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Quase 3.500 autarcas luso-descendentes em França
2009-05-15
Embaixada criou um banco de dados

A Embaixada de Portugal em França identificou 3.474 autarcas de origem portuguesa eleitos nas últimas eleições francesas. Há muito tempo que a Embaixada estava a preparar-se para anunciar estes resultados,"mas este número é tão impressionante que não tem parado de crescer" disse ao Luso-Jornal o Embaixador António Monteiro.

Á semelhança do que tinha sido feito nas anteriores autárquicas, está em construção na Embaixada

um Banco de dados que reunirá os autarcas portugueses e luso-descendentes, eleitos em 2008.

No dia 22 de Novembro, António Monteiro vai organizar a 5ª edição do Encontro de Luso-eleitos que desta vez terá lugar no anfiteatro da Escola Fenelon, em Paris 8. Numa primeira fase, a Embaixada identificou 3.646 autarcas e o Embaixador enviou uma carta personalizada a cada um deles, convidando-os a integrar o Banco de dados da embaixada e a criarem uma rede nacional de luso-eleitos.

"Afinal 173 não eram portugueses e alguns até me enviaram uma carta simpática dizendo que tinham origens espanholas ou italianas e lamentando que a Embaixada do seu país não tenha efectuado semelhante deligência" diz com um sorriso António Monteiro. Nas eleições de 2001, a Embaixada tinha identificado 324 autarcas

com ascendência portuguesa."Provavelmente até haveria mais. Nessa altura não nos foi possível aprofundar

a pesquisa" diz António Monteiro." Desta vez fomos mais longe e o mérito deste trabalho é dos serviços

sociais desta Embaixada, até porque tem poucos recursos humanos".

Mas António Monteiro também considera que houve uma implicação "espectacular" dos portugueses na vida cívica."Se temos todos estes eleitos, imagine quantos candidatos havia e que não conseguiram ser eleitos", questiona-se o Embaixador de Portugal."Este é o resultado de toda uma movimentação e apelos à participação cívica.

Efectivamente esses apelos parece estarem a dar resultados". Pela primeira vez a Embaixada procurou também autarcas de origem portuguesa nas localidades com menos de 3.500 habitantes. "Foi um trabalho gigantesco e é por

isso que tem demorado tanto tempo" diz António Monteiro.

Dois dos autarcas contactados, apesar de serem de origem portuguesa, rejeitaram a proposta do Embaixador em aderir a uma rede nacional de Luso-eleitos."Mas a esmagadora maioria está muito interessada e afirma-se como sendo

efectivamente de origem portuguesa".

Nas cartas que a Embaixada tem recebido, há desabafos, "evidentemente, até por se terem sentido tanto tempo abandonados e sozinhos", mas também há propostas e sugestões. "Alguns até propõem coisas que já existem, mas o simples facto de terem feito a sugestão, já mostra empenho e isso é muito bom" afirma o Embaixador.

"Também há aqueles que aproveitam para expôr o seu caso pessoal e tentam obter a nacionalidade

portuguesa que ainda não têm".

Numa entrevista exclusiva ao LusoJornal, António Monteiro explicou que a Embaixada fez um inquérito

aos autarcas de origem portuguesa e já recebeu 1.229 fichas. "Esta é uma boa amostra e que nos permite ter agora um conhecimento dos autarcas eleitos em 2008".

Sem querer caracterizar aqueles que tinham sido eleitos em 2001 e os que foram eleitos em 2008, António

Monteiro acha que em 2001 as listas foram buscar o ‘símbolo', mas desta vez os maires foram certamente

buscar "os candidatos que lhe dessem valor acrescentado".

O Embaixador de Portugal em França acha que " a Comunidade está a mexer, por ela própria, pela sua ascenção pessoal e pelo número de activistas que tem a militar nas associações e nas autarquias".

António Monteiro considera que "para a maioria nem é a questão partidária que os move, mas sim o facto de sentirem que podem ser úteis à Comunidade" disse ao LusoJornal.

Antes de deixar a França, em Janeiro do próximo ano, António Monteiro quis deixar esta rede de autarcas. "Esta rede é a base. Mas quero dizer-lhes que não é apenas nestes eventos que deve haver acção. É nos intervalos que esta

rede se vai afirmando através da concretização de projectos".

Resta acrescentar que, no entanto, ainda só há (segundo dados de 28 de Fevereiro de 2008) 81.682 portugueses

inscritos nos cadernos eleitorais complementares. É muito pouco,mas mesmo assim já houve uma progressão anual de 26,6% em relação a Fevereiro de 2007, quando se contabilizavam 64.536 inscritos.

■ Carlos Pereira

Luso Jornal, aqui.

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