FR
Início / Recursos / Recortes de imprensa / 2016
À grande e à portuguesa
2016-06-14
Só um controlo já intrincado de uma vida contida e caseira permite a muitos emigrantes aguentar a pressão de um mercado de trabalho cada vez mais espremido.

“Ninguém vê a miséria. Há trabalho, mas ninguém vê a miséria que há em França”. É o testemunho de quem já leva décadas de distância, de quem trocou francos e faz contas aos euros. De quem aprendeu a viver “à pequena e à francesa”.

Só um controlo já intrincado de uma vida contida e caseira permite a muitos emigrantes aguentar a pressão de um mercado de trabalho cada vez mais espremido.

As reclamações encontram par nas que ouvimos diariamente em Portugal. “Quem recebe cinco mil deixa ficar dois mil e quinhentos”. E depois há o resto. Um nível de vida que remete para uma hibernação social.

Falta escape. É um beco a que a esmagadora maioria se resigna. Uma maioria que não tem tempo para saudade, para projectar o regresso. Uma maioria instalada, silenciosa, que concorda mas não manifesta. Uma maioria que sobrevive.

É essa maioria que desperta a cada sinal de portugalidade. É como uma reacção pavloviana. Uma matrícula, uma bandeira, um emblema, o hino, um rancho folclórico, a selecção portuguesa. Estímulos que, no entanto, não funcionam como recompensa.

O investimento emocional, apesar de simbiótico, porque há prazer na oferta, no apoio, na disponibilidade, não é sufiente.

A vitória no Campeonato da Europa, em França, é a contrapartida. Aí, nem que por um efémero momento, daria para viver “à grande e à portuguesa”.

 

Ler artigo completo na Renascença, aqui.

Observatório da Emigração Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
Instituto Universitário de Lisboa

Av. das Forças Armadas,
1649-026 Lisboa, Portugal

T. (+351) 210 464 018

F. (+351) 217 940 074

observatorioemigracao@iscte.pt

Parceiros Apoios