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Remessas dos emigrantes caem 34% em 10 anos
2010-06-09

 

Nuno Miguel Silva

Na véspera do Dia de Portugal e das Comunidades, o Diário Económico faz um retrato da emigração e perfil do emigrante.

A crise económica e financeira está a empurrar um número crescente de portugueses para a emigração. Esta tendência é confirmada ao Diário Económico pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, ao afirmar que, "diante da crise financeira, haverá tendência para o incremento dos fluxos de saída". Palavras que marcam as comemorações amanhã do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que este ano decorrem em Faro, com a habitual presença do Presidente da República, Cavaco Silva, que impôs contenções nas celebrações dada a situação económica do país.

Amanhã, vários ministros e secretários de Estado vão celebrar o dia junto das comunidades portuguesas. E Cavaco Silva condecora, entre 37 personalidades, os ex-ministros do primeiro Governo de Sócrates, Nunes Correia - Ambiente - e Isabel Pires de Lima - Cultura.

Por ocasião destas comemorações, o Diário Económico faz o retrato da emigração, do perfil do novo emigrante, dos destinos mais procurados e, também, das remessas enviadas pelos nossos emigrantes, que não pararam de descer nos últimos anos, passando de 3.458 milhões de euros em 2000 para 2.282 milhões em 2009, o que representa um decréscimo de 34%, segundo dados do Banco de Portugal (ver infografia). Foram as remessas dos portugueses que emigraram que em larga medida ajudaram durante décadas ao equilíbrio do défice externo português.

O economista João Duque diz que esta diminuição tem na base razões sociais e afectivas: "É evidente que deixou de haver uma ligação emocional a Portugal por boa parte dos emigrantes. Essa perda de 34% só pode ser parcialmente explicada pela crise, porque é muito drástica". "Trata-se de gerações que já não querem regressar mas preferem ficar junto dos seus familiares e amigos, nos países de destino. E colocam o seu dinheiro em instituições financeiras ali", diz João Duque.

União Europeia como destino

António Braga, por seu lado, lembra que "a crise é global e afecta países que, recentemente, estavam a ser referenciados como destinos da emigração portuguesa, como são os casos da Espanha e do Reino Unido". No caso do Reino Unido, tendo em conta as estatísticas de aquisição do número de inscrição na Segurança Social, sem o qual ninguém pode trabalhar, "as inscrições anuais de portugueses subiram ligeiramente entre 2007 e 2008, de 12.040 para 12.980. Mas em 2009 já desceram para 10.310 inscritos", refere o secretário de Estado das Comunidades. Já em Espanha "as entradas de portugueses até 2007 aumentaram mas ainda não há dados de 2009 para confirmar que esse país tenha deixado de ser atractivo para portugueses. Mas pelas indicações de algumas estruturas sindicais, designadamente da construção civil, haverá retorno com significado", acrescenta.

A emigração no contexto da União Europeia foi facilitada com a abertura de fronteiras internas desde 1993. "Fora da Europa, com excepção de Angola, tem havido alguma estagnação na chegada a países que tradicionalmente são destino dos portugueses que emigram, como nos casos da Venezuela e Brasil", refere António Braga. Do ponto de vista da qualificação diz ainda: "A saída de quadros para trabalhar fora do país, muito particularmente na Europa, acontecerá hoje mais intensamente por razões de oportunidade de carreira, entre outras, mas certamente que a crise financeira terá o seu significado".

Remessas baixam e qualificação a aumenta

Uma emigração mais qualificada garante remessas de maior dimensão? O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garante que é impossível sustentar uma tal afirmação. "Sabe-se que, globalmente, as remessas de emigrantes baixaram no último ano, mas, por exemplo, em Angola aumentaram. Ora, neste país, notoriamente, o volume de emigração qualificada aumentou". Estas relações de causa e efeito não poderão ser vistas de forma aritmética e taxativa.

Mas sobre o aumento nos últimos anos da qualificação dos recursos humanos que procuram colocação no estrangeiro António Braga refere: "Intuitivamente parece que sim, dado que o país, ele próprio, se qualificou muito nos últimos anos, no alargamento das ofertas e no acesso, com as reformas realizadas quer no sistema educativo, incluindo as Universidades, quer em sectores de formação profissional e também nas empresas".

 Diário Económico, aqui.

 

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