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"O futebol ajudou a integrar os emigrantes portugueses"
2016-07-08
Há 203 clubes em França com ligação às comunidades portuguesas e as vitórias da selecção ou do Benfica são festejadas nos Campos Elísios sem problemas, conta à SÁBADO o historiador Victor Pereira

O futebol é das poucas áreas onde os portugueses fazem frente aos franceses, daí haver tantos clubes com ligações a Portugal em França, explica o historiador Victor Pereira, de 36 anos. O lusodescendente, professor na universidade de Pau e que já publicou vários livros e também artigos em jornais e revistas [como Le Point ou Le Monde Diplomatique] relacionados com a emigração e o futebol, considera que um Portugal-França causa sempre alguma divisão.


O futebol ajudou a integrar os emigrantes portugueses em França?

Eles começaram a chegar a França no início da década de 60, clandestinos. Trabalhavam nas obras, em trabalhos duros, e muitos foram viver para bairros de lata. A ideia que se tinha é que eles saíam de um país pobre, em guerra com as suas colónias. Havia uma imagem negativa. E uma das raras coisas em que Portugal tinha boa imagem era no futebol. Porque em 1961 e 1962 o Benfica ganhou a Taça dos Campeões Europeus e em 1966 houve o Mundial de Inglaterra – e, pelo contrário, a selecção francesa era muito má e os clubes, tirando o Reims e o Saint-Étienne, também. Então, os portugueses usam o futebol como "mercadoria cultural": começam a ser criadas associações portuguesas por toda a França, com equipas de futebol, sendo o mais conhecido o Lusitanos de Saint-Maur (1966), em Paris. 

Porque é que se dedicaram tanto ao futebol?

Eles vinham de Trás-os-Montes, do Minho, de zonas rurais onde não havia estádios nem se viam jogos -  apenas ouviam os relatos na rádio. Em França, longe das famílias, desenraizados, o futebol ajuda-os na integração e na adaptação a um meio urbano. Os jogos também permitiam reequilibrar ou até transformar as relações sociais, porque os portugueses estavam em baixo na hierarquia, mas num jogo de futebol podiam jogar de igual para igual e até ganhar aos franceses.

 

Ler artigo completo na Sábado, aqui.

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