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Solicitação de artigos: Jornal Autrepart - "Voltar ao Sul: novos destinos ou uma inversão das migrações?"
2014-05-10
Número especial editado por Sylvie Bredeloup (IRD/LPED Marseille) e Pedro Gois (Centro de Estudos Sociais/Universidade de Coimbra). As propostas de artigos devem ser dirigidas à revista Autrepart até ao dia 30 de maio de 2015.

Atualmente, os cidadãos espanhóis, portugueses, gregos, italianos ou franceses não conseguem ver valorizadas as suas competências numa Europa em crise onde, cada vez mais, setores inteiros da economia são afetados por uma crise estrutural. Mais de 44 milhões de Europeus estão, hoje, sem emprego nos países ricos da OCDE. As gerações mais novas são particularmente afetadas. Em Espanha, designadamente, um em cada cinco habitantes está desempregado e um em cada dois jovens com menos de 25 anos está também nessa situação; em Itália, 37% dos jovens não têm emprego. De forma talvez mais proeminente, os jovens descendentes da imigração africana, asiática ou latino-americana vêem como limitadas ou inexistentes as suas perspectivas futuras de (re)integração no mercado de trabalho europeu a que os seus pais (em tempos) acederam. Por exemplo, de acordo com o Secretariado Nacional do Equador responsável pela emigração, 70% dos 310 000 equatorianos que residem na Península Ibérica estão, atualmente, desempregados. Poderíamos igualmente interrogarmo-nos sobre qual será o futuro dos descentes argentinos de imigrantes italianos que fugiram da crise argentina e tentaram a sua sorte na Europa na viragem do milénio.

Numa altura em que os países do Sul registam taxas de crescimento económico continuamente positivas e em que alguns Estados incentivam a migração de trabalhadores qualificados e de reformados, ao mesmo que não encorajam políticas de apoio à mobilidade ou ao retorno, emergem novos cenários que indiciam um regresso à migração de cidadãos europeus. Aqueles que a imprensa designou como "os novos pobres" ou "a geração sacrificada", os milhares de jovens europeus, filhos ou não da imigração, escolhem o caminho do Sul, ao procurarem um emprego em Angola, no Brasil, no Equador, na Argentina, no Vietname, em Marrocos ou em Moçambique... todas terras antigas de emigração. Quanto aos reformados europeus, cujos rendimentos têm vindo a diminuir ao mesmo tempo que a sua esperança de vida se alonga, são também em número cada vez maior aqueles que constroem o seu futuro em Marrocos, no Brasil ou na Tailândia. Re-colonização do Sul, regresso às raízes familiares, emigração de imigrantes, migração invertida ou migração itinerante entre dois continentes: que sentido dar a estes movimentos migratórios de uma amplitude crescente? Em que medida são eles precursores de outras recomposições e flexibilidades (futuras), contribuindo para a construção de um novo equilíbrio mundial? 

São propostas quatro direções para abordar as novas situações migratórias e para compreender as suas características e os desafios que elas colocam. Estas podem ser encaradas em ligação umas com as outras ou de forma autónoma.

Itinerários e perfis de migrantes. Estes movimentos de partida são o resultado de iniciativas individuais ou dependem de projetos familiares ou institucionais? Para além do entusiasmo inicial (que poderão suscitar), quais são efetivamente as modalidades de inserção nos países de acolhimento, com que obstáculos são confrontados os novos migrantes? As experiências negativas, tal como as bem sucedidas, devem ser analisadas. Que tipo de relações estabelecem os novos migrantes com as populações locais e também com as populações estrangeiras já instaladas (de modo permanente ou temporário, tal como acontece no caso dos expatriados)? Em que medida os imigrantes com dupla nacionalidade poderão retirar vantagens da migração mais antiga dos seus antepassados? Até que ponto estes são vistos como concorrentes ou potenciais parceiros? Em que nichos profissionais investem estas novas populações migrantes? Qual o papel dos jovens diplomados que agora coexistem com os trabalhadores da construção civil que não conseguiram resistir ao rebentamento da bolha imobiliária na Europa ou mesmo com os mais velhos, os seniores, que procuram uma nova vida ao sol, mais ainda do que uma "reforma dourada"? Instalam-se nos mesmos bairros que habitaram os primeiros imigrantes? Adotam o mesmo tipo de consumos e estilos de vida? Encaram a mobilidade da mesma forma acalentando projetos de instalação permanente ou, diferentemente, foram influenciados pela noção de circulação migratória e, por conseguinte, a sua intenção consiste agora em multiplicar as etapas (migratórias) fugindo às crises e/ou em busca das oportunidades?

