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Desemprego entre portugueses aumenta na Espanha e Alemanha
2009-07-06

O número de portugueses a residir em Espanha reduziu em dez por cento, para 140 mil, no primeiro trimestre deste ano, o que acarreta também a descida no número de trabalhadores, revela a Agência Lusa, baseada em dados recentes que confirmam que o número de portugueses registados como trabalhadores na Segurança Social espanhola continua a cair.
Uma descida de 3,5 por cento desde o início do ano, acrescenta a Lusa, sublinhando que continua assim a tendência do último ano, com a queda total no número de portugueses a ultrapassar os 22 por cento, desde o início de 2008.
Em Março, enquanto o número de portugueses caiu, o número total de estrangeiros registados como trabalhadores aumentou 0,05 por cento, ainda que continue bastante aquém do valor que se registava no mesmo mês em 2008 (menos 8,5 por cento).
A redução no número de portugueses entre Janeiro e Março surge depois de uma queda de 4,46 por cento que já se tinha registado desde Dezembro. No final de Março e segundo os dados revelados no dia 6 deste mês, estavam registados como trabalhadores em Espanha um total de 63.623 portugueses, dos quais a maior fatia no regime geral (49.482), seguindo-se o sector agrário (7.401) e o de mar (5.132).
No que toca especificamente ao desemprego, no inicio do ano atingia já mais de oito mil portugueses em Espanha, ou cerca de 15,3 por cento da população activa, um valor que chegou a ser ainda mais elevado em Setembro do ano passado, quando atingiu os 21,5 por cento.
Bastante flutuante, a taxa de desemprego entre os portugueses residentes em Espanha chegou, no final de 2007, a registar a sua taxa mais baixa desde 2005 (5,07 por cento ou 2.700 trabalhadores num universo de 53 mil.
Na Alemanha, o impacto da crise económica entre traduziu-se num aumento do desemprego de cerca de 17 por cento na comunidade portuguesa e na quebra das receitas no sector da gastronomia.
Em Outubro de 2008, havia 4.295 portugueses desempregados na Alemanha, num universo de quase 42 mil trabalhadores inscritos na previdência social. Em plena crise, há agora 5172 portugueses desempregados, mais 17 por cento do que há oito meses, segundo dados de Junho publicados pela Agência Federal do Trabalho e referidos pela Lusa.
No total, a comunidade portuguesa na Alemanha tem cerca de 114 mil pessoas, concentradas nas regiões mais industrializadas, o sul, o oeste e o noroeste do país. Os serviços sociais dos consulados portugueses já notam sinais das dificuldades entre a comunidade, como disseram à Lusa vários responsáveis.
"Temos verificado que o poder de compra baixou muito, e agora, quando as pessoas vêm pedir documentos, a primeira pergunta que fazem é quanto é que custam", disse o responsável pelos serviços sociais do escritório consular de Osnabruck, Manuel Silva.
Neste cidade da Baixa-Saxónia, a falência da Karmann, em Abril, lançou no desemprego cerca de 50 portugueses, os "sobreviventes" das largas centenas que chegaram a trabalhar nos anos oitenta no prestigiado fabricante de veículos convertíveis para marcas como a Volkswagen, Mercedes e BMW.
Em Hamburgo, onde vivem cerca de oito mil portugueses, a situação também é crítica, "as pessoas estão a apertar o cinto, e notámos, por exemplo, que há empregadas domésticas sem trabalho porque os patrões deixaram de lhes poder pagar", disse à Lusa Maria José Cocq, responsável pelos serviços sociais do consulado.
Na área consular de Estugarda, centenas de trabalhadores portugueses têm sido afectados pelo recurso ao regime de trabalho parcial em grandes empresas como a Daimler (Mercedes), observam os respectivos serviços sociais.
"As pessoas tornaram-se mais cuidadosas a lidar com o dinheiro, embora os que tenham entrado em trabalho parcial recebam praticamente o mesmo, graças aos subsídios do Estado", disse à Lusa Abílio Rodrigues, técnico dos serviços sociais em Estugarda, onde residem cerca de 25 mil portugueses.
Para fazer face a estas situações, "é preciso pôr técnicos dos serviços sociais a trabalhar no terreno, sem esperar que as pessoas apareçam nos consulados a pedir ajuda porque aí normalmente já é tarde", disse à Lusa Alfredo Stoffel, do Conselho das Comunidades Portuguesas.
Também os restaurantes portugueses estão a ser afectados e a palavra de ordem é aguentar até passar a crise, com a ajuda da família, e sem admitir mais empregados, ou até dispensando alguns.
"Desde que começou a crise, ficámos sem metade dos clientes, quer portugueses, quer alemães, e levámos um rombo nas receitas", disse á Lusa Ana Ruas, proprietária do Restaurante «Ti Zé», num bairro operário de Dortmund. Já Carlos Vasconcelos, dono do Restaurante Porto, numa zona turística de Hamburgo, a que até já chamam Portugiesenviertel (Bairro dos Portugueses), por causa dos numerosos restaurantes lusos, não tem razões de queixa da crise.
"Tivemos uma ligeira quebra em Janeiro e Fevereiro, os meses mais frios, mas isso é normal, acontece todos os anos, e agora até estamos a ter mais gente do que é habitual, provavelmente porque muitos alemães decidiram fazer férias no próprio país, e abdicar de viagens ao estrangeiro", observou.

Mundo Português, aqui, acedido a 07 de Julho de 2009

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