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Ensino de Português e rede consular preocupam emigrantes
2009-03-02

Problemas do ensino do português aos luso-descendentes e de funcionamento dos consulados são, segundo conselheiros das comunidades ouvidos pela Lusa, as principais preocupações dos emigrantes na Alemanha, com quem o Presidente da República se vai encontrar durante a visita àquele país.


"Precisamos de saber como é que o Governo vai resolver a questão da falta de pessoal consular em várias regiões", disse à Lusa Alfredo Stoffel, um dos quatro conselheiros eleitos para representar a comunidade portuguesa na Alemanha.

Frankfurt é o caso mais grave, na opinião deste membro do CCP, considerando que esta área, uma das três com mais concentração de portugueses, ter visto o consulado-geral passar a escritório consular, o que levou a uma "redução de pessoal".

Segundo Alfredo Stoffel, continua igualmente por definir o estatuto da estrutura consular de Osnabruck, na orla ocidental do país, onde estão inscritos cerca de 20 mil portugueses.

Em 2003, o Governo PSD decidiu encerrar este consulado, o que motivou protestos da comunidade portuguesa local, levando a que a estrutura tenha ficado a funcionar apenas como escritório consular.

Na reestruturação consular de 2007, o Governo PS decidiu que a estrutura continuaria a funcionar como vice-consulado.

Os vice-consulados têm as mesmas competências que os consulados, mas não têm que ser dirigidos por diplomatas.

Na sua visita de Estado à Alemanha, Aníbal Cavaco Silva tem previsto um encontro em Osnabrück com a comunidade portuguesa na Alemanha, durante uma recepção no OsnabrückHalle.

Na área do ensino de Português, que há dois anos chegou a provocar manifestações da comunidade em Estugarda e Dusseldorf, exigindo professores suficientes para dar aulas a quase oito mil alunos, a situação melhorou temporariamente, com o preenchimento de vagas.

No entanto, tende de novo a complicar-se, embora a "responsabilidade não seja apenas de Portugal, mas também da Alemanha", disse ainda o conselheiro.

Os governos estaduais das regiões alemãs que são responsáveis pela contratação de professores de Português "têm suprimido as vagas dos professores que se reformam e que não são preenchidas", explicou Stoffel.

Nas regiões em que a responsabilidade é de Portugal (porque o Governo estadual assim o decidiu), a situação é melhor, mas também não é satisfatória, segundo José Eduardo, também conselheiro eleito pela zona sul da Alemanha.

"Em Frankfurt, o coordenador regional do ensino regressou a Portugal e agora vem um coordenador de Dusseldorf uma vez por semana para contactar com os pais dos alunos, o que é manifestamente pouco", afirmou.

Outra questão levantada recentemente pelos membros do CCP em reunião com o Embaixador de Portugal em Berlim, José Caetano da Costa Pereira, foi a da precária situação de alguns pensionistas portugueses que decidiram ficar na Alemanha.

"Há situações humanas cada vez mais complicadas, pessoas idosas que vivem sozinhas, precisamos de uma rede de assistentes sociais junto dos consulados para os ajudar", afirmou Alfredo Stoffel.

A comunidade portuguesa na Alemanha é composta actualmente por cerca de 116 mil pessoas, que se concentram nas zonas de maior poder industrial: Renânia do Norte-Westfália, Baden-Wuerttenberg, Hessen, Baviera, Hamburgoe Baixa-Saxónia.

A emigração portuguesa para o maior país da União Europeia teve grande incremento em meados dos anos 1960, ao abrigo de contratos bilaterais entre Portugal e a República Federal da Alemanha para suprir a falta de mão-de-obra industrial.

Desde então, emigraram para a Alemanha cerca de 450 mil portugueses, mas, até finais de 2004, já tinham regressado 340 mil a Portugal.

Cerca de metade dos portugueses vive há mais de 20 anos na Alemanha, mas, desde meados da década de 1990, com a abertura do mercado interno europeu, o tempo de permanência de emigrantes que chegam, por exemplo, para trabalhar na construção civil, é bem mais reduzido.

Notícias Lusófonas, aqui, acedido em 02 de Março de 2009

 

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