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Suíça limita entrada de imigrantes da UE
2013-05-06
A Suíça vai prolongar por mais um ano as restrições à entrada de imigrantes da Europa central e oriental e ainda alargar essa medida a todos os cidadãos dee países da União Europeia, a partir de 1 de Maio. O Conselho Federal acionou uma cláusula de salvaguarda que estabelece as quotas máximas de títulos de residência a atribuir para efeitos de trabalho aos cidadãos dos 17 países da Zona Euro e de oito países do leste da Europa.

O Conselho Federal decidiu ativar uma cláusula de salvaguarda prevista no acordo sobre livre circulação de pessoas assinado com a União Europeia (UE) em 2002.
Esta cláusula é uma opção de controlo que permite à Suíça estabilizar de forma unilateral as quotas máximas de títulos de residência, de curta e longa duração, decisão que vai afetar os cidadãos portugueses que pretendem emigrar para a Suíça.
A ministra da Justiça e Polícia suíça, Simonetta Sommaruga, anunciou a 24 de Abril, em conferência de imprensa, que são visados desde já os trabalhadores da Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia, Eslovénia e República Checa. A partir de 01 de maio, serão abrangidos os trabalhadores de todos os países da EU, onde se inclui Portugal.
Esta medida era reclamada pelos partidos de direita mas contestada pela esquerda e pelas entidades patronais.
O assunto da imigração ganhou visibilidade na Suíça sobretudo devido ao expressivo aumento no número de autorizações de residência para efeitos de trabalho emitidos desde 2009 para cidadãos oriundos do sul da Europa.
Entre janeiro e agosto de 2012 emigraram para a Suíça mais de 12.300 portugueses. A comunidade portuguesa na Suíça está estimada em 240 mil pessoas.
Medida "contrária" aos interesses do país
O dono de uma exploração agrícola de 18 hectares em Galmiz no cantão bilingue de Friburgo (alemão e francês), que há décadas emprega portugueses, manifestou-se "apreensivo" com a medida, considerando-a "contrária aos interesses do país". Thomas Wyssa emprega actualmente 12 portugueses, três a tempo inteiro e os restantes com contrato de trabalho sazonal (válido por um ano), que termina em dezembro.
À agência Lusa, o empresário disse que o seu negócio seria "seriamente prejudicado", já que essa decisão dificultaria a contratação de novos trabalhadores estrangeiros, uma mão-de-obra "imprescindível", sobretudo no verão.
"Conto com trabalhadores portugueses há quase três décadas. Alguns (os sazonais) voltam cá todos os anos e já conhecem bem os cantos à casa", explicou o dono da exploração, onde se fala francês para "facilitar a comunicação". "Se essa decisão for em frente, a burocracia vai aumentar e vai ser muito difícil e moroso contratar portugueses", com quem, sublinhou, já está "habituado a trabalhar" e a quem reconhece "muito empenho no trabalho".
Uma das porta-vozes da Agência Federal para a Imigração Suíça (BFM, na sigla em alemão) explicou à Lusa que a "opção de controlo" só pode ser acionada para a Zona Euro quando o "número de novos títulos de residência para efeitos de trabalho atribuídos, no espaço de um ano, ultrapasse em 10 por cento a média dos últimos três anos".

"Complicar a vida"
Mas há emigrantes portugueses que não vêem com bons olhos a actual leva de emigração nacional para aquele país. Deolindo Moreira reconhece que todos têm direito a procurar trabalho na Suíça, tal como ele fez há dez anos, mas admite que "a fartura de portugueses" está a "complicar a vida" a todos os que já lá estão.
"Para quem cá está (na Suíça), até certo ponto era bom que não entrassem muitos. Agora é claro que para quem vem, era bom entrar, tal como nos fizemos", afirmou à Lusa o emigrante português de 43 anos. Natural da Póvoa de Varzim, Porto, onde trabalhava como pintor de automóveis, Deolindo Santos Moreira emigrou em 2003 depois de o seu patrão ter sido "obrigado a fechar o negócio, porque os clientes não pagavam". "Como tinha 33 anos, decidi arriscar e inscrevi-me numa agência de trabalho (...) Nem sabia para onde ia nem para que lado era a Suíça", lembra. Teve sorte. Arranjou um emprego na exploração agrícola no cantão bilingue de Friburgo, onde uma década depois continua a trabalhar, já como efetivo. Um trabalhador sazonal novato começa por receber um salário líquido de aproximadamente 2.500 francos (cerca de dois mil euros), aquém do que receberia um suíço, mas "suficiente para viver uma vida tranquila", explica, revelando que o patrão "só quer portugueses". "O português come e cala-se, como se costuma dizer", diz.
Passados quatro anos de trabalho árduo, Deolindo conseguiu levar a mulher e os filhos. Ambos estudam agora e "dificilmente vão deixar a Suíça". A mulher trabalha numa fábrica de bolachas na região de Fribourg, onde vivem e se sentem "bem integrados".
Quando chegou à Suíça, conta, os patrões ainda tinham dificuldade em arranjar mão-de-obra para os campos. "Agora não falta aqui pessoal a bater à porta a pedir trabalho. Com a fartura de portugueses que vem cá para cima, a situação está mais complicada", alerta. É sobretudo da zona norte, Felgueiras, do lado da Guarda, Lamego, mas também de Viseu que mais pessoas chegam, diz.
"Muitos arriscam vir com a mulher e com os filhos, sem terem absolutamente nada. Nenhum emprego em concreto. Quando dá para o torto, ficam a dormir nos carros até arranjarem trabalho. Está mesmo mau", lamenta.

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