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«Quero partilhar a cultura portuguesa em França»
2012-06-16
Em Corbeil-Essones, há dois luso-descendentes a lutarem pelo mesmo lugar na Assembleia Nacional

Por Catarina Pereira
A segunda volta das eleições legislativas francesas vai ter um frente-a-frente em português. No papel, a luso-descendente Cristela de Oliveira, da UMP, luta contra o socialista Manuel Valls, mas, como este faz parte do novo governo, o seu eventual lugar na Assembleia Nacional será ocupado por Carlos da Silva, também de origem portuguesa.

«Ele não fez campanha, aqui ninguém o conhece. Tem sorte porque deve ser eleito, mas não deixa de ser oportunismo, porque ele nem esteve no terreno, nem fez nada por aquele lugar. Está só a aproveitar a oportunidade do patrão», criticou Cristela de Oliveira aotvi24.pt.

A candidata do partido de Nicolas Sarkozy, que é vice-presidente de uma associação portuguesa, frisou que é «muito respeitada na comunidade» e que deseja «partilhar a cultura portuguesa» em França, ao contrário, alega, do também luso-descendente do PS. «Espero que o Carlos da Silva mude em relação à comunidade portuguesa e que, ao fim de cinco anos, faça alguma coisa pelos portugueses», apontou.

Sobre os outros candidatos de origem portuguesa que concorrem nesta segunda volta, Cristela de Oliveira espera que, aqueles que forem eleitos, discutam os «interesses em comum» e lembra-lhes que é «obrigatório» que trabalhem com a comunidade portuguesa em França.

Na primeira volta, a luso-descendente obteve 19,52%, contra os 48,60% de Manuel Valls. «Estou a lutar para não ser batida pelo ministro do Interior socialista, que é o ministro preferido dos franceses», recordou, lamentando a existência de uma «onda socialista» no país e a sucessão de eleições que arrastaram a campanha por «mais de um mês e meio». «Tem sido muito cansativo, mas estou contente com o trabalho que fiz no terreno», constatou a também representante de França no Conselho das Comunidades Portuguesas.

Os dois luso-descendentes concorrem no círculo de Corbeil-Essones e a candidata de direita revela que as sondagens confirmaram que «a maioria» dos portugueses a apoia. «Eu sou a voz dos portugueses, quem está na primeira linha do meu apoio são eles», afirmou Cristela de Oliveira, que nasceu já em território francês.

Os pais da candidata são de S. Pedro de Alva, em Penacova, e têm uma empresa em França. «Falamos sempre em português. É uma maneira de ter cinco minutos de paz e de fazer uma viagem muito rápida às minhas raízes», contou.

Em casa, há comida portuguesa na mesa e a música também é nossa: «Ouço muito fado. Quem ouve fado sabe a sorte que temos em ser portugueses...». Todos os anos, Cristela de Oliveira visita Portugal «três ou quatro vezes», sobretudo «no Natal, na Páscoa e no verão». «Adoro o meu país», desabafou.

Questionada sobre se gostaria de exercer política em Portugal, caso a sua segunda derrota nas legislativas se confirme este domingo, a vice-presidente da Câmara de Corbeil-Essonne respondeu: «Adorava... Por que não? Não sei o futuro. Gosto de ajudar as pessoas, mas a política é um ambiente muito complicado, muito duro... E é pior quando se é mulher e se tem uma origem diferente».

Desafiada a escolher uma das duas seleções pelas quais torce durante o Europeu da Polónia e da Ucrânia, Cristela de Oliveira lembra que «França já venceu». «Por isso, desta vez gostava que fosse Portugal... Aqui, quando se fala de Portugal, é só sobre a crise e eu gostava de ouvir falar no meu país por sermos campeões», concluiu.

tvi24, aqui.

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