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Emigração. Português é a 12.ª língua mais falada dos EUA. Para trás fica o japonês e o polaco
2014-06-27
São mais de 680 mil os residentes nos Estados Unidos que falam português. Apesar de Portugal ter sido pioneiro na emigração, agora são os brasileiros e cabo-verdianos que dominam os fluxos migratórios de lusófonos.

Os altos e baixos no fluxo migratório português para os Estados Unidos da América (EUA) não foram suficientes para que a língua perdesse força a um Atlântico de distância. O número de falantes de português nos EUA era, em 2009, estimado em 682 323, o que faz do português a 12.a língua mais falada no país. A conclusão é de um estudo encomendado pela Fundação Luso-Americana ao ISCTE, que adianta que este lugar no ranking põe o número de falantes de português num patamar próximo ou mesmo superior a línguas com maior visibilidade na cultura popular norte-americana, como é o caso do italiano (cerca de 747 mil falantes), o polaco (598 mil) ou o hebraico (cerca de 207 mil).

A distribuição de falantes da língua portuguesa não é uniforme no território norte-americano, identificando-se áreas com uma maior concentração, nomeadamente os estados de Nova Inglaterra - em particular Massachusetts e Rhode Island - e também New Jersey e Califórnia.

A emigração portuguesa para os EUA, contudo, está a cair aceleradamente desde a década de 80. Os dados do Departamento de Segurança Interna norte-americana, citados no estudo, apontam para uma tendência de quebra contínua, com a média anual de obtenções de residência por portugueses no período 2010-12 de 825 autorizações, quando o valor homólogo para a década de 2000-09 foi de 1482.

Apesar de algumas zonas serem historicamente ocupadas por emigrantes portugueses, também as comunidades cabo--verdiana e brasileira têm ajudado a pintar um novo mapa de emigração no país. Os novos países lusófonos seguiram em parte as antigas rotas da emigração portuguesa, como foi o caso da escolha de Nova Inglaterra por cabo-verdianos, mas também estabeleceram novos destinos, como é o caso da Florida, que recebe essencialmente brasileiros.

Actualmente, Brasil e Cabo Verde superam Portugal enquanto origem de fluxos migratórios recentes de falantes de português para os EUA. Assim, os brasileiros representaram 82,1% dos que obtiveram residência legal nos EUA entre 2005 e 2012. Seguiam-se, a grande distância, os cabo-verdianos, que correspondem a 10,6% destes casos, e só depois surgem os portugueses, que representaram apenas 5,7%.

Fernando Machado, professor do ISCTE e um dos autores do estudo, explicou ao ique a quebra na emigração com origem em Portugal não terá efeitos negativos na promoção da língua, quando compensada pela emigração de outros países lusófonos.

"A língua é um património comum e há um interesse estratégico dos países, que devem cooperar na sua promoção", acrescentou.

Estima-se que em 2011 existissem nos EUA quase 1,2 milhões de indivíduos com ascendência portuguesa. Além de estar na Constituição portuguesa a obrigatoriedade do Estado de "assegurar aos filhos de emigrantes o ensino da língua portuguesa", os autores do estudo acreditam que a promoção do ensino da língua não se esgota num imperativo constitucional e vai também potenciar "os laços culturais, políticos e económicos com as comunidades de emigrantes".

A língua é considerada pelos especialistas uma das bases para a criação de uma identidade luso-americana, que por sua vez promove uma acção colectiva dos emigrantes. O investigador Fernando Machado dá como exemplo as imagens do estágio de preparação da selecção portuguesa para o Mundial, que aconteceu nos EUA. "Em todas as peças jornalísticas apareciam luso-americanos, alguns já com sotaque, mas que faziam questão de falar português e de apoiar a equipa", salientou.

 

Também a nível económico a projecção do português parece trazer vantagens. Segundo o estudo, o volume de remessas dos emigrantes portugueses nos EUA atingiu os 135,6 milhões de euros em 2012. Apesar de representar uma descida em relação a anos anteriores, representa ainda 4,9% do fluxo total de remessas de emigrantes na economia portuguesa, dados que, segundo os autores, "sustentam a perspectiva de que a promoção do ensino da língua portuguesa nos EUA deve ser vista não apenas como o cumprimento de uma obrigação política, mas também como resultando em vantagens consideráveis para a acção do Estado português e para a economia portuguesa".

Ver Jornal I, aqui.

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