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Faltam agentes pastorais nas comunidades emigrantes
2009-02-26
Crescimento das comunidades e alteração do emigrante português lança novos desafios à mobilidade humana

Existe um grande déficit de sacerdotes nas comunidades portuguesas emigrantes. Frei Francisco Sales, Director da Obra Católica Portuguesa das Migrações, lamenta a falta de meios humanos para trabalhar numa realidade que cresce.

O sacerdote responsável pela OCPM esteve recentemente na Suíça, junto das comunidades portuguesas e nota, à Agência ECCLESIA, um grande crescimento das comunidades portuguesas. "Muitas famílias novas, que chegam com crianças a meio do processo de catequese, mais pessoas a pedir apoio nas missões, o que mostra que a crise chegou também a estas realidades".

O trabalho pastoral é "muito amplo e intenso", explica, o que os leva a recorrer a sacerdotes do Brasil e de África.

O Frei Sales aponta a falta de sensibilidade dos bispos portugueses que "naturalmente se compreende, pois com a falta de vocações, muitos sacerdotes em Portugal têm várias paróquias sob sua responsabilidade. E não há padres a sobrar para ir para fora". No entanto, frisa que apesar da carência em Portugal, "é uma responsabilidade da Igreja portuguesa dar uma resposta aos que estão fora".

Trabalho com os emigrantes

O trabalho dos agentes pastorais nas comunidades de emigrantes são essencialmente religiosas. Mas as missões são também pólos de cultura "em parceria com as associações de imigrantes". Esta é uma forma de os portugueses se manterem ligados à sua cultura natal. Mas os pedidos de apoio estendem-se às questões de legalização, apoio social, questões laborais e também apoio material.

Não existem dados sobre quantos portugueses estão emigrados. A não obrigatoriedade de inscrição nos consulados e a cidadania europeia são factores que tornam difícil o cálculo.

O Director da OCPM afirma, no entanto que "a percentagem de imigrantes que entram em Portugal é menor do que o número de portugueses a sair", uma realidade esquecida. "Estão a sair altos quadros para o estrangeiro e não são aproveitados em Portugal", lamenta o sacerdote. Os altos quadros no estrangeiro mudam a identidade do emigrante português. "Mais novos e licenciados que não conseguiram trabalho em Portugal".

Face a uma realidade mutante e confrontados com a falta de sacerdores, os agentes pastorais que se encontram no terreno são obrigados a responder a uma imigração diferente do passado. "Adaptar estruturas pastorais para dar uma resposta incarnada na realidade. Se antes as famílias partiam separadas, sendo o pai o primeiro a tentar a vida no estrangeiro, hoje vão muitas mulheres sozinhas e muitos jovens".

Em Inglaterra, por exemplo, "estamos muito centrados em Londres e necessitamos de alargar a nossa acção, pois com meio milhão de portugueses presentes no Reino Unido, muitos não têm apoio". E Frei Sales centra o problema nos imigrantes que contactam as missões, pois "há muitos que não estão em contacto com a pastoral cristã".

"Necessitamos de criar novos meios para nos desdobrar em mais serviços do que a capacidade permite".

Formação catequética

O encontro dos coordenadores das Comunidades de Língua Portuguesa da Europa debruçou-se sobre a catequese e a «Caminhada de fé no contexto das comunidades de Língua Portuguesa».

Esteve em análise um projecto para a catequese, mas, Frei Sales explica, "os países são muito diferentes com realidades muito diversas". Com vista a perceber de que forma se pode encontrar um resposta comum, Lisboa vai acolher um workshop com representantes das várias comunidades portuguesas no estrangeiro para discutir esta questão. No entanto, os responsáveis "já perceberam que não é viável um guião comum que responda às necessidades de todos os países".

Um das soluções a desenvolver poderá passar pela edição bilingue dos novos manuais de catequese, "que são simples, que apelam ao visual e menos às palavras". Esta seria também uma forma de "as crianças se manterem ligadas à língua portuguesa".

Agência Ecclesia, aqui, acedido a 27 de Fevereiro de 2009

 

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