Políticas migratórias. Quais os efeitos dos programas de apoio ao retorno voluntário de imigrantes organizados pelos governos do Sul, de que são exemplo as medidas "Bienvenue à la Maison" ou o "Plan Tierras" implementadas pelo Presidente equatoriano Rafael Correa, sobre as trajetórias migratórias? Quais deverão ser os resultados dos incentivos à mobilidade, criados por estes mesmos Estados, visando atrair estrangeiros qualificados ou reformados, bem como capital financeiro avultado? Até que ponto estas políticas atraem, efetivamente, as populações visadas ou atraem outras, menos esperadas? E, em sentido inverso, como reagem os candidatos è emigração quando, como aconteceu em Moçambique, os Estados decidem suspender a concessão de vistos de modo a controlar os fluxos crescentes? De forma mais abrangente, em que medida pode a chegada massiva de Europeus não expatriados incentivar os países do Sul a rever a respetiva legislação, tal como o seu enquadramento fiscal e a contribuir para a criação de novas políticas de integração, seleção e/ou controlo migratório?

Renovação das categorias de análise. Poderemos hoje ainda falar de migração de retorno para caracterizar a partida das novas gerações para os países dos seus antepassados? A reversibilidade destes movimentos, num tempo de crise exacerbada cujos efeitos afetam populações cada vez mais qualificadas, deveria fazer-nos reconsiderar a categoria "migrações", para uma melhor ou mais completa caracterização das dinâmicas circulatórias transcontinentais? Migração económica ou migração existencial: como designar estes movimentos quando o Sul se torna num "terreno/espaço de aventura" favorito para os Europeus, um Eldorado acessível a alguns reformados ou ainda num território desafiador para os filhos e os netos dos migrantes do Sul? No mesmo sentido, será que os aventureiros europeus que, hoje em dia, partem em direção a África, à Ásia ou à América Latina, com um simples visa de turismo apesar de pretenderem obter um trabalho permanente, se afastam da categoria de expatriados para, em certa medida, renascerem através de uma imagem renovada de migrantes clandestinos?

Narrativas e imaginários de outras geografias. O Norte representado como o cume do mapa do mundo já não faz hoje sonhar tanto como no passado, desde que os "indignados" passaram a denunciar as desigualdades que lá existem; os novos Eldorados situam-se, agora, mais a Sul. Do mesmo modo, as imagens ficcionais transmitidas através de reportagens televisivas, fóruns de expatriados ou outros blogues veiculam novas grelhas de valores e re-questionam as ligações ao cosmopolitismo. Que esperança acalentam os indivíduos portadores de duas nacionalidades? Numa época em que a terra prometida desapareceu, qual o lugar ocupado pelos países do Sul nos seus imaginários? Que representações partilham e fazem circular localmente estas novas populações migrantes, jovens desempregados em busca de um futuro promissor, seniores à procura de sistemas fiscais mais vantajosos, filhos e filhas de migrantes que voltam a partir sobre os trilhos deixados pelos seus antepassados?

As várias disciplinas das ciências sociais são convidadas a dar o seu contributo para este número especial da revista autrepart (http://www.autrepart.ird.fr).

  

As propostas de artigos (título e resumo com um limite máx. 1000 carateres, incluindo espaços)

devem ser dirigidas à revista Autrepart até ao dia 30 de maio de 2015.

 

Os artigos selecionados deverão ser submetidos até 30 de julho de 2015.

  

As instruções para os potenciais contribuintes sobre o tema e o número da revista devem ser dirigidas à revista Autrepart, até à data limite de 15 de outubro de 2015.

 

 

Revue Autrepart - 19 rue Jacob - 75 006 Paris

http://www.cairn.info/revue-autrepart.htm

 

 

Todas as mensagens deverão ser enviadas para o email: autrepart@ird.fr com cópia dirigida à revue.autrepart@gmail.com

Observatório da Emigração Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
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