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EUA demonstram divórcio entre Lisboa e emigrantes – secretário de Estado
2011-09-07
As autoridades portuguesas "divorciaram-se" das instituições das comunidades nos últimos anos, algo sentido "particularmente" nos Estados Unidos, e é precisa "maior proximidade" para reforçar a ligação política e económica com Portugal, defende o secretário de Estado das Comunidades.

José Cesário falou à Agência Lusa no fim de uma visita de quatro dias aos Estados Unidos, onde se encontrou com políticos luso-americanos eleitos como Jack Martins, senador estadual de Nova Iorque, ou Manny Grova, vereador de Elizabeth (Nova Jérsia).

"Uma das grandes queixas que [os emigrantes] fazem, e os representantes deles fizeram ao longo destes últimos anos, é que houve um divórcio das autoridades em relação às instituições das comunidades", afirmou à Agência Lusa o secretário de Estado, após a sua segunda deslocação ao estrangeiro.

"Particularmente aqui nos Estados Unidos, são paradigmáticos disso, um exemplo claro. Há aqui grandes instituições em que praticamente não apareceram nenhumas autoridades nos últimos anos. Este aspeto é absolutamente basilar", adiantou Cesário.

Além dos encontros com políticos luso-americanos, o governante participou em celebrações religiosas da comunidade no Estado do Massachussetts, as Festas de Nossa Senhora do Loreto, em Lowell, e de Fátima em Ludlow.

Em Boston, esteve também com o cônsul e com o conselheiro local para as comunidades. Já em Nova Jérsia, visitou o Sport Clube Português, em Newark, e o centro português de Elizabeth.

Trata-se, afirma, de transmitir a vontade do novo governo manter uma "relação de grande proximidade" com a comunidade local, e assim aumentar a participação dos emigrantes na vida pública portuguesa, e na política e associativismo local.

Cesário destaca entre os "muitos bons exemplos de participação" algumas das pessoas com que se avistou, como os empresários Alberto Coutinho e António Frias, além de Jack Martins, Manny Grova.

"São pessoas que em várias áreas têm grande visibilidade, mas é evidente que eles próprios reconhecem que temos de ter mais gente", afirma.

A comunidade nos Estados Unidos, é até das que está melhor a este nível, considera, tendo três luso-descendentes no Congresso e congressistas em vários Estados.

Uma das iniciativas de mobilização em preparação é um encontro de eleitos luso-americanos, na Embaixada em Washington, onde o governo estará representado, afirma.

Outro fruto da maior proximidade, diz, será uma maior interação na economia portuguesa, através do investimento e remessa de divisas dos emigrantes.

"As pessoas estão na disposição de investir, de comprar, obviamente para rentabilizar esses investimentos, Mas, para isso, querem ter legislação adequada, que não transforme esses investimentos em perda", disse Cesário à Lusa.

No imobiliário, em particular, uma das "questões que mais se colocam" nos encontros com os emigrantes é a lei das rendas, que governo está a rever, mas também há dúvidas sobre a lei laboral.

Uma das prioridades da secretaria de Estado é a reorganização do atendimento consular, sobretudo "em consulados mais problemáticos".

Em relação ao Consulado de Nova Iorque, que o governo anterior pretendia extinguir e deixou o posto vago, ainda não há futuro traçado, adianta.

Cesário promete ainda uma "alteração significativa do quadro legal do Conselho das Comunidades Portuguesas, "com os atuais conselheiros para garantir uma maior visibilidade do órgão e representação de comunidades".

RTP, aqui.

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