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Fafe - A memória da emigração portuguesa contada num museu
2012-08-11
Há 11 anos que Fafe conta com um núcleo museológico que preserva as memórias dos emigrantes.

Com base nos percursos migratórios do final do século XIX e do século XX para o Brasil e Europa, o Museu das Migrações e Comunidades ajuda a compreender a identidade de uma região (o Vale do Ave), historicamente marcada pelo fenómeno. Um museu aberto às comunidades. Do Brasil, por exemplo, chegam diariamente pedidos de procura de familiares.

Isabel Alves, técnica do Museu das Migrações e Comunidades, explica que o espaço, fundado a 12 de Julho de 2001, configura uma montra de histórias de gerações que se cruzam, exprimindo ao mesmo tempo, a «preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas do ciclo do retorno dos emigrantes».


Situado na Casa Municipal da Cultura de Fafe desde 2009 (até esta data tratava-se de um «web museu») o espaço faz mostra do fenómeno da emigração portuguesa, em particular, aquela que teve como destino o Brasil no final do século XIX e primeiras décadas do XX, assim como a emigração registada para os países europeus na segunda metade do século XX.

Isabel Alves salienta que o museu «ajuda a compreender a identidade da região», com base nos percursos migratórios conhecidos ao longo dos séculos. E realça que «Fafe tem ainda hoje bem visíveis as marcas do retorno da emigração dos "brasileiros de torna-viagem"», emigrantes que partiram para o Brasil (entre 1836 e 1930 terão sido perto de oito mil) e que, no regresso a Portugal, edificaram casas, jardins, hospitais, asilos, escolas, teatros e indústrias.

Ao musealizar estas «marcas», sublinha, «chamamos à região investigadores, turistas e apaixonados da história, em particular da emigração» por forma a configurar o museu como «uma pedra basilar na divulgação e no desenvolvimento da região».

O projecto caracteriza-se essencialmente ptar em constante construção. Desta forma, o Museu das Migrações e Comunidades colabora com investigadores e familiares de emigrantes, que procuram respostas sobre os fenómenos mais recentes da emigração.

«Do Brasil chegam-nos diariamente pedidos de colaboração na procura de familiares ou na investigação sobre as relações Portugal-Brasil ao longo dos séculos. De igual modo, recebemos actualmente, principalmente nos meses de Verão, luso-descendentes à procura da história dos seus pais ou avós, e aqui encontram respostas», diz Isabel Alves.

Sobre os êxodos populacionais mais recentes também há trabalho em curso. «Fazemos um acompanhamento só ao nível do apoio à investigação para estudos comparativos», afirma a responsável, adiantando, no entanto, que o museu não dispõe ainda de recursos que permitam fazer um verdadeiro estudo sobre os fenómenos migratórios na actualidade.

O projecto do Museu, desenvolvido pelo museólogo Fernando António Baptista Pereira e pelo historiador Miguel Monteiro (recentemente falecido) contempla dez núcleos espalhados pela cidade e por algumas freguesias do concelho e possui diversas salas temáticas dedicadas às comunidades, à diáspora, à família, à Lusofonia e ao conhecimento.

«Todos os núcleos funcionam actualmente como independentes, sendo no entanto realizadas visitas aos núcleos, quando solicitadas, a partir do conceito de (e)migração em todos os sectores que têm na sua génese no seu desenvolvimento o investimento do retorno dos ciclos de emigração», explica Isabel Alves.

De acordo com a responsável, existe um trabalho «permanente» de recolha, preservação, investigação e divulgação de espólio material. Mas há também uma recolha imaterial que regista relatos de vida de emigrantes com percursos e vivências em contexto de emigração, principalmente do período dos anos 50, 60 e 70 do século XX.

«Através deste acervo corporizam-se as memórias e projecta-se o estudo e a divulgação para diferentes públicos», realça Isabel Alves.

O acervo foi doado ao museu por emigrantes e descendentes e adquirido pelo município de Fafe, entidade que tutela o espaço.

De acordo com Isabel Alves, entre Outubro de 2009 e Dezembro de 2011, visitaram o museu 5500 pessoas.

«Anteriormente, enquanto só dispúnhamos do museu virtual, eram realizadas visitas ao concelho, com base no projecto em curso da implantação dos núcleos, mas não há registo do número de visitantes», informa a técnica, que acrescenta que as gerações que partiram para a Europa, com particular incidência para França, «visitam cada vez em maior número o Museu e o concelho».

Ana Clara; Fotos: Museu das Migrações e Comunidades  

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