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Cônsul em Caracas define características da comunidade portuguesa que ajudam a superar crises
2011-05-08
A cônsul portuguesa em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa, considera existirem pelo menos dez aspetos da comunidade portuguesa na Venezuela que a distinguem e devem manter-se e que na atual conjuntura económica portuguesa poderiam ajudar a superar dificuldades.

"Há pelo menos 10 coisas que espero bem que nunca mudem na comunidade portuguesa na Venezuela", disse, em declarações à agência Lusa, Isabel Brilhante Pedrosa.

Para a diplomata, que no final de maio regressa a Lisboa, a comunidade portuguesa deve conservar o "espírito de solidariedade e generosidade, o empreendedorismo, o tempo que disponibiliza para as pessoas, o orgulho em ser português, o amor à Venezuela, a capacidade de conciliar trabalho e `rumba´ (festa), a combatividade, o espírito de união, a valorização da família e amigos e a convicção de que tudo está `chévere´ (maravilhoso)".

Na opinião daquela responsável, os portugueses residentes na Venezuela "em situações de adversidade unem-se, e conseguem suprir, se necessário, a falta de resposta das entidades oficiais".

Exemplos desse espírito de união são: a solidariedade que a comunidade manifestou para com as vítimas do temporal na Madeira e o esforço que faz para manter o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, para pagar cirurgias e dar cabazes de alimentos para os mais carenciados e para recolher roupas e medicamentos para os detidos, refere a cônsul portuguesa em Caracas.

Segundo a diplomata, os portugueses que vivem naquele país "têm-se distinguido pela capacidade de iniciativa, e dominam setores vitais da economia venezuelana, lideram negócios de sucesso e ocupam lugares de destaque em todos os domínios de atividade", tendo contribuído, dessa forma, para o reforço das relações bilaterais entre Portugal e a Venezuela.

Além do trabalho, "têm uma intensa agenda associativa e marcam presença em qualquer dia da semana, mesmo que isso implique várias horas de espera no trânsito e por mais ocupados que estejam", sublinhou.

Na opinião de Isabel Pedrosa, os portugueses e luso-descendentes na Venezuela "assumem a sua ascendência, revêem-se no Portugal moderno, prestigiam as suas origens, querem aprender a língua e a cultura portuguesas, viajar com passaporte português, estudar em universidades portuguesas, elogiam os avanços tecnológicos, o sistema de saúde e a rede de infraestruturas e exaltam o Nobel de Saramago(...)".

Contudo, "qualquer pretexto serve para celebrarem e organizarem uma festa (...). Demonstram que é possível trabalhar de forma incansável, mas desfrutar igualmente da vida e divertir-se sem culpas", sublinhou.

Também "sofrem, como os venezuelanos, com os problemas de insegurança", mas estão determinados a "continuar em frente" com "um notável sentido de unidade, com respeito pelo interesse superior do grupo em detrimento de agendas individuais", realçou.

No seu entender, os portugueses que ali vivem foram "contagiados pela alegria de viver (...) dos venezuelanos e eliminaram a tristeza do vocabulário".

"A superação das graves dificuldades na atual conjuntura (em Portugal) exige seguramente algumas das qualidades e características que a comunidade portuguesa na Venezuela tem demonstrado de forma exemplar", concluiu.

Natural de Leiria, Isabel Brilhante Pedrosa está em Caracas desde 2008, cidade que deixa em finais deste mês para regressar a Lisboa.

Lusa / AO online, aqui.

 

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