados teriam direito a ficar em frente ao juiz para defender o caso e este tinha a autoridade para dar o veredicto. Apenas nos casos mais graves de reincidência os imigrantes seriam deportados. Isso mudou, no entanto, após 1996. Contudo, houve três alterações importantes que vieram piorar em muito a situação. Na altura, se um imigrante fosse condenado por cinco anos ou mais poderia possivelmente ser deportado. A primeira modificação foi terem diminuído o prazo de cinco anos para um, passando a ser automaticamente deportados. A segunda alteração foi a mais problemática e mais contestada: tornaram a lei retroactiva, passando a incidir sobre todos os emigrantes que tivessem sido condenados no passado, por um ano ou mais, que passaram a ter ordem de deportação. A terceira alteração foi dizerem que o "2.12.c" deixa de existir no código federal, ou seja, suspenderam o habeas corpus, o acusado [deportado] deixou de ter o direito de ser ouvido pelo juiz. Portanto, o governo passou a ter todo o poder de deportar qualquer imigrante sem o ouvir. Esta lei criou imensos problemas, para os portugueses que eram dos Açores não foi diferente, houve imensos deportados a retornarem e a contestarem esta lei.

Algumas das partes mais draconianas da lei com efeitos retroactivos sobre os deportados foram mudadas em 2001, autorizando nalguns casos, com a discrição do tribunal, uma audiência, mas durante o período anterior a lei teve efeito e foi nessa altura que houve mais deportações. Por exemplo, um imigrante que há 25 anos tenha sido condenado por um crime com time served de um ano [a pessoa é considerada culpada mas não vai para a prisão, tendo especificidades diferentes de pena suspensa], continuou a viver na América, e mais tarde foi multado por excesso de velocidade ou outra coisa, esta pessoa teve de ser deportada durante aquele período devido a esta lei. Aconteceu a algumas pessoas que pediram a nacionalidade americana serem deportadas, o sistema via que tinham cometido um crime em que foram condenadas, tendo estado ou não na prisão durante um ano, e deportavam-nas de imediato. Alguns imigrantes até pensaram que se pedissem a nacionalidade americana evitariam ser deportados por esta lei retroactiva, mas depois de preencherem os papéis foram presos e deportados. Em alguns casos, um imigrante ia ao INS/Homeland Security [serviço de estrangeiros equivalente ao SEF em Portugal] para tratar da sua documentação no seguimento de uma carta enviada pelo governo dizendo que deveriam dirigir-se aos serviços da imigração, como se os documentos para tratar da sua cidadania estivessem prontos, e seria detido no local, enviado para um centro de detenção e, por fim, deportado.

 

OEm - Esta lei é dos anos 1990?

MM - Sim, de 1996. O ataque bombista de Oklahoma é de 1995 e a lei é do ano a seguir. Quando fiz o meu projecto, havia uns pequenos relatórios da situação, com algumas entrevistas a deportados, apenas isso. Havia um relatório para além destes que foi elaborado pela Gilberta Rocha, Octávio Medeiros e outros, estava bem desenvolvido, mas só capturou a fase inicial do problema. Então, para contextualizar e aprofundar a questão estive cerca de dois anos nos Açores, em São Miguel e na Terceira a fazer investigação sobre estes casos concretos. Até passei um ano a fazer pesquisa etnográfica com os deportados na prisão de Ponta Delgada. Eu já estava familiarizado com alguns dos que vieram a ser deportados, apesar de só conhecer alguns deles, poucos, frequentava os mesmos bares e partilhávamos alguma vizinhança em Fall River, New Bedford e East Providence. Portanto pude começar a estudá-los a partir de lá, reconstituindo o trajecto deles próprios para os Açores.

 

OEm - Há quanto tempo esses portugueses estavam nos EUA?

MM - Depende. Na altura em que fiz o estudo era diferente porque deportaram muitos portugueses, cerca de 50% tinham ido para os EUA antes de terem 12 anos e 75% antes de serem considerados maiores, antes dos 18 anos. Tenho a certeza de que estas percentagens são agora diferentes, mas não é diferente o facto de apesar de ser o local de nascimento, quando se é enviado forçosamente pelos governos dos EUA e Canadá, nenhum deportado irá chamar "casa" aos Açores.

