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Deslocação de funcionários não substitui consulados - associações na Alemanha (C/ÁUDIO)
2011-12-28

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

 

Lisboa, 28 dez (Lusa) - A deslocação de funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros aos locais sem cobertura da rede consular não satisfaz os representantes das comunidades portuguesas na Alemanha servidas pelos dois vice-consulados que vão fechar.

Os representantes das comunidades de Frankfurt e Osnabrück, que têm protestado contra o anunciado encerramento das suas estruturas consulares, reagiram de forma diferente às declarações do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que na semana passada garantiu que funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros vão passar a deslocar-se aos locais não cobertos pela rede consular.

Para Nelson Rodrigues, de Osnabrück, trata-se de uma tentativa mal sucedida de acalmar os ânimos, enquanto para António Justo, de Frankfurt, a garantia de José Cesário deixa na comunidade a esperança de que o Governo corrija o erro que cometeu ao encerrar o vice-consulado.

"Neste momento, o que importa é ficar um raio de esperança de que o consulado possa voltar a funcionar regularmente e não em determinados dias ou em determinados lugares", disse António Justo à Lusa.

Mostrou-se confiante de que esta terá sido "uma opção rápida, mas que a longo prazo haverá um voltar atrás".

Para António Justo, a solução apontada por Cesário "é justificável para zonas do interior, longínquas, onde os portugueses teriam de se deslocar 300 quilómetros ou mais", mas não numa cidade como Frankfurt, que "mereceria ser o epicentro da economia portuguesa e da nova estratégia" de diplomacia económica, defendida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Já para o representante da comunidade portuguesa em Osnabrück, a solução apontada pelo governante é "uma tentativa de acalmar os ânimos da comunidade, mas sem efeito".

Recordando que os portugueses de Osnabrück "estão esclarecidos e sabem perfeitamente avaliar o que uma estrutura consular pode garantir", o dirigente associativo defendeu que "um serviço ambulante pode ser um complemento, mas nunca mais do que isso".

"Um consulado é muito mais do que desenrolar atos administrativos. Mantém relações com as associações, com as autarquias locais, desenvolve projetos na área da cultura, juventude, economia. É um todo", disse à Lusa Nelson Rodrigues, para quem uma permanência consular, como se chama a deslocação regular de funcionários consulares, "pode ser um complemento, desde que haja uma estrutura fixa".

As comunidades de Frankfurt e Osnabrück têm realizado manifestações contra os encerramentos anunciados e, garante Nelson Rodrigues, "os protestos não vão ter fim enquanto não houver diálogo".

Além de estar a promover um boicote ao envio de remessas para Portugal, o movimento liderado por Nelson Rodrigues marcou para 07 de janeiro uma concentração da comunidade frente ao consulado, onde serão colocadas velas.

"Os emigrantes estão a retirar verbas dos bancos portugueses e essas medidas vão ser intensificadas", disse o dirigente.

António Justo discorda desta forma de pressão, argumentando que "Portugal precisa mais do que nunca do apoio dos portugueses" e que os emigrantes não podem ajudar a destruir o país.

A próxima ação de luta da comunidade portuguesa em Frankfurt será a entrega de mais de 4.000 assinaturas ao Presidente da República, a 06 ou 07 de janeiro.

 

FPA.

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