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Partida de portugueses para Angola é «fluxo fora da norma»
2010-11-11
A emigração de portugueses para Angola é uma “excepção à regra da concentração” na Europa como destino, mas o facto de ser um fenómeno recente não permite determinar se será temporário ou prolongado, realça o sociólogo Rui Pena Pires.

"O desenvolvimento, já neste século, de uma emigração para Angola, onde provavelmente viverão já cerca de 60 mil portugueses", é "o mais recente e mais fora da norma" fluxo migratório atual, disse à agência Lusa o sociólogo e professor universitário Rui Pena Pires, um dos oradores que hoje intervém no colóquio "Migrações, Minorias e Diversidade Cultural", que se realiza na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Mas o mesmo fluxo para Angola, frisa Rui Pena Pires, é também "aquele sobre o qual há mais dúvidas em relação ao volume e à estabilidade", pois "ainda hoje não é possível afirmar com certeza que esta emigração para Angola é uma emigração com o mesmo grau de fixação que teve a emigração, por exemplo, para Espanha ou Reino Unido".

"É cedo para isso, é [um fenómeno] muito novo. Podemos estar perante um fenómeno de emigração temporária, que desaparece ou se esbate daqui a alguns anos, como perante um novo destino de fixação", aponta o especialista em migrações.

Outro dos dados que estará em debate no colóquio - integrado nas comemorações do centenário da República e que passará em revista cem anos de migrações em Portugal - é o atual "défice migratório" de Portugal, de onde "sai mais gente do que aquela que entra", realça Rui Pena Pires, apontando os seus efeitos negativos - "a médio prazo não é bom", porque aprofunda "o que já de negativo resulta da retração do crescimento natural da população e do seu envelhecimento".

Recordando que imigração e emigração foram fluxos de intensidade simultânea entre os anos 1990 e 2002/2003, o sociólogo explica que, desde aí, o que se verificou foi "uma retração da imigração" e um crescimento da emigração, pelo menos até à crise económica e financeira mundial de 2008.

Atualmente, a imigração está "praticamente reduzida ao Brasil", já que a de "África acabou", especifica.

Mas, acrescentou, mesmo na emigração, "com exceção de Angola", tem havido "uma quebra" desde 2008, porque "os destinos prioritários de emigração portuguesa", nomeadamente Espanha e Reino Unido, viram-se a braços com o aumento do desemprego e deixaram de ter capacidade para "absorver emigrantes portugueses ao ritmo que estavam a ser absorvidos", explica o sociólogo.

No colóquio será apresentado um Atlas das Migrações, dividido em três partes, antecipou à agência Lusa Rui Pena Pires.

Uma primeira sobre a história da emigração até 1974 - primeiro para o Brasil e depois para a Europa, em particular para França, e também para as colónias, Angola e Moçambique.

Uma segunda sobre o desenvolvimento da imigração e as características das suas populações - de África, da União Europeia, do Brasil e da Europa do Leste, em particular da Ucrânia.

E finalmente a retoma da emigração a partir do processo de integração europeia até à atualidade - em que Suíça, Espanha e Reino Unido lideram, mas em que houve também "uma retoma para o Luxemburgo nos últimos anos" e o fenómeno "mais recente" de Angola.

Os oradores vão discutir ainda os "modelos de integração dos imigrantes na sociedade portuguesa" e "as potencialidades da nova emigração portuguesa", que passam pelo "desenvolvimento de redes" para "captação de investimento" e "mobilidade de quadros", resumiu Rui Pena Pires.

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