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Portugal já depende pouco das remessas dos emigrantes
2015-01-07
Residentes no estrangeiro enviaram quase três mil milhões de euros em 2013, de acordo com o Banco de Portugal. Mais de metade desse dinheiro veio da França (30%) e da Suíça (25%). Na lista, segue-se Angola.

A conclusão foi tirada pelo Observatório da Emigração: apesar de Portugal ser um dos principais exportadores de pessoas, a dependência económica da emigração é "relativamente baixa".

Os residentes no estrangeiro enviaram quase três mil milhões de euros em 2013, de acordo com o Banco de Portugal. Mais de metade desse dinheiro veio da França (30%) e da Suíça (25%). Na lista, segue-se Angola (10%), que passou de país de imigrantes a país de emigrantes, e a Alemanha, a Espanha e o Reino Unido, que com a Suíça compõem o actual quadro de principais destinos.

Foi um ano de grande movimento de saídas do território nacional. O INE, cujas estimativas têm por base o inquérito permanente ao emprego, estima que 128.108 portugueses tenham partido. Um ano antes, teriam sido 121.418 mil. Dois anos antes, 100 mil. Já o Observatório da Emigração, que tem por base os registos de entrada dos portugueses nos países de destino, estima terem sido 110 mil os emigrados - bem mais do que os 95 mil de 2012 e os 80 mil de 2011.

O sociólogo Rui Pena Pires, do Observatório da Emigração, tem reiterado que a crise acentuou o carácter europeu de um fluxo que parece imparável. Em 2013, 80 a 85% escolheram a Europa. Para Angola e Moçambique estima-se que tenham ido 10 a 12%. Apenas 1% terá optado pelo Brasil.

A relação entre o fluxo migratório e as remessas não é directa, salienta Rui Pena Pires. O envio de dinheiro explica-se por factores diversos, incluindo a data da partida (quem foi há menos tempo tem maior tendência a fazê-lo, até pelos eventuais compromissos) e as flutuações cambiais.

O estudo, esta terça-feira divulgado, mostra que as remessas iam em crescendo aquando da entrada de Portugal no euro, em 2002. Desceram nos primeiros dois anos, mas por força da mudança nos critérios de registo de transferências financeiras dentro da zona euro. Estabilizaram, depois. E subiram muito em 2012 e 2013.

"Desde 1996 que as remessas tem um peso económico sempre decrescente quando medidas em percentagem do PIB", escrevem os autores do estudo, Rui Pena Pires e Inês Vidigal. Aproximam-se agora dos 2%. O país está, porém, "ainda longe dos valores observados no início do século (perto de 3%) e ainda mais do pico da série pós-25 de Abril de 1974 (quase 10% em 1979".

O peso é maior quando medido em percentagem de investimento directo estrangeiro. Mas mesmo aí os investigadores apontam um decréscimo entre 1996 e 2013. As remessas correspondiam em 2002 a 13% do investimento directo estrangeiro. Em 2011, atingiram o valor mais baixo do período em análise (5,6%). Recuperaram, depois. Em 2013, chegaram aos 10% - o dobro do que era quando a "troika" aterrou em Portugal, mas muito menos do que em 1996 (59%).

Recorrendo aos dados do Banco Mundial, notam que Portuga ocupava em 2012 o 29º lugar na lista de países que mais remessas recebiam. Pelos valores absolutos, na Europa havia oito países que se destacavam: França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Urânia, Itália, Polónia e Rússia. Só que todos eles, menos a Bélgica, têm mais pessoas do que Portugal. Pelos valores relativos, era Portugal e a Bélgica que recebiam mais.

Isolando os 30 países com maior volume de remessas, os investigadores concluem que em Portugal e na Bélgica era maior o peso de tais transferências na economia. Medindo as remessas em percentagem do PIB, Portugal passava de 29º para 17º lugar. Ainda assim, "situava-se num patamar comum ao das economias mais desenvolvidas ou de maior porte": 2% (o indicador oscila entre 1% nos EUA e 25% no Nepal).

Apesar de continuar a ser um dos principais exportadores de pessoas, Portugal "apresenta já um grau de dependência económica da emigração relativamente baixo". E isso, diz Pena Pires, explica-se pelo modo como a sua "economia, apesar de tudo, se desenvolveu com a integração europeia". "Em países que não atraem investimento estrangeiro, como o Nepal, o peso das remessas tem tendência a ser maior", remata.

 

Ver Público, aqui.

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