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Petição na Suíça vai recolher 4.000 assinaturas para integração do português no ensino pós-obrigatório
2012-09-02
A comunidade portuguesa em Genebra lançou, pela primeira vez, uma petição para que a língua portuguesa seja integrada no ensino pós-obrigatório deste cantão suíço, iniciativa hoje sublinhada pelos deputados Carlos Gonçalves (PSD) e Paulo Pisco (PS) que estiveram no evento.

"Existem dois pontos essenciais: primeiro, é a primeira vez que há uma  iniciativa legislativa de cidadãos portugueses residentes na Suíça junto  das instituições locais suíças, porque já haviam feito em Portugal mas nunca  fizeram lá. Deve haver uma implicação da nossa comunidade na defesa dos  seus próprios interesses na Suíça. É um sinal claro, é pioneiro", disse  hoje em declarações à Lusa o deputado social-democrata.  

"Este é o ponto mais relevante, ou seja a implicação cívica da nossa  comunidade através da Associação dos Encarregados de Educação de Genebra  e de outra associação de cultura e expressão portuguesa de Genebra", sustentou.

"A segunda questão, inerente a esta, é que a própria petição trata de  uma matéria que é muito importante para mim, que é a integração da língua  portuguesa nos currículos oficiais locais, seja ele qual for o nível, e  neste caso é para a região de Genebra", referiu ainda. 

O deputado considera importante a integração da língua portuguesa num  país onde vivem várias centenas de milhares de portugueses, já que é uma  língua que tem expressão mundial, associada a uma cultura e que representa  oportunidades de negócio. 

"Portugal, na relação bilateral com a Suíça, terá mais dificuldade  1/8em  negociar a introdução do português no sistema de ensino oficial suíço 3/8 se  a comunidade, ela própria, não demonstrar publicamente que sente que é importante  que o ensino do português seja integrado. (...) É o primeiro passo, numa  caminhada muito longa, mas começamos a percorrer este caminho", disse. 

Carlos Gonçalves citou ainda como exemplo os dois grandes eventos desportivos  que serão realizados nos próximos anos -- o Mundial de Futebol em 2014 e  os Jogos Olímpicos de 2016 - no Brasil, um país lusófono. 

O deputado socialista Paulo Pisco, que também esteve presente em Genebra,  optou por frisar em declarações à Lusa a necessidade de envolvimento das  autoridades portuguesas nesta iniciativa, promovida pela associação de expressão  cultural portuguesa e pela associação portuguesa de pais e encarregados  de educação de Genebra. 

"Defendo-a e espero que o nosso Governo e o nosso embaixador na Suíça  se envolvam diretamente para dar projeção e fazer com que os objetivos dos  peticionários possam ser atingidos", referiu, antes de precisar que o próximo  passo reside na recolha de 4.000 assinaturas para que a petição possa ser  discutida no parlamento do cantão de Genebra.  

"É uma iniciativa de enorme importância que gostaria que chegasse a  bom porto, e o envolvimento do Estado português é essencial", reafirmou.

Paulo Pisco também destacou a importância da comunidade portuguesa no  cantão de Genebra, "a mais importante, entre mais de uma centena de comunidades  que aí existem", e recordou que já existem línguas de outros países, como  a espanhola ou árabe, com comunidades menos expressivas mas que já estão  incluídas nos currículos do ensino pós-obrigatório.  

"Não faz sentido que a comunidade portuguesa tenha esta importância  no cantão de Genebra e não tenha a língua portuguesa integrada no ensino  pós-obrigatório, que é mais ou menos equivalente não ao pré-escolar mas  ao décimo ano e daí em diante".  

"É uma iniciativa muito importante para a própria afirmação da comunidade  portuguesa no cantão de Genebra e julgo que terá uma repercussão em toda  a Suíça", concluiu. 

Lusa

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