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Língua: “É muito urgente a certificação dos alunos” - Teresa Soares
2011-04-12
Professora no estrangeiro há vários anos e actualmente a leccionar na Alemanha, Teresa Soares diz que o EPE sofre de “um conjunto de mitos que o desfavorecem”, como a questão do orçamento. “O que se gasta com o EPE é um por cento do valor das divisas que os portugueses no estrangeiro enviam para Portugal. Todas as tentativas de reduzir os gastos, por infrutíferas que sejam, prejudicam alunos e professores”, acusa. Ao Emigrante/Mundo Português, a docente e presidente do Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas diz que nos seus 35 anos de existência, o EPE foi alvo de “políticas economicistas” e visto mais como “uma sobrecarga que convinha eliminar” do que como um sistema de ensino “a manter e dignificar”.

A curto prazo que medidas são urgentes? 
É muito urgente a certificação dos alunos. Tínhamos certificação até ao ano passado, mas agora o IC quer fazer um novo sistema que não está ainda muito bem definido, o que quer dizer que estamos na contingência de alunos terminarem agora o 9º ano ou o 12º ano de escolaridade, terem vindo às nossas aulas e saírem sem nada. Estou a falar nessa certificação para os alunos que terminam a escolaridade, a pensar na sua futura vida profissional no estrangeiro, que é muito importante, e ser-lhes-á com certeza positivo que possam mostrar um certificado a dizer que frequentaram o curso de português. Antes esse certificado era passado pelo Ministério da Educação, agora já não estamos com o Ministério da Educação. Já fiz ver junto do Instituto Camões (IC), que é urgente para este ano - mesmo que não seja definitivo - que os alunos que terminam a escolaridade, tenham o certificado.

Qual a situação actual dos professores na Suíça?
 Os professores na Suíça estão em péssima situação: um professor naquele país está agora a receber um vencimento igual àquele que recebia há cerca de 15 anos atrás. Isto deve-se aos cortes salariais que foram recentemente feitos a toda a administração pública, conjugado com o câmbio desfavorável. É um problema que ando a insistir em reuniões com o IC desde o ano passado, infelizmente ninguém nos quer ouvir.
Mensalmente, os professores perdem cerca de 300 euros na Suíça, por causa do câmbio desfavorável. É muito triste que ninguém queira dar ouvidos a esta situação. E muitos dos meus colegas na Suíça, principalmente aqueles que têm uma ligação a escolas em Portugal, tencionam regressar no fim deste ano lectivo.

A questão da contratação local na Alemanha está resolvida?

Não entendo porque surgiu este problema das contratações tardias. O IC diz que agora surgiram lugares. Eles não surgem porque um professor vai para a reforma de repente e uma professora não tem uma criança de repente. Um professor que pede a aposentação, tem que avisar meses antes, uma professora que pede licença de maternidade tem que avisar meses antes quando a vai iniciar. Todas essas situações podiam ser previstas. 
Aliás, a legislação para a contratação local foi negociada e aprovada pelos sindicatos em Julho do ano passado. Portanto, tinha havido muito tempo. Havia também os lugares que tinham que ser previstos, de dois professores de apoio que ficaram nas embaixadas e que têm horários completos noutros lugares. Já se sabia que esses horários ficaram livres e não percebo porque não foram integrados na rede.

Neste momento, há alunos de língua portuguesa na Alemanha ainda sem aulas?
Há alguns que ainda estão à espera, porque na Alemanha temos outro problema que não tem sido levado muito a sério: boa parte dos cursos é do primeiro ciclo e exige-se ao professor conhecimentos da língua alemã. Professores do primeiro ciclo com conhecimentos de alemão são extremamente difíceis de encontrar.
Por ouro lado, se demoram muito tempo, por vezes os candidatos deixam de estar interessados, porque uma pessoa não pode estar seis meses à espera.
Houve uma bolsa de lugares, foram colocadas algumas pessoas. Depois, essa bolsa de lugares voltou duas ou três vezes a ser usada, mas nessa altura muitos candidatos já tinham desistido. 
Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportuguês.org

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