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Emigração "recrudesceu" devido à crise e vai continuar a marcar sociedade portuguesa - investigadora (C/ÁUDIO)
2011-02-26

Lisboa, 26 fev (Lusa) - A emigração "recrudesceu" nos últimos anos devido à crise, defende a investigadora Betriz Rocha-Trindade, adiantando que saem, em média, 100 mil portugueses por ano, um êxodo que, acredita, continuará a marcar a sociedade portuguesa no futuro.

"A emigração é um fenómeno estrutural da sociedade portuguesa e continuará. Efetivamente [nos últimos anos] recrudesceu a emigração em Portugal. Hoje saem por ano cerca de 100 mil portugueses", disse em entrevista à Agência Lusa a socióloga especialista em questões da diáspora portuguesa.

Para Beatriz Rocha-Trindade, que integra o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta, a recente criação na esfera governamental de um Observatório da Emigração ou uma simples pequisa na internet permitem a confirmação de uma realidade que há muito ocupa as conversas de café.

"Estão a sair mais..? Estão a sair menos..? Estão a sair, simplesmente os destinos é que mudaram. Em dado tempo tivemos dois grandes destinos: o Brasil e a França. Hoje os destinos mudaram e a emigração faz-se de maneira diferente", adianta a investigadora.

"Há muito pouco tempo a Espanha era um dos grande destinos, mas era uma emigração temporária, quase semana a semana. A Suíça é outro grande destino. Há decénios foram emigrantes temporários, para a hotelaria e agricultura, que se transformaram em definitivos e para onde continuam a ir. A Inglaterra é dos grandes destinos atualmente", indicou.

A socióloga rejeita contudo "análises unilineares" ao fenómeno da emigração, sublinhando que, com a integração de Portugal na União Europeia, se alteraram as formas de entrada nos países e até mesmo as formas de estar na "clandestinidade".

"Esta circulação que se tem ativado possibilitou novas formas de estar irregular, mas também facilitou esta 'exportação' de portugueses, que se intensificou com a crise atual", disse.

Apesar de reconhecer que alguns dos tradicionais destinos de emigração portuguesa vivem também crises financeiras com grandes níveis de desemprego, Beatriz Rocha-Trindade diz que "há sempre para onde ir".

A socióloga fala de uma emigração cada vez mais qualificada, porque a própria sociedade portuguesa é hoje mais qualificada, mas ressalva que não saem apenas quadros.

"Por vezes saem também pessoas com uma determinada qualificação e não vão exercer essa qualificação especializada. Vão exercer funções de nível inferior à sua preparação, mas que lhe proporcionam um rendimento superior", referiu.

A investigadora acredita que "nos próximos tempos" os portugueses vão continuar a sair do país, entre outras coisas, porque a mobilidade se faz hoje muito mais facilmente.

"Com toda a comunicação e o grupo numeroso de portugueses que vivem no estrangeiro, as ligações fazem-se mais facilmente", disse.

"Existem muitos grupos de portugueses por todo o mundo que são contactáveis por via eletrónica e que, nos primeiros tempos, podem ajudar a instalar outros portugueses. Toda a circulação cruzada e permanente da informação facilita extraordinariamente a mobilidade ", concluiu.

CFF.

Lusa/fim, aqui.

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