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Para os emigrantes, uma boa oportunidade de transferir dinheiro
2015-01-19
Valorização do franco tem um risco: impacto na economia e num mercado de trabalho com mais de 250 mil portugueses.

Para os mais de 250 mil emigrantes portugueses na Suíça, a valorização súbita do franco suíço é uma oportunidade para transferirem dinheiro para Portugal. Apesar de o franco ter disparado 16% - depois da decisão do banco central da Suíça em abandonar a taxa de câmbio mínima face ao euro - há quem acredite entre a comunidade portuguesa na Suíça que o valor da moeda ainda vai subir mais.

"As pessoas vão esperar o melhor momento para enviar o dinheiro" diz Nuno Barreto, que acredita que "o franco só vai atingir o máximo dentro de dois ou três dias". O português - que viveu cinco anos em Genebra e que em Portugal trabalha como informático para uma empresa suíça, recebendo em francos - explica que "a maior parte dos emigrantes mantém o seu salário na Suíça" e que apenas enviam para os bancos portugueses "o suficiente para pagar a renda da habitação ou ajudar algum familiar".

Só quando o franco valoriza é que os emigrantes "aproveitam para enviar mais dinheiro para Portugal", explica. "Acaba por ser um jogo de risco" , admite Nuno Barreto, para quem será este o comportamento da "maioria dos emigrantes na suíça".

Além do aumento das transferências de salários, há ainda uma outra tendência que pode vir a surgir nos próximos dias: a renegociação com os bancos da taxa de conversão fixa. Ou seja, "os trabalhadores das empresas suíças que não habitam no país deverão aproveitar para ir ao banco renegociar a taxa de conversão para euros", prevê Nuno Barreto.

A forte valorização do franco só tem vantagens para quem transferir dinheiro para fora do país - ou para quem, por exemplo, viaje para fora da Suíça e faça aí compras. Fernando Viana, que está na suíça há 24 anos, explica precisamente que apenas sente "diferença nos preços quando compra produtos fora da Suíça" - habitante em Genebra, a viagem a França é curta. . O português, que trabalha no consulado de um país europeu na cidade suíça, mantém todo o seu salário na Suíça e conta que, pelo menos à sua volta, a reacção dos suíços à valorizaçao da moeda "está normalizada".

A oportunidade que a valorização do franco oferece vem, contudo, com um risco: o impacto na economia e no mercado de trabalho. Algumas instituições, como o Credit Suisse, reviram a previsão de crescimento do país para metade este ano (0,7%). A existir ajustamento no emprego, os emigrantes estão na linha da frente. A Suíça "tem uma taxa muito elevada de emigrantes que podem ser facilmente despedidos", aponta Nuno Barreto.

A preocupação, para alguns grupos minoritários, não se esgota na segurança do emprego. Segundo o sindicato UNIA, que tem associados portugueses, há funcionários públicos portugueses (professores e funcionários consulares) em pânico com o impacto que a valorização do franco terá nos seus salários. A responsável sindical Marília Mendes, citada pela Lusa, sublinha que os funcionários públicos portugueses recebem o salário em euros e que a taxa cambial irá provocar uma quebra de 20%, passando estas pessoas a receber dois mil francos suíços por mês. O ordenado mínimo na Suíça são quatro mil francos suíços.

 

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