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Colóquio – "Olhares sobre os jovens em Portugal: Saberes, Políticas, Acções", nos dias 2 e 3 de Junho, no Instituto de Ciências Sociais, Lisboa
2011-05-30
Destacam-se as comunicações, no dia 2 de Junho, salas 2 e 3, entre as 14:30 e as 16h, de Vanessa Cantinho de Jesus (FCSH/CRIA) sobre portugueses residentes em Amesterdão; de Inês Pessoa (ISCTE-IUL) sobre jovens portugueses em Macau; e de Nina Tiesler (ICS) sobre o futebol português feminino emigrante.

Vanessa Cantinho de Jesus (FCSH/CRIA) - "Conhecer culturas diferentes, aprender coisas novas, abrir a cabeça!" - Consumos culturais, práticas expressivas e gestão de identidades entre jovens portugueses residentes em Amesterdão, no dia 2 de Junho, na sala 2, 14:30-16h

Embora a emigração portuguesa não seja um fenómeno novo, nos últimos anos tem-se assistido a um recrudescimento do mesmo com contornos ainda por definir, mas que se diz numericamente equiparável aos grandes fluxos dos anos 60 e 70 do século passado. Grande parte deste movimento será constituído por jovens adultos cujas expectativas, motivações e objectivos se distinguem daqueles que os seus homólogos teriam há três ou quatro décadas atrás. A conjuntura social actual, caracterizada por uma maior facilidade de movimentação entre fronteiras, a evolução tecnológica e das comunicações a nível global; somada às novas competências adquiridas por estes jovens ao nível da educação, do acesso a produtos culturais geograficamente distantes e da própria imaginação e construção de si, concorrem para a criação de desfechos originais. A forma como este jovens encaram a migração, e escolha dos destinos e o que esperam da experiência no local são indicadores desta suposta originalidade e algumas das questões que nos propomos aqui discutir. Esta comunicação parte de um terreno realizado na cidade de Amesterdão entre uma dezena de jovens adultos portugueses residentes naquela cidade. Numa pesquisa em que se deu especial destaque aos seus consumos culturais e práticas expressivas e sua relação com a cultura material, pretendeu-se a partir destas coordenadas contribuir para o estudo dos novos movimentos migratórios portugueses, da manutenção identitária e a relação com a nação neste contexto, bem como para a teorização mais geral acerca do movimento de indivíduos na contemporâneidade e suas implicações na construção de pertenças, bem como a sua relação com as diversas culturas de consumo, sejam elas referentes a objectos, ideias, imagens, locais ou tendências. Gostaríamos, a partir da descrição dos quotidianos, especificidades e discursos de alguns destes jovens, de partilhar os resultados e interrogações que saíram desta investigação e lançar à discussão as implicações dos mesmos para a constituição de um quadro sobre a juventude portuguesa contemporânea.

Inês Pessoa (ISCTE) - "Kông hei fát tch‘ói lai si tao loi?": a apropriação de práticas e referências culturais locais por parte de jovens portugueses em Macau, no dia 2 de Junho, na sala 3, 14:30-16h

Em Macau, no contexto do ano novo chinês, é prática corrente os adultos oferecerem -lai-sis‖ (envelopes vermelhos com dinheiro) às crianças e jovens locais, chineses e macaenses, em resposta à ladainha -Kông hei fát tch‘ói lai si tao loi?‖ (Bom ano novo! Dás-me um lai-si?). Este costume foi, a par de outros (poucos), assimilado por uma parcela da população juvenil portuguesa durante a sua estadia no território, no decurso das duas décadas que precederam a devolução do poder administrativo sobre Macau à China, facto revelador de que apesar do padrão de integração tendencialmente -comunitarizado‖ dos migrantes portugueses em Macau, o seu alheamento face à realidade circundante não foi total. Baseando o nosso estudo em relatos de vida de jovens portugueses que viveram em Macau no arco temporal referido, é nosso objectivo demonstrar que a prevalência de um modelo -tipo‖ de adaptação às sociedades receptoras - etnicizado no caso em análise - é compatível quer o desenvolvimento de dinâmicas assimilativas em alguns domínios, quer com processos de contágio cultural entre migrantes e autóctones. Iremos, por conseguinte, deter-nos em torno de alguns exemplos de apropriação de matrizes valorativas e de actuação locais por parte dos jovens e seus familiares, conferindo particular destaque aos factores e contextos que os proporcionaram.

Nina Tiesler (ICS) - Leaving for the Passion and the Cause: Portuguese female football talent on the move, no dia 2 de Junho, na sala 3, 14:30-16h

In the last twenty years, a phenomenon has emerged which is entirely new in the study of youth, gender, migration, women and sport, namely the international migration of female football talent and labour. Just as boys all over the world, also a growing number of girls dream about becoming a professional footballer and pursue this dream at intensively investing into their skills over years. The number of registered players has in fact more than doubled since 2000, with now over 30 million female footballers (FIFA 2007); but until date, -making a living‖ as a female player is only possible in about 20 out of 168 FIFA-listed women‘s football countries. This means for highly talented and skilled young women in 88% of the countries that they actually have to leave their home in order to act as professionals. These movements have appeared before the necessary legal and economic conditions to safeguard WF migrants‘ rights had been established, and Portugal is no. 6 in the world ranking with regard to the top level players‘ mobility. Furthermore, 13-years-old girls from a number of European countries are ready to migrate once they are not allowed anymore to play in male teams - due to a lack of domestic league competitions for girls of their age group. This is also the case for Portugal. On the basis of qualitative data material derived from an ethnographic case study, the paper presents migration projects (motivation, aspiration, adaptation, and outcomes) of young Portuguese players who went to China, Spain, Iceland, England, Norway and the USA. If there are little or no financial prospects or savings to make, it might be social capital what these women pursue. Or are they on the move for the love of the game? The question for young female football migrants is the same as for other professional athletes, namely which strategies can they develop to turn this social capital into a long-lasting, as a professional football career is short and requires investing in your bodily capital which is only temporary.

Para mais informações, ver aqui.

 

 

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