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República Checa atrai cada vez mais estudantes portugueses
2013-01-19

Longe das tradicionais rotas da emigração, a República Checa atrai um número crescente de estudantes e jovens quadros portugueses. A comunidade tem já quase mil pessoas a quem não falta o café e a escola em português.

O número de portugueses inscritos no consulado ronda os 400, mas Miguel Calheiros Velozo, responsável pela secção consular da embaixada Portuguesa em Praga, estima a comunidade em cerca de 800 pessoas.

"Os portugueses que aqui trabalham fazem-no sobretudo nas áreas técnicas, principalmente nos sectores da informática e das telecomunicações, mas também na financeira, de recursos humanos e em centros de atendimento. Na grande maioria são pessoas qualificadas", disse Calheiro Velozo à agência Lusa.

O representante português adiantou que ultimamente se tem registado "um aumento de pedidos de aconselhamento na procura de emprego na República Checa", mas ressalva que embora seja "um destino crescente (...) os números serão sempre mais limitados quando comparados com outros" destinos tradicionais da emigração.

O clima e a barreira linguística são apontados por Miguel Calheiros Velozo como os principais obstáculos à emigração para o país.

"Nos seis anos que aqui estou, a comunidade quase triplicou. Essa tendência de crescimento verifica-se. Além de uma superior formação - são todos licenciados pelo menos - a maior parte deles encontram-se a trabalhar em empresas multinacionais, muito nas áreas financeiras e administrativas", disse, por seu lado, à agência Lusa Joaquim Ramos, leitor de português em Praga.

O responsável pelo centro de Língua Portuguesa do instituto Camões, que em parceria com a embaixada portuguesa lançou o projecto de criação de uma Escolinha Portuguesa em Praga, adianta, ainda assim, que grande parte dos portugueses na República Checa são estudantes de medicina, instalados nas cidades de Tilsen e Praga.

A escola, que funcionou em modo experimental entre Outubro e Dezembro de 2012, arrancou oficialmente a 10 de Janeiro com 35 crianças em idade pré-escolar e pretende proporcionar aos filhos dos casais portugueses ou lusofalantes um espaço onde possam manter contacto com a língua e cultura portuguesas.

"Fizemos um levantamento da comunidade (...) e resultou a existência de 35 crianças em idade pré-escolar. Pareceu-nos que era já um número que justificava a abertura de uma instituição deste género", explicou.

Joaquim Ramos aponta como outras características desta comunidade a sua "grande mobilidade" e a predominância de casais mistos.

Fábio Oliveira é exemplo disso. Com uma namorada checa, este engenheiro civil instalou-se no país "por razões pessoais" há três anos, tendo posteriormente encontrado trabalho na empresa portuguesa Martifer Solar.

Com as obras em queda na República Checa e a empresa a deslocar-se para outros mercados, Fábio Oliveira decidiu abrir há seis meses o Café Oliveira, que já se tornou no ponto de encontro dos portugueses em Praga.

"Há uma comunidade pequena que trabalha cá. Em Praga devem ser uns 80 ou 100 e a maioria vem cá", disse à Lusa Fábio Oliveira, explicando que a maioria dos que optam por viver na República Checa o fazem depois de terem passado pelo país através do programa Erasmus ou porque têm cônjuges checos.

Depois há ainda os estudantes de medicina, que são cerca de 300, acrescentou.

"Têm chegado mais portugueses para trabalhar na área financeira ou nas novas tecnologias. A comunidade trabalhadora está a crescer mais", disse.

Fábio Oliveira, que administra, com outros portugueses, um grupo na rede social Facebook regista um número crescente de adesões.

"Há sempre pessoas a aderir e a perguntar se há oportunidades de emprego, são pessoas que estão em Portugal e que estão dispostas a mudar-se para Praga", disse.

Satisfeito com a vida na República Checa, o jovem, que entretanto aprendeu a falar checo, espera no futuro conseguir voltar a trabalhar como engenheiro civil e nos seus planos não está para já o regresso a Portugal.

Lusa/SOL, aqui.

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