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Desemprego gera vaga de emigrantes
2010-07-28
Diáspora: Fenómeno tem tendência para aumentar

Milhares de emigrantes começaram a chegam às fronteiras para matar saudades da terra natal. A maioria partiu à procura das oportunidades que escasseavam em Portugal. Hoje, pelas mesmas razões, um largo número de portugueses engrossa a coluna dos que partem, cerca de 30 mil todos os anos, segundo dados do próprio Governo. A nova vaga tende a crescer, já que o desemprego não dá sinais de abrandar e a retoma económica tarda.

O fenómeno acentuou-se nos últimos dois, três anos, como revelou ao CM o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que admitiu ser sobretudo a falta de emprego que move: muitos jovens licenciados em busca do primeiro emprego, pessoas de 40, 50 anos, que ficaram desempregadas por algum motivo e procuram novas oportunidades...
Partem muitas vezes para fazer os mesmos trabalhos que aqui recusam, mas lá fora são melhor pagos... Podem não voltar ricos, mas têm consciência da riqueza que representam para o País. As divisas resultantes das remessas representam hoje, em média, entre 3,4 e 3,7 mil milhões de euros, qualquer coisa como 700 milhões de contos. Trata-se da segunda maior fonte de divisas do País a seguir ao turismo.
A nova emigração ruma sobretudo a outros países da UE, levada pelo sonho de uma vida melhor, que não raro se transforma num verdadeiro pesadelo: o secretário de Estado admitiu que há situações sociais gravíssimas vividas por compatriotas nossos por essa Europa. E no meio das dificuldades o sentimento de desemparo é enorme. Os emigrantes queixam-se de quase tudo: da burocracia para tirar um passaporte, o bilhete de identidade, das pensões, do ensino dos filhos, que mal falam o Português...
Apesar de tudo, a saída anual de milhares de portugueses prossegue, agora em simultâneo com uma vaga precisamente em sentido contrário: a dos imigrantes que vêem em Portugal um novo ‘Eldorado' e deitam mãos a tarefas que os nacionais muitas vezes desprezam. O fenómeno é inédito: Portugal é, como referiu José Cesário, talvez o único no mundo que simultaneamente é um País de emigrantes e de imigrantes.
PORTUGAL SÓ DE FÉRIAS
"O IP5 já foi transformado em auto-estrada?". Esta foi uma das frequentes perguntas que muitos emigrantes fizeram ontem à chegada à fronteira de Vilar Formoso, na altura em que pisaram solo luso para mais um período de gozo de férias. Depois de um ano ausentes, os emigrantes chegam a Portugal com muitas saudades e sedentos de novidades. Apesar do amor à Pátria, quando são questionados se desejam voltar de vez a Portugal, a resposta é quase peremptória: "Não". A malfadada crise económica que atravessamos, o aumento do desemprego, o atraso estrutural e os fracos ordenados, são argumentos que levam a que estas pessoas não pensem voltar tão cedo ao País. "Em Portugal só de férias", afirmou José da Silva, de 37 anos, que ontem chegou de Paris.
"Se nos sentimos bem onde estamos, por que é que havemos de mudar?, interroga-se Alexandre Pinto, de 48 anos, emigrante na Suíça. "Só para gozar a reforma", concluiu.
REMESSAS ESTABILIZAM EM BAIXA
As remessas dos emigrantes continuam a ter um grande peso na economia nacional, basta dizer que é a segunda maior fonte de divisas logo a seguir ao turismo. Contudo, o valor total das transferências dos cerca de 4,5 milhões de compatriotas que se encontram 123 países do Mundo têm vindo a baixar lentamente ao longo da útima década, com tendência para estabilizar em valores da ordem dos 3,5 mil milhões de euros (700 milhões de contos por ano).
Os dados do Banco de Portugal dos últimos três anos mostra-nos isso mesmo: 3.458,121 milhões de euros, em 2000; 3.736,820 milhões, em 2001, e 3.405,871 milhões, em 2002. O grosso das transferência continua a vir dos países europeus, especialmente da França, Suíça, Alemanha, e Reino Unido.

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