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Há 500 mil luso-descendentes eleitores em França alerta a Civica
2012-04-11
Há cerca de 500 mil luso descendentes eleitores em França e que poderão ir às urnas este ano, votar nas eleições Presidenciais e nas Legislativas que decorrem naquele país em Abril e Junho, respetivamente. Esta foi a principal mensagem que a Cívica - Associação de Autarcas de Origem Portuguesa em França fez passar durante a sua participação no Salão dos Presidentes de Câmara da Île-de-France (região da Grande Paris). “É uma comunidade que deve ser tida em atenção”, afirmou Paulo Marques, presidente da Cívica, a O Emigrante/Mundo Português.

Há seis anos a marcar presença no Salão dos Presidentes de Câmara da Grande Paris, a Cívica reforçou este ano a sua participação no evento, que decorreu entre 3 e 5 de abril. Pelo espaço da associação passaram vários luso-eleitos e também candidatos de origem portuguesa às eleições legislativas francesas, que vão decorrer em duas fases, a 10 e 17 de junho deste ano. Paulo Marques, presidente da Cívica e membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, referiu num comunicado de imprensa que o Salão "contou com a participação dos 1287 presidentes de câmaras municipais da Grande Paris" e que a presença lusa "reforça a dinâmica e visibilidade dos mais de 3500 eleitos" de origem portuguesa naquele país.
Em declarações a O Emigrante/Mundo Português, Paulo Marques sublinhou que para além da presença de vários autarcas de origem portuguesa a participação da Cívica no Salão teve por objetivo alertar os presidentes de câmara da grande Paris para o meio milhão de franceses de origem portuguesa que vão poder votar nas próximas eleições em França. Recorde-se que os franceses vão a votos já no próximo dia 22 de Abril para escolher o próximo presidente da República, e regressam às urnas em junho, para as Legislativas.
"Além dos presidentes de câmara, houve ministros de Estado a passar pelo Salão e o nosso objetivo foi dar visibilidade tanto aos autarcas luso-franceses como ao número de eleitores de origem portuguesa neste país, lembrando ainda que a comunidade portuguesa é a mais numerosa em França", explicou Paulo Marques. 
Sobre a participação política lusa, lembrou que em 2008 houve milhares de candidatos de origem portuguesa e que, apesar de não terem sido todos eleitos, "são líderes locais", dando como exemplo Romeu de Amorim, que não foi eleito naquela altura, mas assumiu em fevereiro deste ano o cargo de conselheiro municipal na Câmara de Saint Maur des Fosses.
"A nossa prioridade atual é alertar o poder central sobre o enorme potencial da comunidade portuguesa", acrescenta o presidente da Cívica, lembrando que dos mais de três mil luso-eleitos para as autarquias francesas, 43 são presidentes de câmara.

Força do voto dos descendentes

Paulo Marques, alerta ainda que o potencial da comunidade em termos de participação cívica, passa também pelo meio milhão de eleitores luso-franceses, uma realidade que não é visível já que "como têm nacionalidade francesa, nos cadernos eleitorais não consta a sua origem portuguesa".
"Quando os políticos franceses nos perguntam como sabemos, dizemos que, entre outros aspetos, para nos é fácil reconhecê-los, pelos sobrenomes", diz o dirigente defendendo que é preciso passar a mensagem de que "a força da comunidade" não está apenas nos portugueses que votam em França nas autárquicas e nas Europeias (únicas eleições nas quais os europeus não-franceses residentes naquele país, podem votar). "Há também os filhos, que votam nas Presidenciais e nas Legislativas, e o voto de 500 mil pode mudar o resultado a nível local", defende.
Durante o Salão de Presidentes de Câmara da Grande Paris o espaço da Cívica recebeu ainda a presença do secretário de Estado das Comunidades, que foi "confrontado" com a informação de que os portugueses e os franceses de origem portuguesa estão a votam mais nas eleições em França, informou Paulo Marques. 
Por seu lado, José Cesário fez passar a mensagem "de que o Governo português quer mais participação cívica dos portugueses no estrangeiro", afirmou Paulo Marques. O governante teve ainda tempo para encontros com luso-eleitos, alguns já com uma larga carreira autárquica e outros eleitos pela primeira vez, e jantou com alguns deles.
Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org

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