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Portugueses «mais pobres» na África do Sul
2010-12-18
Mais emigrantes lusos estão a recorrer a ajudas da sociedade civil e a requerer apoio ao Estado português O número de portugueses em situação de pobreza e exclusão social tem crescido significativamente na África do Sul, garantem organizações de solidariedade social e responsáveis consulares, escreve a Lusa.

Em Joanesburgo, a maior cidade do país e sua capital económica, são cada vez mais os portugueses, particularmente os mais idosos, emigrantes de primeira geração, a recorrer a ajudas da sociedade civil e a requerer apoio ao Estado português.

Muitos dos novos carenciados, alguns em situação desesperada, são vítimas das novas realidades sócio-económicas sul-africanas e não necessariamente da crise financeira global.

«Em muitos casos são idosos cujos filhos e netos voltaram a emigrar da África do Sul para outras paragens. Os mais velhos, que muitas vezes não descontaram para a segurança social portuguesa e na África do Sul não têm protecção, ficam a viver em bairros que entretanto se degradaram e são hoje perigosos, sem qualquer fonte de rendimento», revela a responsável pelos serviços sociais do Consulado-geral de Portugal em Joanesburgo, Madalena Páscoa.

O chamado Grupo de Bem-Fazer, composto por 14 associações de solidariedade social de Joanesburgo e Pretória, que se reúne regularmente nas instalações consulares para coordenar acções e acudir a pedidos desesperados, resolve muitas das situações graças a donativos próprios ou de empresários de origem portuguesa sensíveis ao sofrimento dos seus compatriotas.

Madalena Páscoa recorda que recentemente foi descoberto sem vida num quarto alugado da cidade um idoso português que vivia em situação de pobreza extrema e que só não foi sepultado numa vala comum graças à intervenção do Grupo de Bem-Fazer. A associação «Lusito» suportou os custos do funeral.

Desde 1989, o Grupo Madre Teresa, sediado na igreja de St. Patrick no bairro de La Rochelle, a sul de Joanesburgo, cozinha e distribui uma refeição quente, acompanhada de fruta e, nos meses de inverno, de cobertores, pelos sem-abrigo do centro da cidade, que são milhares.

Em La Rochelle há cerca de 20 anos a maioria dos residentes eram portugueses, mas hoje é um bairro degradado onde até andar a pé é perigoso depois do pôr do sol. Para os voluntários do Grupo Madre Teresa, no entanto, a palavra «receio» não consta do seu vocabulário, correndo todos os riscos necessários, em vários pontos da cidade, para alimentar e aconchegar crianças, mulheres e homens atingidos pelo desemprego e pela exclusão, muitos deles imigrantes de países vizinhos da África do Sul.

Na mesma igreja está baseado um outro grupo, que se dedica especificamente aos mais desesperados da comunidade portuguesa. E os seus responsáveis não têm mãos a medir.

Carminda Ribeiro, do Grupo de La Rochelle, fala em «20 famílias, mais em alguns períodos, menos noutros», a quem o seu grupo distribui ajuda financeira e em forma de alimentos e outros bens de primeira necessidade com regularidade semanal.

«São quase todos idosos, muitas viúvas, a quem os maridos não deixaram qualquer forma de rendimento, para além de casos excecionais que resolvemos em conjugação com outros grupos aglutinados no consulado-geral», refere Carminda Ribeiro.

Sessenta portugueses da zona consular de Joanesburgo recebem apoio social do ASIC, mas muitos pedidos estão em estudo e o número poderá aumentar substancialmente, garantem os responsáveis.

IOL, aqui.

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