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Sociólogos analisam
2011-02-21
Homens duros, mas com vidas frágeis

Por se tratar de um fenómeno recente, o boom migratório para Espanha não está suficientemente estudado, mas já há académicos a lançar novas perspectivas sobre esta matéria. Por exemplo, a de que esta debandada de trabalhadores redundou naquilo a que o sociólogo João Queirós, da Universidade do Porto, chama "desestruturação bipolar".

"Quando olhávamos para a emigração clássica para França, falava-se em comunidades bipolares, porque os emigrantes e criavam lá os seus laços e integravam-se nas sociedades de acolhimento, ao mesmo tempo que construíam a sua casa na aldeia de origem. Neste caso, falamos de desestruturação bipolar, porque é uma emigração pendular e variável, com muitas mudanças de local de trabalho, em que não há lugar à construção de comunidades em Espanha e em que, ao mesmo tempo, se dá uma desestruturação dos contextos de origem, por causa da ausência do homem".

Esta emigração pendular caracteriza-se ainda pelo fechamento em torno da família. "Os homens, quando chegam de fim-de-semana, tendem a fechar-se no reduto doméstico, com quebra de alguma dinâmica social", analisa ainda João Queirós. Apontando a "juvenilização" do fenómeno, o sociólogo nota que esta emigração, mais do consubstanciar uma opção de vida, decorre "da inexistência de emprego em Portugal". O grave é que, "longe de a fazer desaparecer, a emigração acentuou a precariedade do operariado", com "muitas situações de exploração". "São", diz Queirós, "homens duros, com vidas muito frágeis". N.F.

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