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Membros do colégio eleitoral explicam porque não nomearam Chui Sai On
2009-06-29

Há os que garantem apoiar Chui Sai On , os que dizem que estiveram fora de Macau quando o ex-secretário andou a recolher assinaturas para o boletim de propositura e os que estão contra o sistema de eleição para o Chefe do Executivo. No (limitado) grupo dos catorze membros do colégio eleitoral que não nomearam o antigo governante como candidato a sucessor de Edmund Ho poderá haver várias tendências de voto - há quem admita vir a votar em branco por não ter tido direito a escolher.
O sector industrial, comercial e financeiro foi o campeão (à escala dos catorze que sobraram dos esmagadores 286 membros do colégio que nomearam Chui Sai On) das assinaturas ausentes: foram seis os empresários que não deram o nome, entre os quais se destaca Tam Pak Yip, um dos vice-presidentes da Associação Industrial de Macau, e Ho Pui Fan, da Associação Comercial de Macau. Segue-se o subsector profissional com quatro omissões (Wong Cheong Nam, Lam In Nie, Kuan Su Kun e Chang Chin Man), mas os nomes mais sonantes surgem no campo político - Stanley Au, representante de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e proprietário do Banco Delta Ásia, e o deputado Pereira Coutinho não subscreveram a candidatura de Chui Sai On.
Apesar de ex-secretário ter recolhido a grande maioria dos apoios dos 25 representantes da comunidade portuguesa no colégio eleitoral, também Rita Santos, coordenadora do gabinete de apoio do Secretariado Permanente para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que entrou no comité pelo subsector do trabalho, não assinou a propositura. Porém, a número dois na lista de Coutinho à Assembleia Legislativa, avançou ao jornal Va Kio que apoiava o único candidato a Chefe do Executivo.
A mesma garantia é dada pela empresária Ho Pui Fan que disse estar, "por coincidência", fora de Macau quando o ex-secretário andou a recolher assinaturas. A representante da Associação Comercial deixa apenas dos pedidos ao próximo Chefe do Executivo: defender o interesse público e dar legitimidade governativa à futura Administração. Também Tam Pak Yip se justifica com a ausência do território mas escusa-se a indicar se apoia ou não Chui. "O voto é secreto e este é um princípio que deve prevalecer no nosso sistema", adianta o secretário geral da Caritas.

Os do contra

Paul Pun não subscreveu o pedido do ex-secretário por uma questão de filosofia política: "Soube que Chui Sai On já tinha mais do que cinquenta assinaturas. Queria que houvesse mais candidatos. Ninguém consegue perceber o que aconteceu", observa. O responsável quer manter-se uma figura "neutra" durante o processo eleitoral mas aponta o dedo ao sistema. "Eu sou um dos 300. Porque é que a população não me pôde escolher? Porque é que não pode ser ‘um homem, um voto'?! Porque é que só há um candidato? Não posso mudar as coisas mas pelo menos, assim, digo o que penso", frisa. A corrida solitária do ex-secretário, continua, definha o reconhecimento político. "As pessoas deviam gostar de ser desafiadas", avança. "Um candidato deve obter mais projecção à medida que ganha a batalha eleitoral: é durante a campanha que os candidatos explicam ao que vão, debatem as questões sociais, e os eleitores podem fazer uma escolha", acrescenta Wong Cheong Nam.
O ex-funcionário público também não concorda com o método de nomeação do Chefe do Executivo e defende que devia haver limites: cem assinaturas no máximo por cada candidato. "O actual sistema, em teoria, abre espaço a mais opções mas Macau é mais retrógrado do que a China e prefere ter o mesmo número de candidatos para os lugares disponíveis", contrapõe. E para Wong Cheong Nam o ex-secretário não será a melhor opção, apesar de ser a única: "Estou preocupado. Não sei como vai separar o cargo de Chefe do Executivo dos negócios da família, embora ninguém escolha onde nasce. Quero que faça mais pela construção de uma sociedade íntegra e que evite o conflito de interesses. Mas parece que não tenho nenhuma forma de expressar as minhas dúvidas". Os pesos estão na balança e Wong já terá feito uma escolha. "Estou a planear votar em branco", avança.

Hoje Macau, aqui, acedido ema 02 de Julho de 2009.

 

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