 

OEm - Viveram quase toda a sua vida nos EUA...

MM - A maioria, sim, a vida de que eles se lembram enquanto pessoas. Um dos pressupostos na tentativa de perceber melhor o funcionamento de identidade transnacional é a noção de que há partilha de semelhança entre um grupo de migrantes transnacionais e o do país de origem.

Procurei analisar as implicações legais e políticas desta noção de identidade. Tentei pesquisar estes sentimentos de pertença que os portugueses têm nos EUA sobre Portugal, eles criaram esta ideia de identidade transnacional, o viajar para os Açores, as remessas que enviam, visitas pessoais, o contacto pela Internet - o que é que isto significa nos contactos locais? O que significa este contacto entre grupos que estão realmente separados, mas usam a mesma linguagem de pertença, sendo portugueses, sendo açorianos? Do ponto de vista das pessoas que vivem em Portugal, esta ligação tem diferentes benefícios comparativamente com os que vivem nos EUA. Mais especificamente, é necessário entender como é que o sistema político funciona nos EUA para se perceber a dinâmica da identidade dos imigrantes. Voltando ao início da conversa, as pessoas reivindicam direitos, como resultado de serem um grupo forte e influente nos EUA, mas em Portugal não funciona da mesma maneira. Os portugueses lidam de outra forma com as minorias, em termos culturais são percepcionadas de modo diferente. Perceber esta questão foi muito importante para o meu projecto sobre os deportados.

 

OEm - Fez também pesquisa sobre a identidade racial dos portugueses nos EUA, a que conclusões chegou?

MM - A relação dos portugueses com a identidade racial na América é longa e bastante confusa. Como nação europeia, a categoria dos "portugueses" já incluiu asiáticos, africanos e até sul-americanos, o que leva os portugueses a serem considerados "brancos" por lei. Na prática a situação é complexa, obscura. Quase desde que chegaram aos EUA, os portugueses são percepcionados nos EUA como "não brancos" (not white)por contraste com os "brancos" (white), e a forma como isso os afecta culturalmente é importante para perceber a identidade social, como portugueses e como minoria. Na minha pesquisa falo sobre uma conferência que houve em Harvard em 1973 sobre imigrantes portugueses, onde estiveram cerca de 500 pessoas, desde empresários, académicos, a líderes da comunidade, em que algumas figuras conhecidas estavam presentes, incluindo o Onésimo Almeida. O Congresso nos EUA tinha aprovado o Civil Rights Act em 1964, era necessário haver um mecanismo legal para se poder fazer uma queixa sobre este assunto. Em 1972 o Ethnic Heritage Program definiu originalmente os portugueses como minoria. Devido aos problemas históricos de integração social entre as comunidades, os membros do Harvard Congress concordaram com o estatuto de minoria para os portugueses, fundamentando que representavam uma categoria sem definição racial, em que um indivíduo podia ser branco ou preto e ainda ser considerado português. O governo criou oportunidades iguais para os grupos minoritários e criou leis que davam a possibilidade de estes poderem apresentar queixa. Os portugueses vieram a ser retirados dos grupos minoritários reconhecidos pelo governo, devido à influência de um grupo político. Houve um homem que os incentivou a reagirem, Frances Rogers, muito influente entre os luso-americanos, reitor da Graduate School of Arts and Sciences em Harvard, que foi crucial no estabelecimento dos Estudos Portugueses na América. O Rogers foi ajudado pelo Joseph Freitas, muito conhecido por ter sido o advogado de acusação do assassínio do Harvey Milk.

Ele fazia parte do lobby que pressionava o Congresso e quis excluir os portugueses dos grupos minoritários.

 

OEm - Porque é que ele fez isso?

