FR
Início / Recursos / Recortes de imprensa / 2016
Final da Eurocopa é o jogo da vida do emigrante português na França
2016-07-10
No mês passado, dias antes da estreia de Portugal na Eurocopa, o recém-eleito Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo Primeiro Ministro António Costa, visitou Champigny-Sur-Marne, uma cidadezinha da periferia de Paris. Por lá, nos anos 1950, uma favela agrupava os portugueses escapados da pobreza e da ditadura salazarista.

O episódio joga luz sobre um aspecto menos conhecido da história colonial portuguesa. No século 19, Portugal especializou-se em “criar gado humano”, “a principalíssima indústria portuguesa de exportação” segundo o historiador Oliveira Martins (1845-1894).

Hoje, o quadro mudou bastante e o imigrante português deixou de morar em favelas para fazer parte da classe média europeia, mas a emigração continua sendo um barômetro do bem estar nacional: no auge da crise financeira, em 2011, o governo do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho conclamou os portugueses a emigrar, para mitigar o desemprego e gerar renda com as remessas para suas famílias.

Dos cerca de 30 milhões de portugueses espalhados pelo mundo (perto de um terço reside no Brasil), o contigente da França é o que mais alimenta o imaginário português.

A vida dos “emigras” na França é contada no filme “A Gaiola Dourada” de Ruben Alves (2013), espécie de versão portuguesa do “A Que Horas Ela Volta” de Ana Muylaert (2015): uma comédia subversiva que aborda um tema sensível e fundamental para a compreensão da identidade nacional.

Pacatos, brancos e católicos, os emigras portugueses estão perfeitamente integrados na paisagem francesa: cada bairro tem o seu boteco português, onde fazem pausa aqueles que tocam o dia a dia da cidade: porteiros, faxineiros, encanadores. Religiosamente, eles se reúnem aos domingos em certos cafés e centros comunitários para assistir os clássicos entre Porto, Benfica e Sporting de Lisboa.

Esses lugares estarão especialmente lotados neste domingo. Uma final França-Portugal é o jogo da vida de um emigra, ainda mais quando cinco dos titulares prováveis são portugueses nascidos na França ou franceses de origem portuguesa.

 

Ler artigo completo no Conexão Penedo, aqui.

Observatório da Emigração Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
Instituto Universitário de Lisboa

Av. das Forças Armadas,
1649-026 Lisboa, Portugal

T. (+351) 210 464 018

F. (+351) 217 940 074

observatorioemigracao@iscte.pt

Parceiros Apoios