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Crise Emigrantes em França recebem familiares que fogem à crise de Portugal
2013-07-07
Um casal de emigrantes, em França há nove anos, recebeu no último ano quatro familiares, que procuram fugir à crise econcómica em Portugal e ao desemprego, um exemplo que se repete em muitas famílias portuguesa.

Paulo e Elisabete Ferreira, de 44 e 43 anos, estão em França há nove anos e desde essa altura que recebem amigos e familiares que fogem à austeridade portuguesa.

"Ao fim de dois anos de estarmos em França fizemos exatamente aquilo que nos fizeram a nós: recebemos em nossa casa uma família de quatro pessoas. Em Portugal perderam o emprego e a casa e vieram", explica Elisabete.

Desde então, muitos foram os amigos e familiares que recorreram a este casal para os ajudar a escapar à crise da economia portuguesa.

No último ano, o número aumentou, tendo o casal recebido quatro familiares em sua casa. Uma irmã, uma sobrinha com o namorado e a mãe de Elisabete.

Quando olha para o país, Paulo afirma que "não deve estar muito bom" visto o número de pessoas que já acolheram desde que decidiram emigrar.

"A classe média deixou de existir. Aquela classe que trabalhava para comprar a sua casa, que conseguia comprar uma casa de férias uns anos depois... Isso deixou de acontecer", acredita Elisabete Ferreira.

Quando decidiram emigrar, há nove anos, ainda não sentiam as dificuldades que poderiam sentir hoje, caso tivessem ficado.

"Viemos porque estávamos a sentir que nos próximos anos íamos começar a sentir dificuldades que ainda não tínhamos", diz Elisabete Ferreira, que acredita ter vindo para França "numa boa altura", porque agora "a França também está a passar por uma crise".

"Achámos que as nossas filhas iam crescer e se calhar as dificuldades iam começar a aparecer ao nível da educação, principalmente a esse nível. E tinha acontecido se tivéssemos lá ficado, ia ser cada vez mais difícil", explica Elisabete.

A sobrinha que receberam há seis meses, Ana Domingos, de 26 anos, escolheu vir para França porque, tendo cá os tios, viu uma boa possibilidade para viver num país que tem "mais oportunidades que em Portugal, para estudar e para trabalhar".

"O nosso país está-se a degradar cada vez mais. Vim para cá com o objetivo de estabilizar a minha vida, de ter uma qualidade de vida", assume Ana Domingos.

"Não tinha condições de pagar a minha casa e de estudar ao mesmo tempo. O objetivo era estudar, ainda tenho idade para estudar e para tentar trabalhar na minha área e lá não foi possível", explica.

"Voltar? Quando conseguir. Claro que o objetivo é sempre voltar para o país, mas neste momento acho que é muito complicado", conclui Ana.

Elisabete e Paulo também não escondem a vontade de regressar, mas apenas quando estiverem reformados.

"A partir de uma determinada idade o que é que se pode fazer? Montar um negócio? Se tenho uma profissão, evoluí aqui e se me têm dado oportunidades, não vou abandonar o barco assim", sublinha Paulo Ferreira.

O eletricista industrial acredita que os portugueses são bem vistos em França, muito pela experiência que tem no seu local de trabalho.

"A nível de qualidade de trabalho, no meu caso e de mais dois ou três portugueses que lá estão, eles dão-nos muito valor e gostam bastante do nosso trabalho. Oferecem-nos formações que não oferecem aos franceses", acrescenta.

Elisabete acredita que os portugueses "são bem vistos, como pessoas honestas".

"Mas eu sinto sempre o facto de ser imigrante. Independentemente do trabalho que faças, não deixas de ser imigrante", assegura Elisabete.

"Aqui somos estrangeiros, em Portugal somos emigrantes", conclui Paulo Ferreira.

Notícias ao Minuto, aqui.

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