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Trabalho sazonal em França
2011-04-27
Quatro jovens portugueses contam as suas experiências

Por Joana Valente

Todos os anos, centenas de pessoas são solicitadas para trabalhos sazonais. No inverno em comércios e serviços nas estâncias de esqui espalhadas por França, no verão para acolherem os milhares de turistas que se deslocam a diferentes regiões, para as férias estivais.

A este tipo de trabalho respondem uma série de pessoas que escolhem e aceitam as suas vantagens e inconvenientes. Na estância de esqui de Val d'Isère, o LusoJornal encontrou quatro portugueses que decidiram fazer a experiência.

Rita Ferrão, de Lisboa, é atualmente vendedora numa loja de roupa, Daniel e Leonor Ribeiro, de Fafe, empregados de quarto num hotel e David, de Salto, Montalegre, ajudante de cozinha também num hotel.

Para eles, o trabalho sazonal tem vantagens muito interessantes: o fator financeiro é, sem dúvida, o mais importante. Para além do salário ser apelativo, a maior parte dos funcionários tem alojamento gratuito, uma ou várias refeições a cargo do patronato e, noutros lugares, têm serviço de lavandaria.

Outro fator que lhes interessa neste sistema de trabalho é a possibilidade de poderem desempenhar diferentes tipos de tarefas, diversificar a experiência profissional, adquirir novos conhecimentos. É gratificante pessoalmente mas é também um elemento de peso no currículo que lhes pode abrir portas a outras áreas profissionais. Neste tipo de emprego aceitam pessoas sem experiência, há menos provas de seleção e o nível de exigência é menor. Uma constatação interessante que fizeram na região é a de que "aqui, todos os trabalhos são importantes, não há empregos ‘menores'". Outra grande vantagem é o facto do período de férias ser bastante mais alargado do que o de um contrato efetivo normal. O maior inconveniente é a instabilidade, "o não se saber o que se vai fazer a seguir, se será fácil encontrar um novo emprego".

A integração é mais ou menos fácil, mas vir trabalhar para um país novo, com uma nova língua, e com uma cultura e mentalidades diferentes da portuguesa fez-lhes reparar em algumas diferenças entre os dois países. Portugal parece estar mais avançado do ponto de vista tecnológico e ter menos burocracias "nunca pensei dizer isto, mas em França há mais burocracia do que em Portugal", afirma Daniel.

Mas os quatro são unânimes na ideia de que o povo português é muito "desenrascado" e de que há uma certa formatação no povo francês "se acontece qualquer coisa fora da forma que estão habituados a fazer ficam desorientados". Rita acrescenta "se fosse no programa do ‘Surviver', o francês sentava-se a olhar para o mapa e o português já há muito que se tinha posto a caminho. O lado navegador sobreviveu nos portugueses". Há pouca humildade nos franceses e se no que respeita ao contacto humano não é uma qualidade, a altivez fez com que o país evoluísse em certas coisas, sobretudo a nível dos direitos do trabalho.

Mas, se por um lado muitos franceses consideram o povo português trabalhador, aberto e capaz de se integrar facilmente, a grande maioria, e em particular os que nunca visitaram o nosso país, acham que Portugal é um país muito atrasado. Aqueles que já o visitaram não têm a mesma ideia e consideram os portugueses muito acolhedores. Contudo, há preconceitos antigos que continuam a existir e que estão bastante presentes no imaginário dos franceses.

A época turística de inverno nas estâncias de esqui está a chegar ao fim, estes jovens acabarão a época da neve e partirão para novos e diferentes destinos, outros mantêm-se na mesma região. A Rita parte para Saint Tropez, o Daniel e a Leonor ficam pela Haute Tarentaise, o David regressa a Portugal e no próximo inverno reencontrar-se-ão nas montanhas... a curto ou médio prazo, não está nos planos de nenhum dos quatro regressar a Portugal definitivamente. Apenas para passar férias...

Lusojornal (França), aqui (edição de 27 Abril de 2011).

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