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Venezuela, de destino migratório a alvo comercial
2012-10-03
Há séculos que é destino de emigração portuguesa, mas a Venezuela surge cada vez mais como uma oportunidade de negócios para as empresas nacionais, cujas exportações superaram, no primeiro semestre deste ano, o total de 2011.

por Agência Lusa, publicado por Susana Salvador

Desde 2007, as exportações portuguesas para a Venezuela - que vai a votos em eleições presidenciais a 07 de outubro - aumentaram 10 vezes e só no primeiro semestre deste ano foram mais do dobro do período homólogo, passando de 58 milhões de euros para 156 milhões de euros, revelam números da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Segundo os mesmos dados, mais de 230 firmas portuguesas exportam atualmente para a Venezuela que, como disse recentemente à Lusa o secretário de Estado Adjunto da Economia, António Almeida Henriques, é já o segundo maior mercado de Portugal na América Latina.

Em setembro uma missão empresarial portuguesa, em que participou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, esteve na Venezuela no âmbito do sétimo encontro semestral da Comissão Mista de Acompanhamento Bilateral Portugal/Venezuela, criada através de acordos assinados em setembro de 2008 em Lisboa.

Nessa altura, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o então primeiro-ministro português, José Sócrates, assinaram acordos para a venda de um milhão de computadores portáteis Magalhães, a construção de 50 mil fogos de habitação social, além de memorandos na área da eletricidade.

Só nesse ano, as exportações portuguesas para a Venezuela aumentaram 213 por cento, o maior salto desde 2007.

Entre 2007 e 2011, as exportações portuguesas para a Venezuela só diminuíram em 2011 e o crescimento médio anual ao longo destes quatro anos foi de 95,1 por cento. O valor passou de cerca de 16,3 milhões de euros em 2007 para 152,8 milhões de euros em 2011.

Ainda assim, segundo a ficha de mercado da AICEP sobre a Venezuela, atualizada em fevereiro, o comércio bilateral entre os dois países "tem sido pouco significativo".

Portugal é o 27.º fornecedor da Venezuela, que ocupa o 19.º lugar entre os países de destino das exportações portuguesas.

Também no que diz respeito ao investimento direto, "os fluxos entre Portugal e a Venezuela são reduzidos", considera a AICEP, que reconhece que o posicionamento da Venezuela como origem do Investimento Direto do Exterior (IDE) em Portugal tem registado uma tendência de melhoria, embora com quotas irrelevantes.

A agência sublinha que nos últimos anos, para implementar uma política económica mais competitiva e orientada para a promoção das exportações, o governo de Hugo Chávez reduziu a maior parte dos obstáculos com que se deparavam as empresas estrangeiras que pretendiam investir no país.

No entanto, recorda que se encontra em preparação "uma reforma da política económica do país com vista à concretização (a longo prazo) de um regime de economia socialista que terá implicações diretas neste domínio".

A operar na Venezuela estão empresas portuguesas como o grupo Lena, que está a construir 4.500 casas e já finalizou uma fábrica de painéis de cimento; a Edifer, que vai construir uma fábrica de papel no país num projeto de 1.300 milhões de euros; a AntralCipan, que tem um contrato de fornecimento de serviços de assistência técnica e fornecimento tecnológico na construção de uma fábrica de medicamentos; ou a Metalcérmica, responsável pelos projetos de construção de fábricas nos estados de Falcón (noroeste) e Bolivar (sul).

Na Venezuela operam ainda as portuguesas Teixeira Duarte, a DST, Visabeira, EIP (Eletricidade Industrial Portuguesa) e a Galp Energia.

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