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Portugueses não temem África do Sul no pós-Mandela
2013-07-16
É um país que tem hoje uma democracia estável e onde as instituições democráticas funcionam. "A estabilidade está criada", sublinha o director do jornal "O Século de Joanesburgo".

Mafalda Lacerda, em Joanesburgo
Os portugueses na África do Sul não estão particularmente preocupados com a situação do país depois do líder da reconciliação desaparecer. A ideia é deixada à Renascença pelo director do jornal "O Século de Joanesburgo".

"Não detectei da parte da comunidade portuguesa grandes apreensões. Nunca ligaram muito à política, estão mais envolvidos nas áreas económicas e estão mais preocupados com a desvalorização do rand [moeda do país] do que propriamente com a política do país" - contou Varela Afonso, que também não receia qualquer convulsão social, num pós-Madiba.

"A África do Sul é um país que - graças a Mandela - tem hoje uma democracia estável. As instituições democráticas funcionam, o parlamento funciona, o governo funciona, portanto, o período pós-Mandela sucedeu quando deixou o Governo em 1999", sublinhou.

Na opinião do director do semanário em língua portuguesa, "Nelson Mandela foi um homem que não esteve agarrado ao poder, que deu um exemplo extraordinário de democracia e, portanto, o país e as instituições têm funcionado normalmente já depois dele deixar de estar na vida activa política".

"A estabilidade está criada", conclui Varela Afonso. O ex-presidente sul-africano "é uma figura respeitada, mas não tem influência nos destinos políticos do país. Há-de ser sempre lembrado, mas depois de ter deixado a vida activa, cada um dos presidentes que foi eleito - tanto Thabo Mbeki, como depois Jacob Zuma, seguiram a política. Têm um grande respeito pelo antigo presidente, mas a política activa não foi influenciada nem é teve interferências".

Relação dos portugueses com Madiba
O Nobel da Paz é reconhecidamente uma figura ímpar e muito acarinhado também pelos portugueses no país. O director do "Século de Joanesburgo" lembra a alegria com que foi vivido o momento da libertação do líder histórico, a 11 de Fevereiro de 1990.

"O primeiro contacto que Nelson Mandela teve com a comunidade portuguesa data de Outubro de 1993 - ainda não era Presidente da República", cargo para o qual foi eleito em Abril de 1994.

Folheando a revista que acompanhava o jornal na altura, Rogério Varela lembra que o líder histórico da África do Sul aceitou o convite da Associação de Jovens Empresários Portugueses para a entrega dos troféus aos empresários e técnicos do ano, uma cerimónia realizada no Carlton Hotel, na baixa de Joanesburgo. «Jovens portugueses galardoados com a presença de Nelson Mandela» era o título da notícia.

"Estive nesta cerimónia e tive oportunidade de falar com ele", conta o director, que destaca o "respeito" pela figura do símbolo da reconciliação.

"Vai ser recordado, porque ele é a figura política que evitou uma guerra civil na África do Sul e toda a gente e todo o país e todo o povo lhe deve isso, inclusivamente nós portugueses que vivemos desde então uma vida tranquila neste país", conclui.

O herói da luta contra o apartheid, carinhosamente conhecido por Madiba, está num hospital de Pretória. Desde Dezembro, foi hospitalizado quatro vezes, devido a uma infecção pulmonar recorrente.

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