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Portugueses emigram com "ilusões" e "promessas de paraíso"
2012-07-16

A maioria dos portugueses que sai do país para procurar emprego e uma vida melhor leva "ilusões" e vai atrás de "promessas de paraíso", e depois "encontra dificuldades", disseram à Lusa associações da comunidade portuguesa em França.

Aníbal de Almeida, membro honorário e ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), associação que presta auxílio à comunidade portuguesa na capital francesa, disse à Lusa que "não há regularmente portugueses a dormir na rua", mas que a associação recebe diversos pedidos de ajuda de recém-chegados.

"No fundo há três categorias: os que vêm dirigidos a familiares ou amigos que já se encontram em França, e que são acolhidos e acompanhados até conseguirem alojamento e emprego; os que vêm -- sobretudo jovens -- com determinado tipo de qualificações, nas áreas da saúde e informática, e que trazem normalmente uma indicação; e os que vêm à aventura", afirmou.

E depois, acrescentou, "há toda aquela gente que vem através das agências de trabalho temporário, que têm ligações com empresas francesas, e que lhes prometem o paraíso. As pessoas chegam cá e não têm nada. Ou então são [recrutadas por] aqueles habilidosos, a quem eu chamaria os passadores atuais, que andam pelas aldeias, e que dizem que [procuram pessoas para trabalhar] em França. E as pessoas vêm, chegam aqui e encontram-se em situações difíceis".

"Hoje não se encontra emprego como há 50 anos atrás. Hoje há um desemprego enorme (10 por cento), está-se num período económico e social extremamente difícil. Mas uma das dificuldades que temos muitas vezes é que as pessoas se manifestem, que digam que precisam", acrescentou.

Também o responsável pela Association Portugaise de Bienfaisance (Associação Portuguesa de Caridade) do Raincy, a 20 quilómetros de Paris, Manuel de Oliveira, disse à Lusa que "muitos portugueses têm vergonha de dizer que têm dificuldades".

"As pessoas vêm para aqui com muitas ilusões, e a situação aqui também não é fácil. São diversos os casos em que as pessoas vêm trabalhar para empresas de portugueses e pensam que os empregadores estão a contribuir para a Segurança Social, em França ou em Portugal, e acabam depois, quando precisam, por descobrir que não têm qualquer proteção social", contou.

As autoridades portuguesas estimam que, por ano, entre 120 e 150 mil portugueses abandonem o país.

Jornal de Notícias, aqui.

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