MM - Para percebermos melhor, antes de isto acontecer houve aquela conferência em Harvard sobre a importância dos grupos minoritários. Os portugueses queriam definir o que era ser português, independentemente de quem se descende, isto aconteceu antes do 25 de Abril de 1974, quando ainda existiam colónias portuguesas. Se, por exemplo se era cabo-verdiano, ser-se-ia considerado português, assim como o continental português também seria considerado português. Ser "não branco" na América tinha várias consequências negativas. Por exemplo,  até 1954, se um indivíduo fosse de um país africano, não seria autorizado a naturalizar-se como americano. Para as populações marginais da costa da África e do Atlântico,  é claro que ser português, e, por consequência,  europeu,  era importante.  Para uma geração mais velha, que lutou contra o estatuto de "não branco" foi uma forma importante de evitar a discriminação. Se população portuguesa estava a tornar-se uma minoria,  o seu estatuto "não branco" deveria ser codificado por lei. Foi contra isto que Rogers se manifestou. Era uma questão de táctica. Havia racismo envolvido? Não sei, mas parece-me que se alguém realmente queria ajudar o estatuto dos portugueses, então aceitar o estatuto de minoria, devido à condição social dos portugueses, este era o caminho mais óbvio.

Para perceber melhor esta questão fui aos arquivos e li revistas e jornais antigos sobre este tema, pesquisei as leis americanas, e comecei a ver que os portugueses tinham uma relação muito estranha com a questão da identidade racial na América. Desde que lá chegaram, os portugueses foram classificados na lei como um grupo "não branco".

 

OEm - Em que altura é que isso aconteceu?

MM - Julgo que desde o início. Surgiu na literatura cerca de meados de 1800 até hoje. Há leis federais e leis de cada estado que são contraditórias quanto aos portugueses como uma minoria, o que é independente da forma como as pessoas se auto-percepcionam. Existe o pressuposto, entre alguns, de que a lei reflecte a realidade social, mas este não é o caso. A forma como a lei foi criada tem muito a ver com política e a sua existência acaba por modelar a forma como as pessoas vêem o mundo em seu redor.

 

OEm - Os portugueses como grupo minoritário podem ter benefícios do governo?

MM - Essa questão é muito complicada, vou tentar explicar. O governo federal retirou aos portugueses o estatuto de protecção como um dos grupos minoritários, desde a acção do Frances Rogers nos anos 1970. Contudo, há sobreposição de leis nos EUA quando confrontamos as leis federais com as dos estados e até de algumas instituições. Por exemplo, no estado de Washington os portugueses são considerados uma minoria em alguns casos; em Rhode Island os portugueses eram considerados uma minoria no âmbito dos contratos da construção civil ou de transporte, isto é, se um português tiver uma empresa portuguesa nestes campos é protegido como minoria e tem benefícios. No entanto, em outros casos é-se considerado uma minoria, portanto, é muito confuso, o que tem a ver com a discrepância entre a lei e o modo como a lei intervém na identidade social e cultural. No caso dos portugueses, eles foram representados - e ainda são - no quotidiano e no contacto com outros grupos étnicos como um grupo minoritário.

 

OEm - De que modo? Pode dar algum exemplo?

MM - São considerados "não brancos" e isso sente-se. Mas não têm qualquer das protecções de outros grupos minoritários.

 

OEm - E quem são considerados os "brancos"?

MM - É uma questão muito complexa. As pessoas costumam falar de identidade social e raça como se fosse algo simples, mas não é. Por exemplo, vi na Internet um jogo, baseado num estudo, em que através de fotografias se pergunta quem é "americano," entre uma foto de um branco e de outro mais escuro, o resultado é que quanto mais branca a foto da pessoa fosse, mais americano era considerado. Alguns dos factores que conduzem à classificação dos portugueses como "não brancos" são o fenótipo, a natureza racialmente diversa da categoria "portugueses" e do parentesco linguístico que permite ver a raça como um espelho de nacionalidade e se diferencia da raça nos EUA, o discurso popular que trata "latinos" como "não brancos", entre outros. Em 1924, um estudo de doutoramento de Donald Taft, da Universidade de Columbia, analisou os portugueses nos EUA e explicou a elevada incidência da mortalidade infantil, falta de qualificações, pobreza e outros problemas através do facto de os portugueses que vinham dos Açores, São Miguel, serem maioritariamente "pretos". Mais recentemente, Leo Pap refere a Harvard Encyclopedia of American Ethnic Groups, de 1976, que distingue os grupos étnicos residentes em Barnstable County, Cape Cod, com categorias de "branco" e "não branco": os portugueses estavam no lado não branco (The Portuguese-Americans. 1981. Boston: Twayne). Para mim a questão não é se os portugueses são realmente brancos ou não brancos, como se a questão pudesse ser empiricamente respondida. O que é interessante em si é a ambiguidade que existe na classificação dos portugueses e as ramificações que daí resultam.

