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Associação Portuguesa alerta para "problemas sociais enormes" nos arredores de Paris
2012-07-22

A Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault-Combault, situada nos arredores de Paris, recebeu, desde o início do ano, pedidos de ajuda de mais de 80 novas famílias, algumas com "problemas sociais enormes", disse à Lusa o presidente.

Mário Castilho, dirigente desta associação que actua numa zona onde vivem cerca de 30 mil portugueses, afirmou que quem chega para pedir ajuda traz sobretudo "problemas de trabalho, de alojamento e de documentação".

"As pessoas chegam aqui a França sem trabalho, sem alojamento. Vêm porque conhecem uma pessoa qualquer que reside aqui. Depois vão à câmara e a câmara manda-as para a associação, para [ajudarmos a] traduzir [documentos]. Depois conseguimos enviar as pessoas para os serviços sociais franceses", contou.

O responsável diz que se verificam casos de portugueses "alojados nos fundos dos jardins, em garagens, muitas vezes alugados por outros portugueses". Também no princípio deste ano, "no período de frio", acrescentou, a associação deu por "duas famílias a dormirem nos carros, mas que depois desapareceram" da zona.

Mário Castilho disse ainda que, ao contrário do que acontecia entre os anos de 1960 e 1980, quando o homem da família partia primeiro para procurar emprego e só depois fazia a família juntar-se a ele, hoje chegam à sua associação "famílias completas, com vários filhos, e [pessoas] de todas as idades".

Alguns, acrescentou, encontram trabalho, "mas muitas vezes também são enganados pelos próprios patrões". Muitas vezes, disse, "o trabalho é não declarado".

"[Há empresas de portugueses] a aproveitarem-se deste tipo de emigração para explorarem os [seus] compatriotas, e, muitas vezes, em caso de acidentes de trabalho, ou de reformas, os trabalhadores não têm nenhum direito. É uma situação gravíssima", acrescentou.

Há mais de 700 mil portugueses inscritos no Consulado-Geral de Portugal em Paris. Até Junho deste ano registaram-se mais de 9 mil inscrições. Durante todo o ano de 2011 houve mais de 16 mil novos inscritos.

As autoridades portuguesas estimam que, por ano, entre 120 e 150 mil portugueses abandonem o país.

Diário de Notícias da Madeira, aqui.

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