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«Vinte portugueses inscrevem-se por dia no consulado de Lyon»
2010-05-05

Uma média de vinte portugueses estão a inscrever-se diariamente no consulado de Lyon, em França, fugindo ao desemprego em Portugal, declarou hoje o presidente da Federação das Associações Portuguesas de Rhône-Alpes, Manuel Cardia Lima.


"O que estamos a sentir na nossa região hoje é que estão a chegar muitos portugueses", disse Cardia Lima à Agência Lusa, durante a visita dos membros da direcção da federação portuguesa em França à Assembleia da República, a convite do deputado Carlos Gonçalves (PSD), eleito pela Emigração pelo círculo da Europa.

Cardia Lima, ex-conselheiro das Comunidades Portuguesas, indicou que o cônsul geral de Lyon, António Barroso, "está a fazer diariamente umas vinte inscrições de portugueses que acabaram de chegar, todos perderam o emprego em Portugal".


"Falámos com as pessoas, estas perderam o emprego e vão para França procurar alguma coisa melhor. Penso que este problema é um bocado preocupante. Assim como estão a chegar na nossa região, devem estar a chegar a outras regiões de França também", salientou o presidente da federação de associações.

Cardia Lima salientou que a França também enfrenta problemas de desemprego e os jovens luso-descendentes, "que são médicos, directores de empresa, advogados, sentem um pouco esta situação".


O presidente disse que, no geral, não há grandes problemas na comunidade portuguesa em Lyon, mas destacou a questão do ensino da língua portuguesa - falta de professores e colocações tardias - e a falta de apoio ao empresariado português em França.

"Os empresários portugueses em França não têm apoio nenhum do Governo, não há estruturas a que se possa recorrer. Um empresário que queira estar em Portugal tem que se dirigir, por exemplo, à câmara de comércio francesa. Agora foi criado em Lyon um clube de empresários, Business Club Portugal, que está a dar um certo apoio", salientou Cardia Lima.

Por seu lado, o deputado Carlos Gonçalves defendeu uma política "virada para os empresários portugueses no estrangeiro ou empresários de origem portuguesa implantados em países de grande peso económico, que poderiam ter um papel preponderante no investimento em Portugal mas, sobretudo, ajudando na internacionalização das empresas portuguesas".

"Entretanto, nós continuamos virados, muitas vezes, para o apoio às grandes empresas portuguesas e esquecemos o tecido empresarial no estrangeiro que deveria ser acarinhado e sobretudo sensibilizado para o investimento no país", disse ainda o deputado, acrescentando que o apoio do Governo português seria mais para a orientação e o estabelecimento de contactos do que propriamente ajuda financeira.

O primeiro-ministro deverá reunir-se sexta-feira, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, por ocasião do encontro de alto nível entre os dois Governos e antes da cimeira de líderes da zona euro, em Bruxelas.

Paralelamente à cimeira, acontecerá o III Fórum dos Empresários e Dirigentes Portugueses e Luso-Descendentes de França", que terá como temas centrais as energias renováveis, a mobilidade eléctrica, a tecnologia informática e as indústrias agroindustriais.


Cardia Lima avalia que a visita de José Sócrates "será boa para Portugal, mas também para os empresários que estão lá (em França)".

A Federação das Associações Portuguesas de Rhône-Alpes é composta por 26 associações, trabalhando e ajudando outras 40 entidades em outras regiões do país.

Fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades recordou que "será lançado em breve o primeiro programa NetInvest, que prevê a criação de uma rede de contacto entre empresários portugueses e de apoio efectivo ao investimento, exclusivamente vocacionado para o tecido empresarial dos portugueses no estrangeiro".


O NetInvest será dotado de uma verba de quatro milhões de euros, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN).

 

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