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França: Petição alerta para supressão do Português em duas instituições de ensino superior
2010-12-21
A decisão das direcções da Escola Normal Superior (ENS) e da Escola Politécnica (EP), de retirar a língua portuguesa do plano curricular daquelas duas instituições de ensino superior em França, motivou o lançamento de uma petição pública na Internet por parte da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros e da África e da Ásia Lusófonas (ADEPBA), que se manifestou estupefacta com a decisão, afirmando que “atenta contra a credibilidade da língua portuguesa como instrumento de formação”.

A petição pública pretende alertar para o projecto de supressão, a partir de 2012, do Português nos concursos da Escola Normal Superior (ENS) e da Escola Politécnica (EP), duas instituições de referência no ensino superior e na investigação científica em França.
Assinada pelo presidente da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros e da África e da Ásia Lusófonas (ADEPBA), Christophe Gonzalez, a petição "tem o apoio dos lusitanistas e hispanistas em várias universidades francesas", afirmaram alguns dos signatários contactados pela Lusa.
"É com estupefacção que constatamos o desaparecimento da língua portuguesa tanto em LV1 (língua viva, nível 1) como no que toca a LV2, de resto simplesmente suprimidos", lê-se na petição, endereçada aos directores da ENS e da EP. A supressão "atenta contra a credibilidade da língua portuguesa como instrumento de formação", acusa a ADEPBA.
"Tudo foi feito pela calada", constata uma professora portuguesa da Universidade Paris-3, signatária de uma primeira carta endereçada pela Sociedade de Hispanistas Franceses às direcções da ENS e da EP e aos ministros da tutela.
"Pode ser o início de redução da língua portuguesa noutras instituições de ensino superior. Os concursos à ENP e à EP são realmente simbólicos, por serem duas das ‘grandes escolas'", como são chamadas as universidades de elite em França, salienta a mesma docente.
A petição refere que "a supressão da língua portuguesa nos concursos é tanto mais incompreensível na medida em que se trata de uma língua de grande comunicação internacional falada em cinco continentes". O presidente da ADEPBA recorda que o Português "é também uma grande língua de negócios entre a França e os países lusófonos" e refere a importância do Brasil, de Angola e de Portugal, "terceiro país em termos de exportações francesas e um dos principais parceiros comerciais" de França.
A concretizar-se a "reestruturação" dos currículos na ENS e na EP, segundo professores de diferentes universidades francesas ouvidos pela Lusa, estas duas escolas retêm apenas três línguas europeias (Inglês, Alemão e Espanhol) e "fazem aparecer com grande força o Chinês ao lado do Árabe" entre as línguas em que os candidatos às duas escolas podem prestar provas.
Na petição pública da ADEPBA, é sublinhado que "quaisquer que sejam as motivações desta decisão - simples comodidade, economia, pedagogia, notação, etc. - , elas são dificilmente aceitáveis num estabelecimento onde também se joga o papel e o prestígio da França".

Embaixador apoia petição

O embaixador de Portugal em França apoia a petição e recorda às autoridades o "estatuto internacional" da língua portuguesa. "Vemos com grande simpatia a mobilização que esta petição pública traduz, porque ela também nos ajuda a sublinhar a relevância para a sociedade civil de um tema que nos é muito caro", afirmou Francisco Seixas da Costa à Agência Lusa.
"A Embaixada de Portugal em França está, desde que a questão se colocou, em contacto com as autoridades francesas, com vista a procurar tratar o assunto de uma forma compatível com o estatuto internacional da língua portuguesa", revelou o diplomata, acrescentando que a diplomacia portuguesa pretende reiterar junto das instituições francesas "a importância que a língua portuguesa tem para sectores franceses, não apenas ligados à comunidade portuguesa, mas igualmente a outros países lusófonos".
No passado dia 16, O deputado do PSD pela Europa Carlos Gonçalves enviou uma pergunta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), para saber se o Governo irá tomar alguma posição face à decisão de duas universidades francesas. "Considerando a importância de que se reveste esta decisão das duas Universidades francesas está a ponderar o Ministério, através do Instituto Camões e do Serviço de Coordenação do Ensino do Português em França, tomar alguma posição ou medida que permita ainda fazer valer os argumentos da importância da língua portuguesa?", questiona o deputado na pergunta que enviou ao MNE.
Em declarações à Lusa, Carlos Gonçalves sublinhou que "não hesitou minimamente" em subscrever a petição porque considera aquela decisão, "uma machadada" para a língua portuguesa. Carlos Gonçalves evocou ainda a importância da comunidade portuguesa em França para condenar a decisão daquelas universidades.
A ENS e a EP foram fundadas em 1794, durante a Revolução Francesa. São dois centros de excelência e ocupam o topo do "ranking" das universidades francesas.

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