FR
Início / Recursos / Recortes de imprensa / 2016
Os portugueses levaram a festa para a Califórnia
2016-04-10
Dispersa por um estado cinco vezes maior do que Portugal, a comunidade portuguesa da Califórnia é a única com congressistas federais. Integrada, fluente em inglês, reinventa-se na relação com as raízes e aprende português ao lado de americanos.

Depois de quilómetros a serpentear a terra, a água ganha terreno até que lá em baixo tudo é de um cinzento azulado. Chove quando o avião sobrevoa a baía de San Francisco e o céu se cola à linha do horizonte, no que parece ser um contorno montanhoso. "Nunca se sabe se são as montanhas, nuvens de tempestade ou o famoso fog de San Francisco", diz uma passageira que dormiu durante as quase seis horas de voo a partir de Nova Iorque. Ela refere-se ao fenómeno atmosférico causado pelo mar, as montanhas, a humidade e a poluição que o torna único naquele lugar e que tem alimentado a imaginação de poetas, realizadores de cinema, fotógrafos. Olha pela janela do avião e dali, agora, já junto à costa, há o mar e o mar de nuvens. Pede desculpa pela chuva, logo depois sorri: "É uma pena, mas esta chuva é abençoada." E lá em baixo o cinzento azulado é agora uma enorme massa de água cortada pelo tabuleiro de uma ponte que, dali, não tem fim nem princípio.

Estamos entre o oceano Pacífico e as montanhas, no centro de um estado com 37 milhões de habitantes, a nona economia mundial, que os Estados Unidos anexaram em 1848 depois de uma guerra com o México. As marcas da herança mexicana continuam por todo o lado. Na toponímia, na arquitectura, na gastronomia, na língua que se ouve falar nas ruas quase tanto como o inglês. E, claro, na presença de mexicanos. É dali para sul, a partir de Sacramento, não muito longe de Silicon Valley, e descendo pelo interior, que está o vale de San Joaquin.

As grandes cidades - San Francisco, Los Angeles, San Diego - estão junto à costa, cosmopolitas. Ali, a paisagem é tipicamente rural. Ao longo dos sete condados desse território, vive a maior comunidade de luso-descendentes na Califórnia. Não estão confinados a um sítio, mas dispersos, integrados, falantes de inglês. Mas entre muitas características que os identificam, distinguem-se, por exemplo, pelo modo como dizem e aplicam na sua vida a palavra "festa".

Pronuncie-se essa palavra com o "s" bem carregado, quase como um xis. Assim dita, ela parece ganhar outro significado. Não o contrário do original, mas mais lato. Festa, com o "s" carregado e um ligeiro sotaque, é sinónimo de grande celebração. Popular, religiosa, familiar, gastronómica. Pode ser uma matança de porco, um baile, uma procissão, um jantar, um sítio onde se vai bem vestido beber uns copos. Ou pode ser tudo isso junto. Mas "festa" dita dessa maneira também podem ser só umas gargalhadas ou uma brincadeira, uma folga à rotina.

 

Ler reportagem completa no Público, aqui

Observatório da Emigração Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
Instituto Universitário de Lisboa

Av. das Forças Armadas,
1649-026 Lisboa, Portugal

T. (+351) 210 464 018

F. (+351) 217 940 074

observatorioemigracao@iscte.pt

Parceiros Apoios