 

OEm - Como é que a questão da nacionalidade se relaciona com isto?

MM - Na América a nacionalidade não é usada da mesma forma que em Portugal. A nacionalidade na América refere-se ao país onde se nasceu e a do passaporte que se tem. A identidade nos EUA é definida de uma forma muito mais fluida do que em Portugal e é muito mais dependente de uma auto-definição. Certamente que o estatuto legal tem alguma influência, mas não como na Europa em que a nacionalidade consiste num aspecto fundamental da identidade pessoal.

 

OEm - Os portugueses em Portugal não têm noção dessa representação nos EUA...

MM - Claro que não. Quando eu vejo um skinhead em Portugal dá-me vontade de rir, lembrando-me da forma como são representados os portugueses nos EUA [risos]. Esta situação provocou também muito racismo entre cabo-verdianos e açorianos.

 

OEm - Porquê?

MM - O que argumentei é que não é possível analisar a identidade racial cabo-verdiana nem açoriana, sem perceber como os portugueses foram classificados nos EUA em termos gerais. Havia um vasto grupo étnico chamado de português que foi englobado numa única "raça" com características e fenótipos muito distintos, um dos primeiros problemas causados pelas pessoas que estavam a tentar ligar a lei e a raça na América. Surgiram duas categorias nos censos de 1910, "portugueses pretos" e "portugueses brancos". Eu não quero exagerar a importância da categoria do Censo num comportamento pessoal, mas o Censo é uma prova dos processos discursivos mais vastos que perpassam a América no que diz respeito à natureza diversa da identidade racial portuguesa. O meu argumento sobre o Frances Rogers é que, para ele, se os portugueses se tornassem uma minoria iria ser eliminada a representação deles como brancos, iriam voltar a ser representados como "pretos" (black)aos olhos da lei. Por isso, acho que a sua posição contra deveu-se a esta noção dos portugueses como grupos de brancos ou de pretos e ao tornarem-se uma minoria seriam "não brancos". Isto aconteceria em situações locais também, na medida em que os portugueses mais claros de pele, da mesma ilha, fariam disso um argumento para a sua inclusão no grupo branco. Uma questão interessante é a forma como são formadas as pertenças a gangues em prisões, normalmente através de critérios raciais e étnicos. Em Toronto, por exemplo, onde há menos açorianos, mais migrantes do continente e não é numerosa a população cabo-verdiana, nas prisões os portugueses acabam por ficar junto dos "ingleses", a representação que existe para prisioneiros brancos. Em Rhode Island, onde os portugueses são menos, as afinidades são com os hispânicos. Em Massachusetts, os açorianos e cabo-verdianos tendem a estar próximos, embora não sempre.

 

OEm - Então, e voltando atrás, essa é a forma como os americanos nos EUA vêem os grupos étnicos?

MM - Sim. Ou se é branco ou não se é. Entre os portugueses esta questão nunca foi realmente resolvida na legislação. Por exemplo, no sul da América houve casos de pessoas consideradas "não brancas" que foram para os tribunais reivindicar que eram "não pretas" (not black), argumentando que eram portuguesas. Se fossem consideradas "pretas" não podiam ter propriedades, votar, daí argumentarem que não eram. Houve alguns casos de indivíduos que reivindicaram ser portugueses, nem "brancos" nem "pretos" mas "portugueses", num deles o advogado de defesa afirmou: "o meu cliente nunca disse que era branco, disse que era português", mas mesmo assim o argumento foi usado para permitir, a alguém que nunca seria considerado branco num estado do sul, ganhar acesso a direitos de propriedade. Isto é muito interessante, a maioria dos portugueses em Portugal não tem ideia destas dinâmicas nos EUA, e que acontecem ainda hoje. Olhar para a identidade racial dos portugueses nos EUA é muito complexo e é também bastante importante para a questão dos deportados ao analisar-se as classificações legais dos portugueses versus as formas como os diferentes grupos interagem.

