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Saúde: 700 médicos e enfermeiros querem ir trabalhar para França
2012-01-18

Por Agência Lusa

Cerca de 700 médicos e enfermeiros portugueses mostraram interesse em trabalhar em França, de acordo com uma associação que está em Lisboa a recrutar especialistas para trabalhar em instituições públicas e privadas.

Sophie Leroy, directora da associação de recrutamento ARIME (Association pour la Recherche et l'Installation de Médecins Européens), explicou à Lusa que a empresa anda à procura de todo o tipo de profissionais das áreas médica e paramédica, nomeadamente de nefrologia, cardiologia, pediatria, anestesiologia, psiquiatria e radiologia.

"A principal vantagem é a questão salarial, porque um jovem diplomado em Portugal pode ganhar cerca de dois mil euros brutos e, em Franca, pode ganhar o dobro, entre 3.800 a 3.900 euros mensais", sublinhou Sophie Leroy.

Para estar entre os selecionados, os candidatos têm de passar nos exames de língua francesa, que estão a realizar-se na Alliance Française em Lisboa.

Até ao momento, "já mostraram disponibilidade e interesse em saber as condições cerca de 700 pessoas", acrescentou à Lusa uma responsável pela comunicação do evento, que termina na quinta-feira.

Ana Vanessa Vicente, 34 anos, foi uma das médicas especialistas em medicina interna que hoje esteve na Alliance Française para tentar a sua sorte.

"Estou aberta a melhores condições, quer em termos de horário, quer em termos de meios e de progressão da carreira, porque aqui, neste momento, as coisas estão estagnadas e instáveis e ninguém sabe o que vai acontecer", admitiu a jovem médica de 34 anos, em declarações à Lusa.

A história de Ana Vanessa não é um caso isolado. A médica garante ter muitos colegas que estão a tentar abandonar o país à procura de um futuro melhor.

 "Curiosamente fui a uma outra reunião de recrutamento, que aconteceu aqui em Lisboa, para países do norte da Europa, e encontrei imensos colegas de curso e do hospital. Foi uma surpresa porque eu pensava que eles estavam satisfeitos, mas a verdade é que a maior parte das pessoas está insatisfeita neste momento", lamentou Ana Vanessa Vicente.

A emigração em massa de profissionais de saúde tem sido referida pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, que tem alertado para este fenómeno. O corte nos subsídios de férias e de Natal no sector público poderá ser uma das razões que levam muitos profissionais portugueses a sair do país.

Mas não são só os médicos que procuram uma vida melhor. Hoje, na Alliance Francaise, também havia enfermeiras, como Susana Roma, que aos 26 anos começou a admitir a hipótese de emigrar.

 "O que me trouxe aqui foi a vontade de sair do pais à procura de uma nova carreira, com melhores condições de trabalho e de salário", admitiu, lembrando que a situação "está muito complicada" para os enfermeiros: "Não há trabalho e, se há, é muito escasso e não nos dá estabilidade profissional", lamentou.

Sophie Leroy acredita que não será difícil encontrar candidatos capazes de preencher os requisitos, até porque existem muitos portugueses com "uma ligação histórica, uma herança familiar, a França e que, por isso, já falam muito bem a língua".

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