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Autarcas de origem portuguesa reunidos em Paris
2008-11-27
Na presença do Secretário de Estado António Braga

O V Encontro dos Portugueses e Luso-descendentes eleitos nas Autarquias francesas teve lugar no dia 22 de Novembro no Collège Fénelon Sainte Marie em Paris.O acontecimento reuniu a presença de várias personalidades políticas de Portugal e França, nomeadamente o Embaixador António Monteiro e o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga e cerca de 300 autarcas eleitos nas últimas eleições municipais francesas.

Durante a cerimónia de abertura António Monteiro, o principal impulsionador do evento, reforçou que existe uma forte rede de solidariedade e proximidade entre a Comunidade portuguesa e os novos autarcas de origem portuguesa.

Esta foi a última vez que António Monteiro preside a estes encontros já que vai deixar as funções em Paris, no início do próximo ano. Por isso, as palavras de abertura foram recebidas com um forte aplauso por todos os participantes. A intervenção do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas vem reforçar o enorme contributo que o  Embaixador tem prestado à Comunidade portuguesa recordando que este V Encontro dos Portugueses e Luso-descendentes representa uma "herança que o Embaixador irá deixar". Depois acrescentou que "o país não pode deixar de continuar a contar com a colaboração do Embaixador António Monteiro".

Visivelmente emocionado com as palavras de apreço que foram ditas a seu sujeito, o Embaixador de Portugal disse ao LusoJornal que "sempre foi minha intenção não apenas tratar das questões bilaterais entre Portugal e a França, mas também a relação com a forte Comunidade portuguesa existente neste país".

A maioria (58%) dos luso-eleitos nasceram em França enquanto que 41% nasceram em território luso. Mas os dados estatísticos revelam a pouca importância do número de portugueses inscritos nas autarquias francesas, em 2008 estavam inscritos 144.717 europeus nos municípios franceses sendo os portugueses mais de metade. Mas mesmo assim eram apenas 81.682 cidadãos, enquanto que em França existem mais de 500.000 cidadãos de nacionalidade

portuguesa.

O Embaixador de Portugal salientou para o facto de cerca de 43% dos Portugueses de França residirem na região parisiense,enquanto que apenas 14,3% do total dos portugueses e luso-descendentes eleitos está nesta região."Temos ainda muito a trabalhar na região Ile-de-France" diz António Monteiro.

Pela primeira vez em 2008 foi possível recensear exactamente o número dos candidatos portugueses e eleitos no território francês, incluindo nas comunas com menos de 3.500 habitantes. O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas considera que a França é um país que tem o seu poder descentralizado ao seu nível local,o que ajuda

naturalmente à internacionalização portuguesa."A Europa tem acrescentado condições para o direito da cidadania. Esperemos que o Tratado de Lisboa se venha a concretizar" acentuando que a França tem um enorme património de emigrantes.

A subida na pirâmide social referente aos percursos e categorias sócioprofissionais, a presença de médicos, de juristas, de professores e de profissões liberais vem confirmar o sucesso da integração dos portugueses e dos seus descendentes em França: 40 Maires e 180 Adjuntos do Maire.

Durante o encontro houve intervenções do Assessor do Secretário de Estado francês dos assuntos europeus, do economista Christian de Boissieu, Conselheiro de François Fillon, que abordou evidentemente a actual crise económica e de Carlos Vinhas Pereira, Presidente da Câmara de comércio e indústria francoportuguesa. O também professor de economia conta com o apoio dos lusos-eleitos para trabalharem de uma maneira mais regular "o nosso

objectivo é uma missão pública para com os empresários portugueses em França. Vocês têm informações

sobre concursos públicos e podem fazer chegar essas informações à CCIFP, para ajudar as empresas de portugueses de França" afirma.

A este propósito, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas diz que existe uma necessidade patente de interagir entre a Câmara de comércio e os autarcas de forma a criar uma relação mais próxima "oportunidades ao negócio, não apenas às empresas portuguesas mas, sobretudo, responder melhor aos projectos das diferentes Maries

recorrendo ao saber fazer e à capacidade instalada na própria Câmara e desse modo interagir nas duas associações".

Também houve intervenções de Teresa Moura, Directora da AICEP e Conselheira económica da Embaixada,

Fátima Ramos, Directora do Instituto Camões e Conselheira Cultural da Embaixada de Portugal e Gertrudes Amaro, Coordenadorageral do Ensino do Português, que esclareceu que "há uma aposta muito forte do Governo português

mas tem que haver resposta. Por exemplo na Secção internacional do Liceu Balzac, em Paris, ainda há lugares

vagos".

Face a esta problemática da oferta do ensino português nas escolas francesas, o Secretário de Estado clarifica

que a língua portuguesa não deve ser abandonada durante o percurso escolar. "Se queremos ter o português como instrumento útil temos que o dominar na vertente dos negócios, na vertente da cultura, em diversas vertentes para podermos com isso utilizá-lo como enriquecimento cultural".

A organização do V Encontro superou as expectativas de António Braga que ao longo de todo o programa procurou contribuir com algumas das suas reflexões. "A demonstração de vitalidade que é feita pela vossa equipa aqui dá-nos a garantia que manteremos empenhadamente este relacionamento com a criação das redes de comunicação". Relembra que a vantajosa colaboração da Câmara do Comércio e a capacidade de mobilização para outros patamares de integração "como é o caso do sistema educativo torna-se importante para se manter essa ligação à língua e à cultura"mencionando que a comunidade portuguesa "caminha num sentido favorável de afirmar os projectos da cidadania europeia".

Fazendo um breve balanço entre cultura e economia, o Secretário de Estado assume que a "cultura é cada vez mais economia e a economia tem muito a ver com a cultura". Por outro lado, comenta que "afirmação desses dois valores é decisiva sobretudo no momento em que pela via da cultura nós temos vantagens em

desenvolver a vertente que vai dar sempre à economia". De uma maneira geral os autarcas gostaram do encontro,apenas tendo referido ao LusoJornal que gostariam de ter tido mais oportunidade para falar e colocar questões.

Sandrina Costa

e Carlos Pereira

Lusojornal, aqui.

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