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Sindicato diz que crise torna emigrantes portugueses “presas fáceis”
2015-03-19
O presidente do Sindicato da Construção de Portugal defendeu que a crise no sector faz dos portugueses "presas fáceis" de angariadores de mão-de-obra "que os exploram e abandonam".

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal defendeu durante uma visita ao Luxemburgo que a crise no setor faz dos portugueses "presas fáceis" de angariadores de mão-de-obra "que os exploram e abandonam".

Por causa da crise no setor, há pessoas "em situação muito vulnerável, económica e financeiramente, que são facilmente aliciadas por angariadores de mão-de-obra que lhes prometem salários de três mil euros no Luxemburgo ou de 1.500 euros em França, acabando muitos abandonados", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro.

O responsável sindical denunciou ainda casos de portugueses enganados com falsas promessas de trabalho que depois não se concretizam.

"Há angariadores que cobram 500 euros aos trabalhadores em troca de promessas de trabalho no Luxemburgo, Bélgica, Suíça ou outros países, mas quando chegam ao dia combinado [para partir], no local onde devia estar um autocarro não está lá ninguém, e os trabalhadores ficam sem o dinheiro", afirmou, acrescentando que o sindicato vai denunciar estas situações à Polícia Judiciária.

O responsável sindical está desde segunda-feira no Luxemburgo, uma visita organizada depois de o LCGB ter denunciado a 7 de março casos de exploração de portugueses recrutados por empresas de construção em Portugal para trabalhar no Grão-Ducado.

Na altura, o dirigente sindical Paul de Araújo, do LCGB, garantiu à Lusa que há casos de portugueses a trabalhar sete dias por semana e com salários muito abaixo do mínimo luxemburguês.

Em alguns casos, os trabalhadores "são abandonados no Luxemburgo, porque os salários não são pagos, e as pessoas ficam sem dinheiro nem meios financeiros para ficar ou voltar", disse o sindicalista.

Para Albano Ribeiro, Portugal "atravessa a maior crise de sempre no setor da construção", o que deixa as pessoas "vulneráveis".

"Nos últimos sete anos, o setor perdeu 300 mil trabalhadores, e só nos últimos três anos emigraram 150 mil trabalhadores do sector, a maioria para países da Europa, mas também para o Canadá, Angola e Moçambique", explicou.

O responsável sindical, que hoje visitou com delegados do LCGB o estaleiro de uma empresa luxemburguesa onde 90 por cento dos trabalhadores têm nacionalidade portuguesa, garantiu à Lusa que as situações de exploração de trabalhadores portugueses no Luxemburgo "não são caso único", denunciando situações semelhantes em França, Espanha, Suíça ou na Bélgica, país que vai visitar a partir de quarta-feira.

"As pessoas só estão nesta situação por causa da instabilidade social e económica em Portugal, ninguém emigra porque quer", defendeu o sindicalista.

O presidente do Sindicato da Construção disse ainda à Lusa que vai pedir uma audiência ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, "juntamente com as associações patronais do setor", para discutir a situação das obras públicas no país.

"Vamos colocar questões sobre a retoma do plano nacional de barragens, que poderia criar seis mil postos de trabalho, ou a reabilitação urbana, que criaria 65 mil postos de trabalho por todo o país", adiantou.

Para combater situações de exploração como as denunciadas pelo LCGB, que classificou de "escravatura contemporânea", Albano Ribeiro defendeu ainda "a intervenção da Inspeção Geral do Trabalho, em articulação com as inspeções dos países do destino", e a informação de quem pensa emigrar, junto dos sindicatos ou das delegações da Secretaria de Estado das Comunidades, que tem em curso uma campanha de informação.

Para a responsável do sindicato da construção do LCGB, Liliana Bento, não se trata de "travar a vinda de portugueses para o Luxemburgo", mas de tentar que "venham informados sobre os seus direitos".

 

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