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Comunidade quer combater a pobreza entre portugueses na Venezuela
2010-11-16
Os portugueses na Venezuela querem transformar a luta contra a pobreza no seio da comunidade, num projecto de cidadania “prioritário e quotidiano”. Esta é uma das conclusões do 1º Encontro Nacional da Comunidade Portuguesa da Venezuela sobre Inclusão Social e Combate à Pobreza, que decorreu a 13 e 14 deste mês no Centro Português, por iniciativa do Consulado Geral de Portugal e da Academia da Espetada de Caracas e reuniu representantes de mais de 30 instituições luso-venezuelanas.

O encontro, que teve lugar no Centro Português de Caracas inseriu-se no âmbito do programa português do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, um problema que "sempre teve expressão no seio da comunidade portuguesa radicada na Venezuela, mas a consciencialização e debate sobre esta temática é relativamente recente", como sublinhava a cônsul-geral de Portugal em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa, num comunicado divulgado sobre o Encontro.
Sobre a mesa estiveram temas como "um olhar sobre a comunidade portuguesa na Venezuela", o "movimento associativo como alternativa de superação", "da teoria à prática" e "o impacto das medidas públicas". Em debate esteve também a importância do reforço da coesão social, a pobreza envergonhada, a economia social, o desafio da saúde na erradicação da pobreza, a educação e a inclusão social, entre outros assuntos.

Diagnóstico social

O documento elaborado no final do Encontro que reuniu representantes de mais de 30 instituições luso-venezuelanas, destaca como eixo estratégico o "reforço dos meios de identificação de casos e situações de exclusão social e pobreza entre a comunidade portuguesa pela participação co-responsável de todos". Por outro lado, os participantes comprometem-se a "promover a elaboração de um diagnóstico social da comunidade portuguesa e incentivar o desenvolvimento de maior e mais estreita articulação e coordenação entre todos os agentes e intervenientes sociais aos mais diversos níveis".
O encontro permitiu determinar que "a prosperidade e o sucesso associados à presença portuguesa na Venezuela se traduz numa destacada relevância dos portugueses em todos os sectores socioeconómicos da sociedade venezuelana", mas "não exclui a consciencialização da emergência do crescente número de casos e situações de exclusão social e pobreza, uma realidade que só nos pode incitar ao mais profundo inconformismo".
 "É a este inconformismo que pretendemos dar voz, procurando que o mesmo se transforme numa actuação colectiva positiva capaz de dar resposta a problemas concretos e caminhar no sentido de promover a inclusão e coesão social entre a comunidade portuguesa na Venezuela", refere-se nas conclusões, divulgadas pela agência Lusa. No documento lê-se ainda que nos momentos em que "enfrentamos uma crise económica global, com um impacto social sem precedentes capaz de aumentar o risco de pobreza e de afectar novos grupos de cidadãos, importa sublinhar que o tempo presente não está isento de sinais de esperança e acima de tudo, não devemos subestimar a nossa própria capacidade de mudança e de exercer influência a favor do bem comum e da dignificação da pessoa humana".
A iniciativa da comunidade portuguesa recebeu o elogio do presidente do Instituto Venezuelano do Seguro Social (IVSS) - o organismo venezuelano equivalente ao Instituto Português da Segurança Social, mas exerce também funções na área da saúde. "O esforço que faz a comunidade portuguesa na Venezuela é louvável e tem um alcance bem importante (...) falamos de seres humanos a que há que atender e onde não há espaço nem limitações geográficas e culturais, é um problema que estamos enfrentando e aplaudo esta iniciativa da comunidade portuguesa", disse o coronel Carlos Rotondaro, em declarações à Lusa.
O responsável explicou que os portugueses estão dispersos por todo o território nacional e que "é importante continuar com estas iniciativas e sobretudo aproveitar o nível de organização que tem a comunidade portuguesa no país". No seu entender, usando essa estrutura, o próprio IVSS pode oferecer serviços "não só de prestações itinerantes, mas na área de saúde e atenção aos pacientes com doenças que implicam custos elevados, oferecer essa segurança social conjuntamente com as iniciativas que tenha a comunidade portuguesa".
Carlos Rotondaro frisou ainda que prevê visitar Portugal em Fevereiro de 2011 para ampliar os acordos bilaterais em matéria de saúde. "Estabelecemos um contacto para que no próximo ano, em Fevereiro, possamos continuar a estabelecer laços de coordenação, de irmandade e sobretudo empenhados em resolver problemas e ampliar os convénios", disse.
Já o presidente do Instituto Português de Segurança Social afirmou que o combate à pobreza é tarefa de todos e Portugal tem responsabilidades a que não pode fugir para com a comunidade luso-venezuelana, defendeu em Caracas o presidente do Instituto Português de Segurança Social, Edmundo Martinho. "Nenhum de nós está livre de poder cair por força duma situação de saúde, do desemprego, numa situação difícil e nenhum de nós pode sentir-se desresponsabilizado destas tarefas, somos todos chamados para isto e isto é um papel que nos cabe, cabe ao Estado seguramente e o Estado tem em relação à Venezuela e à comunidade portuguesa responsabilidades a que não pode fugir", disse. Por outro lado, sublinhou que na sequência da sua deslocação a Caracas está agora "muito mais preparado para, não só entender aquilo que é a realidade da comunidade portuguesa na Venezuela, mas sobretudo para poder contribuir para melhorar a condição de vida daqueles que na Venezuela não encontraram infelizmente as suas melhores condições de vida".

Desafio à comunidade

O embaixador de Portugal em Caracas instou a comunidade portuguesa radicada na Venezuela a encontrar soluções para resolver os vários casos de pobreza. "Trata-se de uma realidade da qual todos devemos tomar consciência e usar os meios ao nosso alcance para encontrar soluções para este problema no sentido de conferir a estas pessoas uma melhora concreta das suas condições de vida", disse. João Caetano da Silva explicou que "Portugal e a Venezuela estão determinados a resolver as situações pendentes na área de pensionistas luso-venezuelanos" e que "existe um diálogo directo entre os dois países sobre esta e outras matérias".
Por outro lado, a cônsul-geral em Caracas exortou os participantes a transformar o encontro "numa jornada de reflexão sobre uma problemática muito actual e do maior interesse para a comunidade portuguesa", sublinhando que "agora há uma maior consciencialização" para as diferentes situações relacionadas com a pobreza, sendo "uma responsabilidade que não é exclusiva das autoridades". Em declarações à Lusa, Isabel Brilhante Pedrosa defendeu um maior humanismo na atenção consular aos pobres, na expectativa de que o Encontro tenha servido para sensibilizar a comunidade para esta problemática. "Na prática eu espero que isto represente uma maior sensibilização de todos os segmentos da comunidade portuguesa e uma promoção da inclusão. Não terá uma tradução imediata, no sentido de que uma pessoa ficará amanhã menos pobre ou com mais dinheiro, mas espero e posso começar por dizer em relação ao consulado, que represente um maior humanismo no atendimento das pessoas que nos procuram para ajuda e que se encontram em situações de precariedade", disse.

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