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Povos em movimento: migração, exílio e diáspora III
No encerramento do Ciclo dedicado às migrações, a Cinemateca Portuguesa dedica o mês de maio à diáspora portuguesa com um conjunto de sessões focados nesta temática, e a presença de alguns realizadores que abordam e vivenciaram esta mesma realidade. O Ciclo terminará com um debate em torno dos temas abordados no Ciclo, com a presença de José Vieira, José Alexandre Cardoso Marques, Philippe Costantini e Octávio Espírito Santo. +

Como conclusão deste vasto Ciclo, que totalizou 65 programas diferentes e cujas duas primeiras partes foram exibidas em março e abril, apresentamos em maio um núcleo de filmes inteiramente consagrado à emigração portuguesa, e, dentro desta, muito especialmente à emigração para França nos anos sessenta e setenta. A escolha deve-se ao facto de, dentro desse tema mais geral, este ter sido de longe o fenómeno histórico que, pelo seu dramatismo único, se tornou objeto de maior investimento cinematográfico. Como é bem conhecido, contrariamente ao que se passara antes, quando a emigração era controlada pelo regime e era necessário passaporte e autorização de viagem para ir para o Brasil, as colónias, a Venezuela, a África do Sul ou os Estados Unidos, esta imensa leva de emigração para a Europa foi feita “a monte”, de modo clandestino, enquanto o regime fechava os olhos, ciente de que o êxodo também aliviava a miséria e garantia remessas não negligenciáveis para a economia interna. Centenas de milhares de pessoas partiram assim da maneira mais precária, de início para França e, depois, espalhando-se por diversos outros países. Nos anos oitenta, estimava-se que a população lusa em França ascendia a cerca de um milhão de pessoas, o equivalente a 10% da população de Portugal. Depois dos duríssimos “anos de lama”, em que populações sobretudo rurais viveram em bairros de lata, as décadas seguintes foram de integração progressiva, criando, também aí, uma relação particularíssima com os países de destino e com Portugal. Diferentemente dos que tinham emigrado para outros continentes e que, na sua imensa maioria, nunca aqui regressavam, aqueles que emigraram para a Europa passaram a vir regularmente de férias às suas terras e jamais cortaram por inteiro os laços com o país de origem. Se um fenómeno como a vastíssima emigração portuguesa para o Brasil no século XX não deixou traços cinematográficos, no caso da emigração para a França há então abundante material filmado, inclusive por imigrantes da primeira ou segunda geração. Neste subciclo, em que optámos por incluir apenas duas obras de ficção (O SALTO e GANHAR A VIDA), serão abordadas diferentes etapas e facetas do fenómeno: os “anos de lama”; a assimilação no país de adoção; as vindas regulares e temporárias a Portugal; a realização do sonho de ter uma casa na terra onde nasceram; o desencanto daqueles que regressam definitivamente e não conseguem reintegrar-se. A seleção de títulos não pretende ser exaustiva e tem de resto uma lacuna importante, involuntária, que não podemos deixar de referir: um dos títulos que consideramos incontornável, e que, aliás, a Cinemateca pôde apresentar no passado – NACIONALIDADE PORTUGUÊS, realizado em 1973 por Fernando Lopes e Nuno de Bragança junto das comunidades portuguesas em França – é hoje um título de que não conseguimos localizar qualquer cópia…e para o qual queremos justamente lançar um alerta sobre o perigo da sua sobrevivência. O próprio O SALTO, de Christian de Chalonge, é uma obra de que não são conhecidas cópias no formato original, e que – até que se possa concluir um restauro que, este, parece finalmente viável mercê da colaboração de várias entidades – apenas entra no Ciclo pela preciosa colaboração que nos foi prestada pelo Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe. Quase todos os filmes programados são inéditos na Cinemateca, e chamamos a atenção para o debate final, em que, entre outros, estarão presentes vários realizadores que não só abordaram como viveram eles próprios esta realidade.

Mais informações sobre o Ciclo aqui

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