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Legislativas 2009: José Sócrates defende promoção da língua portuguesa e a valorização económica das comunidades
2009-08-31
José Sócrates defendeu em Lisboa, perante um grupo de portugueses residentes em diversos países, que a defesa da língua portuguesa deve ser considerada uma prioridade por “vários departamentos do Estado”, afirmando ser esse “o maior esforço” que o país pode fazer para defender o seu “prestígio internacional”.

O secretário-geral do PS falava, no dia 25, a um grupo de representantes das comunidades portuguesas em vários países, no âmbito da pré-campanha às eleições Legislativas de 27 de Setembro. Acompanhado pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, e dos candidatos socialistas pelo círculo da Europa, Paulo Pisco e Lurdes Rodrigues, José Sócrates disse ainda que a defesa do português representa também a defesa "dos interesses das nossas comunidades, nos outros países".
"O grande esforço que temos pela frente é sem dúvida, defender a língua portuguesa, e estamos a fazê-lo em vários domínios", afirmou, sublinhando que no âmbito da actual presidência portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a promoção da língua comum a todos os países membros "é o ponto principal da nossa agenda".

Importância económica das comunidades

O secretário-geral do PS destacou ainda a necessidade de valorizar as comunidades e afirmou que Portugal tem "uma responsabilidade para com esses emigrantes e para com as gerações que os sucederam", e também pela importância que têm no apoio ao "comércio externo" e à "afirmação do país".
"Tem sido um erro que cometemos ao longo de várias décadas, não perceber que grande parte da afirmação de Portugal, das nossas empresas, dos nossos valores, em vários países, está muito dependente da afirmação das nossas comunidades. No Brasil, na Venezuela, na África do Sul, em França e outros países europeus", acrescentou, dando como exemplo a relação económica entre Portugal e a Venezuela, que considerou ter sido "finalmente potenciada", porque o Governo compreendeu "que os portugueses que vivem na Venezuela são uma comunidade bem sucedida, bem integrada, que pode dar um contributo à melhoria da relação comercial" entre os dois países.
José Sócrates referiu também a obrigação de melhorar "todos os serviços ao nível consular", no sentido de "simplificar os actos administrativos que os órgãos da Administração prestam aos emigrantes", e de valorizar as comunidades portuguesas enquanto "instrumento da afirmação" de Portugal.

Aulas de português

A residir na Inglaterra há quatro anos, Mafalda Piçarra, defende que há uma série de serviços burocráticos que têm que ser melhorados para que os portugueses a residir naquele país tenham um melhor acesso a direitos básicos e cita a falta de tradutores que possam apoiar os portugueses que ainda não dominam o inglês. Actualmente a tirar um doutoramento em Estudos Asiáticos, e membro da secção do PS em Londres, Mafalda sublinhou ao Emigrante/Mundo Português ainda que há interesse da comunidade em mais aulas de língua portuguesa, mas cita dificuldades ao nível das distâncias a percorrer e dos horários. Defende ainda que deveria "mais interacção" entre os portugueses que estão radicados no país há mais anos e os novos, tanto trabalhadores como estudantes.
Em França desde 1969, João Veloso defende mais apoios ao movimento associativo e mais acções que incentivem a ligação dos luso-descendentes a Portugal. Presidente da Associação Os Camponeses Minhotos, de Clermont Ferrand, está actualmente empenhado na construção de uma nova sede para a instituição, um projecto que, diz, está a encontrar dificuldades, e que ainda está na expectativa de conseguido apoios do governo português. "A autarquia de Clermont Ferrand apoiou-nos com 35 mil euros", afirmou, acrescentando que a associação insere-se numa região onde residem "cerca de 61 mil portugueses".

Empresários mais influentes

Empresário do ramo alimentar na Suíça, onde reside desde 1964, José de Sousa, também acredita que o ensino da língua portuguesa deve ser uma prioridade do Governo, já que continua a haver interesse por parte dos pais, em que os filhos aprendam a sua língua materna.
Na área económica, afirma que "os empresários da Diáspora podem ser mais influentes" na dinamização da economia portuguesa no estrangeiro se o governo aproveitar o potencial que têm a sua ligação afectiva a Portugal. Dando como exemplo o seu sector de actividade, afirma que os portugueses "são o veículo que transmite os sabores dos produtos alimentares nacionais" aos naturais dos países onde residem.
O empresário defende a realização de estudos de mercados nos países onde existam importantes comunidades portuguesas, que revelem o "nível empresarial português" e as suas potencialidades.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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