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Jornada nacional de luta pretende evitar aprovação do regime de reformas
2010-09-22
As centrais sindicais francesas convocaram para quinta-feira uma jornada nacional de protesto, a segunda em apenas duas semanas contra o novo regime de reformas.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Entre a comunidade portuguesa em França, a mudança de regime é vivida com "muita preocupação" e muitos trabalhadores em setores como a construção civil vão participar nos protestos, afirmaram à Agência Lusa em Paris emigrantes envolvidos nas estruturas sindicais.

"É preciso continuar a manifestar-se. Quem não se manifesta é porque está de acordo com a proposta do Governo", resumiu Eduardo Barroso, operário "com 40 anos de cotizações" e delegado sindical da Confederação Geral de Trabalhadores (CGT) num estaleiro da região parisiense.

"Há muita gente neste setor que, aos 50 anos, já está incapaz mas tem que continuar a trabalhar. Nem o Estado nem a Segurança Social se interessam por nós. A única solução é ir para a rua protestar como fazem os franceses", resumiu Armando Barroso, irmão de Eduardo e também operário no mesmo estaleiro.

A chamada "reforma das reformas" proposta pelo Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, e pelo primeiro ministro François Fillon foi aprovada há uma semana pela Assembleia Nacional, apesar da mobilização conseguida nos últimos meses contra o novo regime em sucessivas iniciativas de protesto.

A proposta governamental tem ainda de ser discutida pelo Senado a partir de 04 de outubro e as centrais sindicais esperam, até lá, conseguir obter algumas concessões em relação à proposta aprovada pela Assembleia, ao mesmo tempo que ameaçam com mais iniciativas de protesto.

Parte da negociação centra-se nesta altura em torno das carreiras penosas e perigosas, como as da construção civil, precisamente um dos setores onde a emigração portuguesa em França tem uma representação mais forte.

Os sindicatos esperam obter uma concessão na proposta governamental de aumento de 65 para 67 anos da idade na qual os assalariados com carreiras incompletas podem pedir a reforma sem penalizações de rendimento.

Esta mudança interessa diretamente a muitos portugueses que começaram a trabalhar muito jovens em Portugal e que, depois de emigrarem para França, "mudaram com frequência de patrão, nem sempre com os contratos em ordem, e que não têm facilidade em fazer prova das suas cotizações", salientou o sociólogo Aníbal de Almeida, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris e autor de um estudo detalhado sobre o perfil dos emigrantes "na hora da reforma".

Mesmo no seio da maioria da UMP, toma forma a ideia de obter uma concessão também para as mulheres que tenham criado três filhos, escreve hoje a imprensa francesa. Mas uma tal "rebelião" dos senadores seria "mortífera" para Sarkozy, escrevem vários analistas, após o Senado ter recusado a proposta de lei de reordenamento territorial, em julho.

No dia 7 de Setembro, mais de 2,5 milhões de pessoas em toda a França, segundo números das centrais sindicais, participaram nas greves e manifestações contra o novo regime de reformas.

Do lado dos sindicatos espera-se um aumento de adesão neste protesto em relação à jornada de dia 7. Para o Governo, e sobretudo para Sarkozy, é uma data importante numa altura de grande erosão política e um teste para o chefe de Estado no seio da sua própria maioria.

As centrais sindicais referem, ao mesmo tempo, a possibilidade de uma jornada intermédia de protesto antes mesmo da discussão no Senado. A união sindical Solidaires defende mesmo "um confronto central com o Governo".

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