 

OEm - Diria que ainda hoje os portugueses como grupo étnico nos EUA são vistos como "não brancos"?

MM - Sim, absolutamente. Novamente, é uma questão complexa, mas basta perceber como os latinos são "não brancos" na América...

 

OEm - Não são só os americanos que os rotulam como tal, os imigrantes entre si também o fazem?

MM - Sim. Um português que seja muito branco, com um nome americanizado, escapa a esta classificação. Mas se estiver no sul da América com as mesmas características e o mesmo nome é chamado de "hispânico" ou "não branco". Portanto, a identidade é também definida a partir do sítio onde se vive nos EUA, é diferente viver na Florida ou em Massachusetts, por exemplo. Muitos portugueses só souberam que pertenciam a um grupo minoritário quando se alistaram no exército e saíram das origens familiares de New Bedford e Fall River. Os colegas militares que nunca tivessem visto portugueses, rapidamente os poriam nas categorias de hispânicos ou latinos. Mas os portugueses em muitos contextos são considerados uma minoria, sem dúvida. Todavia, tem de se ter cuidado com esta afirmação. Em termos da lei são uma minoria? Sim e não. Os portugueses são representados como uma minoria? Sim e não. Os portugueses auto-percepcionam-se como uma minoria? Sim e não.

 

OEm - Há mais alguma conclusão que queira ressalvar da sua investigação com os deportados?

MM - Em termos teóricos, a maioria das conclusões foi sobre o transnacionalismo, a forma como os migrantes transnacionais são recebidos na comunidade de origem e as suas dificuldades. A identidade transnacional parece funcionar muito melhor no papel do que na realidade vivida, actua de formas muito diferentes consoante o contexto e os emigrantes têm motivações muitos diferentes para quererem passar a pertencer a um grupo maior do país onde passaram a viver. Tornou-se impossível separar os deportados, nas concepções das pessoas, dos outros tipos de emigrantes que retornam. Por exemplo, há grupos de emigrantes portugueses, açorianos, que retornaram e bebem álcool e falam alto no café; para os açorianos locais passam a ser concebidos como os deportados, tecendo-lhes comentários pejorativos. Há sempre algum ressentimento para com os emigrantes que retornam, os locais acham que eles têm muito dinheiro, é uma questão cultural e social. Deportado tornou-se uma categoria que é atribuída por muitos habitantes dos Açores quando falam nos emigrantes americanos [portugueses na América] em geral. A situação gradualmente foi mudando e o mais importante foi o governo ter tentado ajudar os deportados que tivessem problemas de toxicodependência ou outro tipo de problema social a arranjar emprego.

 

OEm - O governo dos Açores?

MM - Um passo positivo foram os programas de ajuda governamental que ajudaram a mudar o seu pensamento. No início, a assistência aos deportados tratava-os como uma categoria em separado, o que não foi útil e deu a impressão à população em geral que só os deportados tinham problemas de droga ou outros do mesmo tipo. A filosofia de alguma desta assistência acabou por mudar o facto de os deportados não serem tratados como uma categoria à parte, até deram assistência sobre toxicodependência em programas concebidos para todos os açorianos. As ilhas nos Açores são pequenas e estas questões têm um grande impacto, as pessoas conhecem-se na rua, nos restaurantes, nas lojas. Os Açores sempre tiveram uma relação diferente com o exterior por serem ilhas, e esta ajuda foi muito importante localmente. Quando os deportados começaram a deixar de ser vistos como uma classe à parte, a sua recepção nos Açores alterou-se também, os locais acabaram por se familiarizar com eles.

 

OEm - Pode falar um pouco sobre a integração dos portugueses nos EUA?

