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França: Comunidade em Clermont-Ferrand terá “misto de consulado honorário e escritório consular”
2012-02-06

Clermont-Ferrand, uma das três cidades e França que ficaram sem vice-consulado irá receber uma estrutura que será "em princípio, um misto de consulado honorário e escritório consular", explicou o secretário de Estado das Comunidades.
José Cesário afirmou à Lusa que esta solução "agradou à maioria dos presentes" e vai conjugar-se com "várias permanências consulares, em diversas cidades da região". O governante falava durante uma visita que fez à cidade para conversar com representantes dos portugueses ali emigrados, dirigentes associativos e conselheiros das comunidades sobre as recentes alterações na rede diplomática portuguesa.
"Esperamos, com esta solução, conseguir dar uma resposta idêntica ao serviço que tínhamos até 13 de janeiro, continuando a tratar das questões essenciais, praticamente sem nenhuma diferença em relação ao que fazíamos", acrescentou, defendendo que o que desaparece "é a dimensão física da presença do Estado". "Deixaremos de ocupar o grande edifício onde funcionava o vice-consulado e ocuparemos um mais modesto", disse.
José Cesário referiu ainda que o vice-consulado que encerrou em janeiro efetuava cinco mil atos por ano e fazia 1400 cartões do cidadão. Tendo em conta estes números, o responsável considera que o número de funcionários poderá ser reduzido de seis para "um ou dois" sem comprometer a capacidade de resposta do posto.

"Insatisfeitos"

À chegada ao edifício onde funcionava o vice-consulado de Clermont-Ferrand, José Cesário foi recebido por "entre 100 e 150 manifestantes", que foram ali, descreveu, "mostrar o seu descontentamento pelo encerramento do posto, mas também, e sobretudo, colocar dúvidas sobre o futuro dos serviços".
A respeito da escolha do futuro cônsul honorário, o secretário de Estado afirmou que esta viagem serviu também para ouvir opiniões, mas disse que "nada está ainda decidido".
Sem contar com a poupança que decorre da troca de instalações, e olhando apenas para o impacto das alterações no modelo de funcionamento do posto consular, o Governo espera poupar 200 mil euros por ano.
José Cesário iniciou hoje uma viagem de dois dias a Clermont-Ferrand e Lyon, em França, e a Düsseldorf, na Alemanha, para discutir a rede de permanências consulares e o ensino do português.
Desde o dia 13 de janeiro que os residentes em Clermont-Ferrand passaram a ter que recorrer ao consulado-geral em Lyon, a 200 quilómetros, os de Nantes e de Lille a dirigir-se a Paris, a 400 e 200 quilómetros, respetivamente. Os habitantes de Osnabrück passaram a recorrer ao consulado-geral de Düsseldorf, a mais de 170 quilómetros de distância.
Entretanto, as associações de emigrantes portugueses na cidade que contestam o encerramento do consulado afirmam não estar satisfeitas com a solução encontrada pelo Governo. João Veloso, porta-voz do coletivo de dez associações, disse à agência Lusa que a comunidade está "insatisfeita" com a solução. Apesar de reconhecer que "é melhor do que nada", afirma que "tirar o cônsul daqui é vergonhoso e é sinal de desconsideração". "Era preciso ter melhorado o funcionamento do consulado, ver o que não ia bem, antes de o fechar", disse João Veloso. Apesar disso, acrescentou, "para já, a comunidade vai deixar andar para ver o que dá".    

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