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Di Bartolomeo diz que Luxemburgo respeita a língua portuguesa
2015-02-06
O Presidente da Câmara dos Deputados, Mars di Bartolomeo, disse esta quinta-feira em Lisboa que o Luxemburgo respeita as línguas estrangeiras, incluindo o português, considerando-as "um factor de inclusão e não de exclusão". As declarações foram feitas durante a visita à Assembleia da República, em que foi abordado o caso da proibição da língua portuguesa em algumas creches do Luxemburgo.

Para Mars di Bartolomeo, que foi recebido esta quinta-feira pela sua homóloga portuguesa, Assunção Esteves, os casos divulgados sobre a proibição do uso da língua portuguesa nas escolas "não representam, de todo, aquilo que é o Luxemburgo."

"Nós temos o mesmo amor pela nossa língua como pelas outras línguas, que amamos e respeitamos, sobretudo, e também, pela língua portuguesa. É esta a atitude generalizada do Luxemburgo", disse Di Bartolomeo.

Assunção Esteves aproveitou a ocasião para sublinhar que a língua portuguesa figura entre as línguas mais faladas no mundo.

"Dentro das línguas da União Europeia, a seguir ao Inglês e ao Espanhol, o Português é a língua mais falada no mundo. O Português é um instrumentário que beneficia não apenas os cidadãos portugueses como também os países que acolhem os cidadãos portugueses, os falantes do Português. Nesse sentido, achámos que deve ser desenvolvida uma estratégia comum em que haja uma percepção da importância de partilharmos esse instrumento", disse a presidente da Assembleia da República portuguesa. "A comunidade portuguesa é muito ligada à sua língua materna", concluiu.

"O luxemburguês é uma das línguas menos faladas, mas constitui um dos elementos que fizeram do Grã-Ducado o país que é hoje", replicou Mars Di Bartolomeo. "O Luxemburgo tem um grande apego à sua língua nacional, mas igualmente ao multilinguismo, que abre as portas ao mundo. Respeitamos todas as línguas: elas são um factor de inclusão e não de exclusão", disse ainda Di Bartolomeo.

O presidente da Câmara dos Deputados disse sentir-se "em casa" em Lisboa, "porque Portugal deu muito de si ao Luxemburgo, dado que os emigrantes portugueses no Luxemburgo representam quase 17% da população residente".

A situação social nos países da União Europeia também mereceu a atenção dos dois presidentes durante o encontro, em que estiveram representados ainda os vários grupos parlamentares.

Para Mars Di Bartolomeo, "a Europa deve redescobrir os fundamentos que estiveram na sua origem" e "reencontrar o equilíbrio entre o económico, o financeiro e o social".

"A Europa tem de voltar a mostrar a sua faceta social para que as pessoas voltem a identificar-se com um projecto de esperança, e não com um projecto que consideram como uma ameaça para a sua qualidade de vida", sublinhou Di Bartolomeo.

"Estivemos de acordo numa espécie de refundação [da União Europeia] onde o Luxemburgo também deve ser pró-activo", afirmou por seu turno Assunção Esteves. "Toda a convergência que a União Europeia estabelece, nomeadamente orçamental, deve ser acompanhada por um equilíbrio sistémico de criação de regras comuns ao nível social. A convergência orçamental só é possível se criarmos uma estrutura produtiva e de regras sociais equilibradas, de modo a que possamos garantir essa convergência", acrescentou.

Outro dos temas abordados foi a comemoração do 70° aniversário da Libertação de Auschwitz e as ameaças aos valores democráticos da Europa, com o recente ataque ao Charlie Hebdo. Os dois presidentes partilham a opinião de que é preciso defender os valores fundamentais, sem cair na armadilha da estratégia dos criminosos.

Os deputados abordaram ainda a reforma da Constituição e a questão do referendo sobre o direito de voto para os estrangeiros, agendado para 7 de Junho.

Durante a visita, em que se fez acompanhar pelo deputado cristão-social Claude Wiseler, Mars di Bartolomeo esteve ainda com o primeiro-ministro Passos Coelho e com o presidente do Partido Socialista, António Costa.

 

Ver Luxemburger Wort, aqui.

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