MM - É uma questão muito complexa. Ao falar-se dos portugueses nos EUA presume-se que todos têm a mesma experiência, o que não é verdade, são muito diferentes entre si. Hoje, quando vão muitos portugueses estudar para as universidades de lá, as experiências de migração são diferentes de há alguns anos atrás, quando os açorianos iam para trabalhar em fábricas. Um trabalho que fiz revela esta complexidade. Eu fui o investigador responsável de um projecto no maior grupo de hospitais no estado do Rhode Island, novamente para ver a relação da lei com a identidade social. Analisando dados de emprego no grupo de hospitais, cheguei à conclusão que 99% dos trabalhadores portugueses e 90% das trabalhadoras estavam empregados nos trabalhos menos bem pagos e, nesse grupo, na hierarquia mais baixa. Eu entrevistei centenas de pessoas, e, de facto, havia algumas atitudes discriminatórias sobre alguns portugueses. Por exemplo, os supervisores não portugueses tiveram atitudes discriminatórias sobre subordinados portugueses. Mais ainda, muitos portugueses não falavam inglês e eram ultrapassados por outros que dominavam a língua para certos empregos, para além de não terem competências informáticas.

Mas a questão mais importante na compreensão da "integração" ou do "sucesso" é saber em que termos este sucesso é definido. O grupo de hospital procurava alguma fórmula mágica que viesse a tornar os trabalhadores portugueses supervisores e a fazer com que eles procurassem outro tipo de trabalhos. Mas o que descobri foi que um dos principais obstáculos a que os portugueses deixassem as suas posições de trabalho manual era simplesmente eles não quererem fazê-lo. O que me diziam com frequência era que o trabalho era fácil, não tinham que pensar muito nem tinham que ter responsabilidade, o que era bom porque o mais importante era chegar a casa e ir estar com a família e fazer jardinagem. Os supervisores tinham que ficar até tarde e tinham sempre trabalho extraordinário. O sucesso para estes trabalhadores não era definido por terem um salário superior ou responsabilidades de liderança, era definido por terem trabalhado que facilitasse a sua vida familiar e permitisse tempo para a vida pessoal. Isto não contribui para um slogan político muito entusiasmante, mas para muitos dos imigrantes é a sua realidade e o seu desejo.

 

OEm - E depois desse projecto, continuou a sua investigação?

MM - Sim, para o meu pós-doutoramento vim para Portugal para analisar em mais profundidade estas questões, como burocracia e identidade, tentando perceber a forma como a lei funciona. Foi aqui, durante o meu pós-doutoramento, que escrevi "The Shadow Minority. An Ethnohistory of Portuguese and Lusophone racial identity in North America"(em Community, Culture and the Makings of Identity: Portuguese-Americans along the Eastern Seaboard, Andrea Klimt and Kimberly da Costa Holton (orgs), University of Massachusetts-Dartmouth, Portuguese in the Americas Series. pp. 409-430). Também fiz outros estudos nesta área, incluindo "European National Identity? a provocation (2010)"; Social identity and the law, a comparative perspective on two national contexts: the United States and Portugal (2009)"; "Portuguese political identity at home and in Diaspora (2008)".

Estive também a trabalhar no projecto Diasbola, na relação entre o futebol e os emigrantes. Eu escrevi crónicas para um jornal português na Nova Inglaterra e frequentemente cobria eventos futebolísticos internacionais, visitas do Benfica, da selecção cabo-verdiana e até escrevi sobre o futebol na relação com a identidade transnacional na minha dissertação. Pesquisei como os negócios e as dinâmicas não portuguesas promovem a identidade portuguesa e a ligam ao mundo português, de uma forma transnacional, como é o caso do futebol. Há comunidades transnacionais a serem criadas em redor do futebol desde há muito tempo e analisei este tema de modos muito diferentes, escrevi cerca de cinco ou seis artigos e papers sobre o tema. O grupo do Diasbola já publicou um livro, organizado pela coordenadora do projecto, Nina Tiesler e pelo Nuno Coelho (Globalised Football) e há outro livro a ser revisto. Os meus artigos nesta área incluem: "Adaptive Transnational Identity and the Selling of Soccer: The New England  Revolution and Lusophone Migrant Populations" em Globalised Football: Nations and migration the city and the dream. Nina Tiesler e J. Nuno Coelho, editado pela (Routledge), pp. 20-38;  " Futebol and technological links to the homeland: how the experience of futebol through the television, radio, print media and the internet mediates social-adaptation among North American Lusophone migrant communities", em Sport and Diaspora Special Edition; "Futebol in migrant contexts. Reflections on trans-local economics and how soccer fans make the world smaller"; "Reflections on migration, translocal connection, identity and soccer: corporate/categorical forms of belonging (i.e. the nation) and affective ties."; "Football, Tourism and Local Identity in the European Union" (2010).

