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Link para inquéritoO regresso como emigração: o caso dos jovens adultos portugueses

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Emigrar. E voltar a emigrar
2014-05-26
Artigo de Fábio Monteiro para o Observador.

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PARTIR PELA SEGUNDA VEZ

Cláudia Pereira, investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, explica que nos inquéritos sobre emigração umas das principais justificações dos cidadãos está relacionada com o facto de já se ter estado emigrado anteriormente, o que facilita uma nova saída. "Já têm uma rede de contactos que, na maioria dos casos, é a família".

Contudo, estes dados não são compilados. Ao certo, não se sabe quantos dos aproximadamente 500 mil portugueses que saíram do país desde 2008, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, emigraram pela primeira vez. Ou quando tinha sido a última vez que tinham estado fora do país. De acordo com os censos de 2011, 10% da população portuguesa afirmou já ter vivido fora do país pelo menos um ano.

Há muitos que emigram para progredir na carreira profissional, diz a especialista, lembrando o caso dos portugueses na área dos fundos de investimento, que partiram para Londres. Outros pela aventura. E outros ainda porque são obrigados.

"O que regula as migrações é o mercado de trabalho", sumaria Cláudia Pereira, ao falar dos motivos de emigração, um tema muito discutido nos últimos anos em Portugal. E o mercado de trabalho anda, passo a passo, ao lado da situação histórica e económica do país.

Muitos colegas de Francisco na Suíça são portugueses. Tinham empresas e por causa das dívidas que foram acumulando, tiveram de sair do país. Emigraram para pagar o insucesso."Sabe, nós abrimos os olhos antes de isso acontecer", diz Francisco.

Portugal "não deixa saudades, tentamos apagar", diz Florbela, como quem fala de uma memória traumática. Os últimos tempos em Portugal foram complicados para o casal. Lembrar não é bom. "Ui, ui. Isso é mau. É uma sensação horrível e sem explicação", diz.

Florbela estava a trabalhar na área em que se tinha licenciado, mas o dinheiro não chegava. A família estava dividida e a distância criava interrogações: "Será que o nosso casamento vai avante?". Em 2012, com a família partida, Florbela "pegou no filho mais novo" e decidiu que tinha de ir procurar a sorte em outras paragens, outras aragens, perto do marido: outra vez.

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Ver Observador, aqui (artigo completo).

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