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Aparecem "cada vez mais" portugueses à procura de emprego em Paris
2012-03-17

Nos arredores de Paris têm aparecido, nos últimos anos, "cada vez mais" portugueses à procura de emprego, disseram à Lusa várias fontes da comunidade portuguesa na capital francesa.

Dantes, chegavam sobretudo filhos de portugueses e já nascidos em França, que tinham ido para Portugal mas que regressavam para se juntarem aos pais, explica Emília Ribeiro, vice-presidente da associação cultural portuguesa de Les Ulis-Orsay, onde vivem cerca de 4 mil portugueses, e autarca nessa região dos arredores da capital, a cerca de 40 quilómetros para sul.

"Os que vêm muito recentemente vêm por necessidade económica e/ou porque têm alguém conhecido, ou porque vêm trabalhar para empresas portuguesas", afirmou.

A autarca lembrou, contudo, que "as possibilidades de arranjar emprego em França não são muitas". Para as mulheres há "as limpezas", para os homens "as obras". Emília Ribeiro diz que não conhece nenhum caso de alguém que tenha conseguido ficar a desempenhar outras tarefas, mesmo "trazendo diplomas". O país, lembrou, "não está na fase de opulência de há uns anos".

A 70 quilómetros a Norte da capital, no outro extremo dos arredores de Paris, os relatos são coincidentes. João Lopes é responsável pela contratação de operários para uma empresa de infraestruturas metálicas, na zona industrial de Mitry, há quatro anos e contou à agência Lusa que "nos dois últimos anos tem havido uma grande procura de trabalho por parte de portugueses".

Só último ano, disse, arranjou emprego a entre 30 e 40 portugueses, vindos sobretudo das zonas Norte e Centro de Portugal. O responsável considera que "tem chegado muito mais gente" do que dantes. João Lopes é uma cara conhecida nesta zona, o boca-a-boca traz pessoas que procuram emprego: "Neste último ano apareceram muitos mais. As pessoas vêm porque sabem que quando não consigo arranjar-lhes emprego nesta empresa, consigo encaminhá-los para outros sítios", contou.

Quem chega assina um contrato, tem direito a alojamento e a alimentação. Ganha à hora e consegue "normalmente 2 mil euros líquidos por mês". O novo emigrante "não costuma saber falar francês" mas encontra sempre ajuda e "ninguém dorme na rua". Vêm "sobretudo homens sozinhos" e "a maioria porque tem créditos em Portugal e ficou sem emprego, e por isso não tem como pagar o que pediu emprestado". A 12 quilómetros desta zona industrial, na pequena vila de Montgé-en-Goële, Adélio Belo Alves, proprietário de uma empresa de construção civil com seis empregados, concordou, sem saber, com Emília Reis e João Lopes.

"A gente agora vê que está a chegar muito pessoal, sobretudo desde Janeiro. Demos por uns 15, 20. E nesta pequena vila, longe de tudo, e na nossa empresa, que é pequena. Chegam cada vez mais e encontram-se numa grande miséria", conta. As casas, lembrou, "são caras, é preciso dar dois meses de renda adiantados e quem vem de Portugal aflito não tem. Há gente que a gente vê que passa fome".

A autarca Emília Ribeiro alertou ainda para outro buraco na rede familiar e de solidariedade que existe na comunidade portuguesa em França, garantindo que há emigrantes portugueses isolados, mesmo tendo emprego: "Antes do Natal tivemos uma situação de um trabalhador de uma empresa portuguesa de construção civil que teve um acidente vascular cerebral e ficou paralisado. A empresa não se responsabilizou nem tinha tratado da assistência de saúde do operário. Ele ficou isolado no hospital até a igreja ter dado por isso. Tivemos que fazer um peditório para que ele pudesse ir para junto da família", contou.

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