A importância do futebol nos contextos migrantes não pode ser negligenciada. Por exemplo, no final dos anos 1980 os operadores locais de cabo em Cape Cod não ofereciam programação portuguesa como em New Bedford e Fall River. Um grupo de açorianos que emigrou para lá reivindicou um canal português na televisão por cabo para poderem ver os jogos de futebol. Fizeram protestos e petições e conseguiram um nível de activismo social inédito para os portugueses da zona que, geralmente, não tinham este tipo de envolvimento político. Em resultado, a cidade passou a ter programação em língua portuguesa, incluindo notícias, telenovelas, etc., que teve impacto na manutenção e coesão da comunidade portuguesa. O grupo depois orientou as energias para a formação de uma associação cívica portuguesa. Mas o verdadeiro impulso para formar a acção foi para ser possível aos portugueses verem os jogos de futebol.

Na América, um dos marcadores mais importantes na identidade dos portugueses é cada vez mais o futebol, que envolve a visualização dos jogos, os jantares e as bebidas que se seguem, é um fenómeno social entre os emigrantes portugueses. O futebol é dos poucos espaços nos EUA em que os portugueses são uma autoridade e isso é muito importante para eles.

 

OEm - Quer acrescentar mais algum aspecto sobre a sua investigação?

MM - Gostaria de acrescentar mais um dado sobre o facto de começar a viver em Portugal e o modo como isso influenciou a minha investigação. É muito diferente fazer investigação sobre a emigração quando se vive no país de origem. Eu fiz pesquisa sobre os emigrantes portugueses nos EUA como alguém que é de lá. Contudo, vivo em Portugal há seis anos (além de cerca de cinco anos a viver entre os Açores e os EUA) e a minha perspectiva sobre a emigração passou a ser a de um imigrante aqui, no contacto com os meus familiares e amigos, e comparo a minha vida aqui com a dos EUA. Vou voltar para os EUA para fazer investigação num projecto maior sob a direcção de João Leal para analisar a Festa do Espírito Santo em alguns contextos migrantes (Canadá, Califórnia, Nova Inglaterra) e vou conduzi-la de uma forma muito diferente de quando lá vivia, lá vou ser um pouco o emigrante que retorna ao país de origem. Agora percebo de uma forma mais clara a realidade dos emigrantes que retornam a Portugal, porque também experienciei isso, embora no sentido inverso. Entendo também muito melhor os próprios conceitos de raça e etnicidade em Portugal, que são percepcionados de forma muito diferente nos EUA, tanto em termos sociais como políticos. Acima de tudo, no entanto, esta perspectiva faz-me perceber melhor as emoções profundas e complexas que fazem parte da experiência diária de qualquer migrante. Não é preciso, claro, ser migrante para perceber a migração, como não é preciso ter vivido no século XVI para estudar a descoberta da Índia pelos portugueses. Mas viver esta experiência ajuda a ter uma perspectiva emocional e prática muito própria que eu não teria tido de outra forma. 

 

Como citar  Pereira, Cláudia (2011), "A atribuição da categoria de deportados aos emigrantes açorianos nos EUA. Entrevista a Miguel Moniz", Observatório da Emigração, 21 de Janeiro de 2011. http://observatorioemigracao.pt/np4/4696.html

 

Observatório da Emigração Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
Instituto Universitário de Lisboa

Av. das Forças Armadas,
1649-026 Lisboa, Portugal

T. (+351) 210 464 018

F. (+351) 217 940 074

observatorioemigracao@iscte.pt

Parceiros Apoios